Por que Formiga é fundamental na nova fase da seleção?

Meio-campista é uma das principais referências da equipe brasileira aos 41 anos

Livia Camillo
Colaborador do Torcedores

Crédito: Ricardo Stuckert / CBF

Mesmo depois de anunciar a aposentadoria da canarinho em 2016, Formiga repensou sua saída da seleção brasileira e ainda disputou mais uma Copa do Mundo. E para quem achou que o último ato dela com o Brasil seria em julho deste ano, na França – país onde joga atualmente -, sua convocação na estreia da técnica Pia Sundhage prova o contrário. No entanto, a treinadora não poderia estar mais correta em relacioná-la.

A jogadora do Paris Saint-Germain tem 24 anos de seleção na bagagem. São duas pratas olímpicas e um vice-campeonato mundial. Aliás, a meio-campista já soma sete mundiais. Um recorde no futebol, entre homens e mulheres. A única Copa do Mundo de Futebol Feminino oficial que ela não disputou foi em 1991. Na Noruega, em 1995, vestiu a camisa verde e amarela pela primeira vez, com apenas 16 anos. 

Mas todas essas conquistas não significariam nada se Formiga não fosse uma referência para as jovens atletas. 

Referência

Hoje, aos 41 anos, a camisa 8 é um tipo de “bússola” que guia as companheiras. Destaque para o atual processo de renovação, com novos rostos que começam a aparecer entre as “figurinhas carimbadas” da equipe. Uma mistura que, muitas vezes, gera dificuldade de adaptação das atletas mais jovens. Neste cenário, são importantes as contribuições da jogadora, em campo e fora dele. 

Aline Pellegrino, ex-capitã da seleção brasileira e atual coordenadora de futebol feminino da FPF, foi convocada ao lado de Formiga algumas vezes ao longo da carreira. Para a zagueira, a liderança que Formiga exerce é inquestionável.

“Enquanto a gente puder ver a Fu jogando em alto nível, é importante aproveitar, assistir e poder falar lá na frente: ‘vi a Formiga jogar, joguei com a Formiga'”, disse Aline ao Torcedores. “Ela tem o respeito de todas as jogadoras da seleção e também das adversárias. Sempre que está em campo, a entrega dela é de 200%, é uma das atletas que mais se entregam”, concluiu.

Novo comando

Formiga também desempenha um papel importante diante das novidades no comando brasileiro. Conhecedora do estilo europeu, ela recebeu a confiança de Pia Sundhage para a missão de ajudar a trazer a filosofia do Velho Continente para a Granja Comary. A mudança começa pelo comportamento tático, uma das principais falhas que a treinadora sueca reconheceu ao chegar na seleção.

Essa é uma das chaves para inspirar e elevar o patamar da próxima geração de atletas, que poderão representar o Brasil na Copa do Mundo, em 2023. Formiga é um exemplo a ser seguido. “Dificilmente teremos uma jogadora com as características dela. A gente vai ter outras na posição, com qualidade e talento, mas não com a característica e as qualidades individuais dela”, afirmou Pellegrino.

“Formidable”

Apesar de não curtir os holofotes, a presença da meio-campista é notável. Não é por acaso o apelido dado pela torcida parisiense: “Formidable” (formidável). Como explicou o médico da seleção, Dr. Nemi Sabeh Júnior, em palestra antes da Copa do Mundo, o condicionamento físico dela é de uma atleta em plena forma física. Uma segurança, consequência da mistura de experiência e alto desempenho, que poucas geram em suas comissões.


Divulgação/Paris Saint-Germain

“A gente consegue identificar na Formiga dados de atletas de 22, 25 anos. A gente fala para ela: ‘Fo, não dá para parar agora. Não precisa parar agora’. Ela corre 15, 11, 14 quilômetros por jogo. Ela faz 20, 30 tiros de mais de 20 km por hora. Ela tem vários dados, várias variáveis que a gente consegue observar que detêm ela como uma atleta com super poderes. Mas, na verdade, é uma atleta educada. Ela teve uma formação, e ela faz do corpo dela uma ferramenta de trabalho. Assim que ela conseguiu chegar aos 41 anos, por mérito dela”, disse o médico, em maio deste ano.

Psicológico das atletas

Para a disputa do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino, que começa nesta quinta-feira (29), oito atletas com menos de 24 anos foram convocadas. Diante da Argentina, principal rival do Brasil no futebol, sempre existe mais pressão. Segundo Aline Pellegrino, o efeito de Formiga dentro de campo também é psicológico nas companheiras: 

“Formiga é uma das jogadoras que já entraram para a história do futebol feminino brasileiro. Ela consegue se manter jogando em alto nível, concentrada, dedicada, há muito tempo, há pelo menos 20 anos. Toda vez que a seleção entrar em campo, independentemente do tamanho do campeonato, ver a Formiga é sempre muito bom. Sem dúvida, isso gera uma motivação em quem está jogando ao lado dela, comigo sempre foi assim.”

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