Visão da arquibancada: Mano Menezes foi o melhor em campo no clássico mineiro

Cruzeiro venceu o Atlético por 3 a 0 no primeiro confronto das quartas de final da Copa do Brasil com atuação destacada de Pedro Rocha; atacante foi a novidade na escalação do técnico celeste que aparentemente conseguiu blindar o elenco da grave crise administrativa que o clube vive

Daniel Helvécio
Jornalista com passagens pela Rede Minas, canal GNT e agências de comunição. Apaixonado por futebol, cultura e música, já entrevistou diversos artistas da música brasileira, como Wando, Milton Nascimento e Hermeto Pascoal. Acredita que o jogo entre quatro linhas é a principal expressão cultural do homem contemporâneo.

Crédito: divulgação da assessoria do Atlético

No início de junho, muito se discutia na imprensa e nas rodas de conversas de torcedores quais seriam as equipes do futebol brasileiro que se beneficiariam com a parada de 30 dias da Copa América. Entre a torcida do Cruzeiro, time que não vencia uma partida oficial há 9 jogos, era quase unânime a opinião que a Raposa necessitava da parada para que Mano Menezes tentasse acertar a equipe que vinha patinando em campo, amargando a 18ª posição na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Além do mais, neste mês, o Cruzeiro encarará uma maratona de decisões importantes na Copa do Brasil e na Libertadores. A primeira decisão foi nessa quinta-feira, no Mineirão, pelo torneio brasileiro.

Já o Atlético vinha em um momento de evolução na temporada, apesar das oscilações.  Após ser desclassificado na primeira fase de grupos da Libertadores, o Galo começou a ser comandado por Rodrigo Santana de forma interina e, devido ao bom trabalho, foi anunciado no dia 24 de julho a sua efetivação.

O Cruzeiro de Mano Menezes é o atual bi-campeão da Copa Brasil. E possui um elenco que sabe jogar a competição. O Galo, por sua vez, veio de uma classificação contra o Santos, em São Paulo, fato que deu confiança à equipe. Somando a isso, dava a impressão de que o elenco celeste poderia ser afetado pela grave crise administrativa vivida fora do campo. Mas não foi o que se viu no clássico de ontem. Aliás, é importante ressaltar que em dérbi não há favorito, independentemente dos momentos das equipes. Clássico é diferente e, em geral, as forças se equivalem.

O Jogo

Desde o início, a partida teve uma tônica muita parecida. O Atlético com mais posse de bola (59% contra 41%), mas sem efetividade no ataque. E o Cruzeiro marcando forte e sendo mortal nas chances criadas. Até o terceiro gol da equipe celeste, aos 9 minutos do 2º tempo, tinham sido construídas três oportunidades. Todas convertidas em gol.  Em 16 clássicos no comando do Cruzeiro, foi a primeira vez que a equipe de Mano Menezes conseguiu marcar dois gols em um só tempo.

Além disso, o treinador celeste inovou na escalação ao barrar Fred e escalar Pedro Rocha. Com isso, o Cruzeiro perdeu a referência do centroavante, mas ganhou velocidade e mobilidade, tirando a zaga adversária da zona de conforto. Não por acaso, os dois primeiros gols tiveram participação direta do atacante. O primeiro, aos 12 minutos do segundo tempo, num chute do Pedro de fora da área, que desviou na defesa atleticana, matando o goleiro Victor. Já o segundo gol originou-se de uma roubada de bola do atacante, num erro de saída da defesa atleticana. No lance, ele ganhou na corrida do zagueiro Igor Rabello, driblou Victor e só rolou para Thiago Neves marcar.

Veio o segundo tempo. Aos 9 minutos da etapa final, o Cruzeiro marcou mais um com Robinho. Depois de outra roubada de bola na entrada da área adversária, o meia chutou e o zagueiro Réver cortou. Na sobra, ele chutou mais uma vez para fazer 3 x 0.

Rodrigo Santana fez algumas modificações para tentar mudar o cenário da partida.  Durante o intervalo, antes do terceiro gol, Luan, que vinha mal no jogo, saiu e deu lugar ao venezuelano Otero, que fez a sua reestreia. Depois colocou Geuvânio para dar mais velocidade, tirando de campo o Cazares. Com as mexidas, a equipe alvinegra teve mais movimentação ofensiva e conseguiu chegar mais ao gol do goleiro Fábio. Porém, sem grande perigo.

Decisão do confronto

Com o resultado de 3 a 0, o Cruzeiro abre uma grande vantagem contra o rival, podendo perder até por dois gols de diferença e garantir a classificação. E analisando a forma de jogo do Cruzeiro de Mano Menezes, mais defensiva e sabendo jogar com o regulamento debaixo do braço, é difícil pensar numa derrota por um resultado elástico.

Já o Galo terá que fazer a maior virada da década em termos de números de gols. Para levar à decisão de pênalti terá que vencer por três gols de diferença. E, se quiser classificar-se diretamente, precisará de quatro gols de vantagem.

No entanto, para sonhar com a classificação, o Galo não poderá errar defensivamente e vai precisar de um aproveitamento ofensivo acima da média. Na partida de ontem, dois gols do Cruzeiro saíram de erros individuais na saída de bola. Lances que são fatais e decisivos em um dérbi, ainda mais contra um adversário qualificado.

Despedida do futebol

Na tarde desta quinta-feira uma notícia triste foi confirmada. O volante Adilson vai encerrar precocemente a carreira de jogador por causa de um problema no coração. Durante o anúncio, o jogador, emocionado, declarou: “Meus companheiros ainda são a última chance que eu tenho de ganhar um troféu grande pelo Atlético. E eu acredito muito neles”.

Provavelmente, esse drama vivido pelo atleta pode ter abalado o elenco atleticano no jogo de ontem. Mas, ao mesmo tempo, pode ser o combustível de superação que o time vai precisar na próxima quarta, 17/07, às 19h15, no estádio Independência. Já o elenco cruzeirense, para confirmar a classificação, precisará continuar focado, como foi na noite de ontem, sem deixar que a grave crise administrativa entre em campo.