Visão da arquibancada: Atlético e Cruzeiro fizeram um dos melhores jogos do ano do futebol brasileiro

Toda a expectativa pelo segundo confronto entre Raposa e Galo, pelas quartas de final da Copa do Brasil, foi confirmada. Diferentemente da primeira partida, no qual só um time entrou ligado, o que se viu no segundo jogo foram todos os ingredientes de um grande clássico: disputa acirrada pela bola, vontade extrema de vencer, coragem ofensiva, mudança tática ousada, torcida jogando com a equipe, luta na medida do aceitável, polêmica, pressão, e por aí vai.

Daniel Helvécio
Jornalista com passagens pela Rede Minas, canal GNT e agências de comunição. Apaixonado por futebol, cultura e música, já entrevistou diversos artistas da música brasileira, como Wando, Milton Nascimento e Hermeto Pascoal. Acredita que o jogo entre quatro linhas é a principal expressão cultural do homem contemporâneo.

Crédito: divulgação da assessoria do Atlético

Obviamente, que a forma de jogo de cada equipe foi o que se esperava. De um lado, o Cruzeiro, com a identidade de Mano Menezes, marcando forte, tentando sair no contra-ataque, buscando cozinhar a partida e jogando pela excelente vantagem de 3 a 0 do primeiro jogo. Do outro lado, um time tentando correr atrás de enorme prejuízo e a busca incansável pelo gol, empurrado pela maioria dos torcedores do estádio.

Uma partida que ficou 2 a 0 para o Atlético, mas que o classificado para a semifinal foi o Cruzeiro. E um jogo que fez as duas torcidas, no final, aplaudirem os times pelas entregas.

Foram 19 finalizações do Atlético contra três do Cruzeiro. Números que, interpretados, levantam três questões. Primeiro, a eficiência de um elenco que é o atual bicampeão do torneio. Depois, um poder de decisão dos jogadores do Cruzeiro maior que do Galo. Desta vez, o time celeste teve os jogadores de defesa como protagonistas da partida, como o goleiro Fábio, que fez grandes defesas, e o zagueiro Dedé, responsável por desarmes, rebatidas e antecipações.

E, por último, não se pode jogar uma partida de um confronto como Atlético e Cruzeiro, por um torneio eliminatório, da forma lenta e desligada que o Galo jogou o primeiro jogo. Por mais que o alvinegro tenha feito um bom resultado no segundo jogo, não foi o suficiente para se classificar devido à diferença de gols do time azul construída no Mineirão.

Futuros

O Cruzeiro vai enfrentar o Internacional pela semifinal da Copa do Brasil. Como vem mal no Brasileiro, o time celeste, pensando em título, continuará focado nos mata-matas do torneio nacional e da Copa Libertadores.  Mas não pode se esquecer do Brasileiro, pois, no momento, está na zona de rebaixamento. Com essa classificação, o Cruzeiro segue forte na temporada e dá um tempo na grave crise fora de campo que ainda pode afetar a equipe durante a temporada.

Já o Galo também seguirá brigando pela Copa Sul-Americana e por uma vaga no G4 do Brasileiro. Porém, mais uma vez, ficou claro que a diretoria do clube precisa repensar alguns investimentos. O atual mandatário do clube, Sérgio Sette Câmara, continua com o discurso de austeridade. Com isso, desde o ano passado, o elenco já mudou de patamar em relação aos últimos anos. É verdade que, hoje, a estrutura de futebol (elenco e direção de futebol) é melhor do que 2018. Porém, ainda faltam jogadores mais decisivos do meio para frente. Talvez ainda dê tempo de a diretoria pensar mais em qualidade do que em quantidade.

Uma negociação não é simples, pois envolve valor de direitos econômicos, luvas, comissões e salários. Mas, provavelmente, os salários de Ricardo Oliveira, especulado em outros clubes durante a temporada, Nathan, que acabou de renovar contrato, David Terans, que até o momento não disse a que veio, bancaria um jogador ofensivo com mais poder de decisão. Ou seja, não é gastar o que não tem. É gastar com mais eficiência.