Tropa de Elite: Maurício Capela analisa os quatro primeiros colocados do Brasileirão de 2019

Com o fim do primeiro terço da competição, e com o encerramento próximo da janela de transferências das principais ligas da Europa, a tendência é que os quatro primeiros se mantenham na luta pelo título da temporada do Brasileirão

Maurício Capela
Jornalista há 25 anos, Maurício Capela é comentarista esportivo há mais de uma década e hoje está na Super Rádio. Foi escolhido pela Associação do Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp) como um dos três melhores na função em televisão, em 2016, quando atuava pela RedeTV!. Com passagens pelas rádios 105 FM, Tri FM de Santos (SP), Tropical FM, entre outras, o profissional tem larga experiência também no jornalismo impresso e digital. Além de ter mantido blog sobre esportes no Estadão, militou em Veja, Valor, Gazeta Mercantil e outros.

Crédito: Divulgação/Marcelo Cortes/Flamengo

Ganhar o Brasileirão exige uma fina combinação, envolvendo bom elenco, treinador de ponta e apoio das arquibancadas. Mas tem um outro detalhe que mexe com os humores de quem luta para colocar uma estrela acima do distintivo: o calendário.

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Desde que enveredou pelo sistema de pontos corridos – um acerto, diga-se -, a competição nacional resolveu se esparramar entre os meses de abril e começo de dezembro de cada ano. A escolha parece inofensiva, mas não é. Não, porque o fim do primeiro turno do Brasileiro costuma se chocar com as janelas de transferências das principais ligas da Europa. A grande exceção fica por conta da chinesa, que costuma encerrar seu período de compra e venda entre os últimos dias de fevereiro e os primeiros de março.

Portanto, na hora de analisar o certame, o ideal é dividir o Brasileirão em 3 partes, melhor, em 3 terços. O primeiro já foi e nesse ano, sem dúvida, já revela a tropa de elite da liga nacional.

Dificilmente, o atual líder Santos e os três vice-colocados Flamengo, Palmeiras e São Paulo não vão brigar pelo título até o fim. Nessa tropa de elite, ainda haveria espaço para a dupla gaúcha Grêmio e Internacional, mas envolvidos nas fases decisivas de Copa Libertadores de América dificilmente terão o necessário poder de reação para encostar na turma da frente.

Estatísticas da bola

Em outras palavras, o primeiro terço da competição já revela que o Santos de Jorge Sampaoli necessitará dar um duro danado para se manter na ponta. Além da pouca diferença na pontuação – somente míseros 2 pontos o separam das outras três agremiações -, o time de Sampaoli vai precisar calibrar melhor o pé. Para marcar um gol no jogo, segundo o FootStats, o atual líder precisa arrematar quase 9 vezes. Já Flamengo e Palmeiras, por exemplo, pouco mais de 6,5 vezes, e o São Paulo cerca de 8 vezes.

Mas tem mais. Para sofrer um gol, o Santos também vai demandar uma boa melhora. O time precisa ser alvejado cerca de 14 vezes para sofrer um tento ao longo dos 90 minutos. Já os rivais diretos estão bem melhor. O São Paulo cobra um “pedágio” de 18 chutes, ao passo que o Palmeiras exige 12 tentativas e o Flamengo quase 9.

Portanto, além dos indicadores acima, o Santos também vai precisar lidar com o que é visível a olho nu na briga pelo caneco do Brasileirão: a falta de um elenco diversificado. Nesse quesito, difícil de ser capturado pelas métricas, apesar de elas próprias acabarem por revelar a diferença entre as equipes, Flamengo e Palmeiras estão dois degraus acima. E o São Paulo um.

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