Jogador da base do America-RJ é morto durante operação policial em comunidade carioca

Em nota, Mecão lamentou o ocorrido e prestou solidariedade aos familiares do atleta

Cido Vieira
Jornalista em formação, e apaixonado por futebol desde criança. No Torcedores.com, trabalho como setorista do Botafogo e futebol nordestino

Crédito: Reprodução - Facebook

Uma operação na comunidade da Grota, em Niterói, no Rio de Janeiro, acabou vitimando o jovem Dyogo Coutinho. O jogador de apenas 16 anos deixava a comunidade para ir treinar no America-RJ quando foi atingido por um tiro nas costas.

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Socorrido no local, Dyogo foi transferido para a Policlínica do Largo da Batalha, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. O avô do jogador fez o reconhecimento do corpo quando passava pela região dirigindo um ônibus e avistou o jovem caído no chão.

Em entrevista à “TV Globo”, Cristovão Brito afirmou que decidiu descer do veículo após lembrar que seu neto costumava deixar a comunidade para treinar neste horário. O avô do garoto criticou a ação dos policiais do Batalhão da Polícia de Choque, que, segundo Cristóvão, afirmaram que Dyogo era um traficante.

– Passei na hora no ônibus. Passei e vi um corpo no chão, mas não identifiquei que era meu neto. Quando cheguei uns 50 metros à frente, que me deu um toque na cabeça que meu neto tinha descido para ir treinar. Parei o ônibus, coloquei no freio de mão, fui lá ver e era meu neto. Agora, imagina uma situação dessa. E os PM’s lá. Ainda disseram que meu neto era traficante -, afirmou o avô.

– Era só chamar ele, mandava encostar, verificava a bolsa que ia ver que ele ia treinar, e liberava. Não atirar. O tiro pegou nas costas e saiu aqui do lado (na costela). Ainda falaram para mim que meu neto era traficante. Brincadeira -, finalizou.

Dyogo era jogador não federado do America-RJ. Ele utilizava as dependências do clube para se preparar para uma competição municipal que estava competindo.

Após a morte do garoto, moradores da comunidade organizaram um protesto na Av. Presidente Roosevelt, no bairro de São Francisco em Niterói, e acabaram ateando fogo em um ônibus que passava pelo local na hora da manifestação.

Em nota oficial, o America-RJ lamentou o ocorrido, e prestou solidariedade aos familiares.

“Assim que o ocorrido chegou ao conhecimento da comissão técnica da categoria, que treina na Vila Olímpica de Caxias, o supervisor da equipe sub-17, Antônio Carlos Villa Flor Brito, deixou o treino e partiu para a o hospital junto de alguns dos companheiros de equipe do atleta. Lá, prestou todo o suporte possível aos familiares em meio ao momento de dor indescritível.

Absolutamente entristecido, o America presta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Dyogo, mais uma vítima inocente de uma sociedade tão saturada de violência e agressividade.” – diz o documento no site oficial do clube carioca.

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