Libertadores: Maurício Capela analisa o confronto brasileiro na semifinal da competição

Depois de 35 anos longe de uma semifinal de Libertadores, o Flamengo recupera a mística dos anos 80 do século XX e coloca em campo o status de melhor elenco do futebol brasileiro diante do pragmático Grêmio de Renato Gaúcho

Maurício Capela
Jornalista há 25 anos, Maurício Capela é comentarista esportivo há mais de uma década e hoje está na Super Rádio. Foi escolhido pela Associação do Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp) como um dos três melhores na função em televisão, em 2016, quando atuava pela RedeTV!. Com passagens pelas rádios 105 FM, Tri FM de Santos (SP), Tropical FM, entre outras, o profissional tem larga experiência também no jornalismo impresso e digital. Além de ter mantido blog sobre esportes no Estadão, militou em Veja, Valor, Gazeta Mercantil e outros.

Crédito: Getty Images

Três décadas e meia. Esse é o tempo que separa o Flamengo de 2019, do português Jorge Jesus, e o time comandado por Mario Jorge Lobo Zagallo em 1984, ano da última participação do clube em uma semifinal da Copa Libertadores de América.

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É claro que de lá para cá muita coisa se modificou no Brasil e no mundo. O muro de Berlim, por exemplo, caiu e o Brasil ganhou duas Copas dos Mundo, a dos Estados Unidos em 1994 e a da Coréia do Sul / Japão de 2002. O País também voltou a ser uma nação democrática, com eleições diretas para o posto de presidente da República e o futebol assistiu ao surgimento de craques como o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo.

Mas se fora de campo o mundo se modificou radicalmente, dentro das quatro linhas o futebol bem jogado permanece intacto. Muitos dizem que ele evoluiu na parte física, o que é um fato. Hoje, tem-se atletas jogando futebol. Outros afirmam que taticamente a história é outra, o que é discutível. No entanto, poucos vão questionar que a melhor defesa continua sendo o ataque. E o Flamengo de Jesus dá uma mão à tese.

Com a ajuda do FootStats, pincei alguns números desse Flamengo arrasador, que terá pela frente na Libertadores umas das equipes que melhor jogam no País, o Grêmio de Renato Gaúcho. E os indicadores atestam não só a força do clube no torneio, mas lançam olhar preocupado em direção ao time do Rio Grande do Sul.

Jogo duro

Em Assistências, por exemplo, o Flamengo de Jesus aparece na segunda colocação, com média de 1,3 por jogo. O líder nesse quesito é o já eliminado Palmeiras, com 1,7. Já o Grêmio está na sexta posição, com média de 1.

Em Cruzamentos Certeiros, o Flamengo está no páreo. É o segundo, com 5,2 por jogo. Só perde de novo para o Palmeiras, que apresenta indicador de 5,7. O adversário da semifinal dos rubro-negros está bem longe nesse ponto, na 23a. posição, com pouco mais de 4 por partida.

Em Desarmes, o time de Jesus lidera e com folga. Dá o bote certeiro 191 vezes a cada 90 minutos. E o Grêmio? Aparece na sétima posição, com 150 desarmes ao longo de cada jogo.

Por fim, Finalizações. Daí o estrago é grande. O Flamengo finaliza acertadamente por jogo 60 vezes; o líder nessa questão, o argentino Boca Juniors, acerta 62 vezes o alvo do adversário e o Grêmio, só 52.

Mas há pulga atrás da orelha? A resposta é sim. No que diz respeito à Troca de Passes, o líder é o Grêmio, que mantém uma média perto de 420 passes certos por jogo. Já o Flamengo surge na segunda posição, com quase 405 trocas perfeitas ao longo dos 90 minutos.

Números falam

O resultado desse desempenho todo revela um Flamengo veloz, rápido no contra-ataque e que prefere abafar o adversário logo de cara. Já o Grêmio se mostra um time tinhoso. Quer ter a bola, o que de fato acontece, e somente se aventura em direção ao ataque, quando o adversário lhe oferece essa chance.

Em outras palavras, quando se coloca tudo na balança, logo se pode imaginar um jogo entre o movimento de encaixotar o adversário no campo de defesa, o Flamengo, e um time disposto a se resguardar, valorizando a posse de bola e de olho no contragolpe, o Grêmio.

Favorito? Sim, o Flamengo. Zebra? Não. Nesse confronto, não há zebra, azarão e nem inferioridade. Há estratégia. E os números do Flamengo, combinados à estratégia audaciosa de Jorge Jesus e o elenco que possui em mãos, dão essa vantagem ao clube. Do outro lado, a esperança recai no conjunto e no valor individual de Everton, o maior driblador da competição, com 59% de acerto no fundamento. E tudo que o Grêmio precisa nesse momento é driblar o favoritismo do Flamengo.

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