Ex-capitão do Corinthians lamenta retirada de camiseta do Memorial do Basquete e pede maior engajamento político dos atletas

Hoje supervisor da categoria sub-19, Gustavinho nunca escondeu sua inclinação política e luta pela igualdade. Corinthians retirou do Memorial do Basquete a camisa em homenagem à Marielle usada pelo jogador após o título da Liga Ouro em 2018

Antonio Carlos Junior
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Beto Miller

Há pouco mais de duas semanas o Corinthians retirou a camisa em homenagem à Marielle Franco, utilizada pelo ex-armador Gustavinho, do Memorial do Basquete do clube. A polêmica decisão causou desconforto e estranheza por parte do hoje supervisor da categoria sub-19 do basquete do Timão.

“Fico triste com a retirada, né? Isso mostra total desconhecimento com a história do Corinthians. A inclusão dos negros no esporte, a democracia corinthiana, a luta dos proletariados, a luta contra a homofobia dentro do clube e da torcida. Então, essa seria mais uma bandeira a favor da democracia e que foi tristemente censurada”, comentou Gustavinho.

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Apesar da censura aplicada, Gustavinho não esconde o orgulho por ter homenageado Marielle em um momento icônico da história do basquete corinthiano.

“No dia da final faziam exatos 100 dias da morte da Marielle. Eu gosto de deixar claro que foi uma manifestação apartidária. A Marielle é uma representante de bandeiras fortes, representante das minorias. Até aquele momento não havia nenhuma apuração sobre o caso e isso é revoltante. Mas é uma pessoa que fez muito pela sociedade e eu gostaria de poder ter enaltecido ela em vida”, explicou.

O hoje supervisor do sub-19 do Corinthians também destacou a importância do engajamento de atletas no cenário político nacional.

“Gostaria de ver jogadores e atletas mais engajados e atentos ao cenário político do Brasil. As pessoas dentro do esporte tem um alcance muito grande, então seria bom se todos se posicionassem de maneira clara, sem esquecer a história e a memória do nosso país”, frisou.

Apaixonado pelo basquete desde criança, Gustavinho assumiu a supervisão do sub-19 do Timão após a aposentadoria das quadras. Na nova função ele pretende influenciar os garotos da base a procurar cultura e enxergar o basquete como uma forma de transformação social.

“Eu sou sortudo pelas oportunidades que eu tive, de cultura. Então estou muito empolgado com a nova função. Espero poder mostrar para os garotos uma nova visão sobre o esporte, para que saiam do piloto automático. Espero mostrar que o basquete é um agente de transformação social”, finalizou.

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