Bernardinho fala sobre desejo de ser coach de Neymar, briga com Zé Roberto e corte de Ricardinho

O bicampeão olímpico Bernardinho foi convidado do ‘Conversa com Bial’ desta quarta-feira (26). No programa global, o treinador falou sobre diversos temas polêmicos de sua carreira, como o corte de Ricardinho e a briga com Zé Roberto

Andressa Fischer
Gaúcha, 22 anos | Escrevo sobre vôlei, futebol feminino e dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Divulgação/TV Globo

Uma das maiores polêmicas da carreira vitoriosa de Bernardinho, foi sem dúvidas o corte de Ricardinho um ano antes da olimpíada de Pequim, em 2008. Na ocasião, o levantador era considerado o melhor de sua posição no Brasil, e um dos melhores do mundo, e por um atrito nos bastidores acabou ficando de fora do Pan de 2007, e mais tarde dos Jogos Olímpicos.

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“Uma das (coisas) mais difíceis. O fato de eu não me arrepender, não significa que eu não fico triste com a situação, com a história, pela minha relação com o Ricardo. Quando eu falo assim: ‘quem acreditava no Ricardo lá atrás, em 2001…? Ninguém acreditava muito. O Maurício (Lima) era o cara’. Nós acreditamos, e ele realmente foi um cara espetacular. ‘Disrupitivo,’ como se diz hoje. Porque a velocidade (de jogo dele) era espetacular. E eu via nele essa capacidade”, declarou.

“Um certo momento houve um desalinhamento de valores. Mas isso não é um julgamento de caráter, de forma alguma. Alguém fala por exemplo: ‘Bernardo eu quero jogar, mas eu quero ser um solista, eu não quero tocar numa banda’. Isso é uma característica, não é um desvio de caráter, você tem todo o direito. Olha, eu quero jogar mas eu não quero treinar tanto’. É uma questão de opção. Mas ali nós temos valores muito claros. Nossa cultura é, trabalho extremo, time acima de qualquer coisa, e um certo momento ele não quis”, disse.

“Então, assim. Eu vi que a cultura tava ameaçada, realmente não foi. Foi uma pena que a coisa se deu de tal forma, e alimentaram… Porquê a seleção era tão vitoriosa, e quando há uma crise, aquilo se torna um prato cheio. E aí, isso virou um afastamento maior e mais duradouro do que eu imaginava. Ele retorna em 2012. A gente tem hoje um respeito, uma admiração e um carinho. Mas assim, como líder naquele momento, era o que tinha que ser feito”, afirmou.

Com a saída do paulista, Bruninho se tornou a primeira opção no banco de reservas. O que levou duras críticas dos torcedores em direção ao ex técnico da seleção, que o acusavam de nepotismo – até hoje, diga-se de passagem. Uma vez que o atual capitão brasileiro tinha apenas 22 anos, e era pouco conhecido na época.

“Exatamente. E isso foi o mais duro. Essas acusações, e alusões a esse tipo de coisa. Como é que você faria se você foi um cara justo ou injusto, parcial ou imparcial, quando de certa forma ele tava lá na reserva da seleção, entra como terceiro, e vem depois como segundo. Tinha sido cortado, e aí ele volta. A reação do restante da equipe foi: ‘se eu tivesse feito alguma coisa baseada pelo nepotismo, e fosse injusta, eles nunca teriam me aceito como líder durante tantos anos. Tanto que a reação foi do tipo: olha tá certo'”, completou.

Briga com Zé Roberto e reconciliação

Treinadores históricos do voleibol brasileiro, Bernardinho e José Roberto Guimarães protagonizaram uma das grandes polêmicas do esporte no Brasil, durante a olimpíada de Atenas em 2004.

Levantadora do time brasileiro na Olimpíada de 2004, Fernanda Venturini resolveu mostrar vídeos de lances dos treinos para que Bernardo, seu marido, desse a sua opinião sobre a equipe. O fato chegou ao conhecimento de Zé Roberto, que acusou os dois a estarem se intrometendo no seu trabalho.

“Ficou. Pra ser sincero. Uma coisa é a diferença pelo profissional, que ele é um ser indiscutível. Eu só posso elogiar, e reconhecer (o trabalho). Mas houve um fato, e aí foi pessoal, uma situação pública. E aquilo pra mim, eu acho que as coisas tem limite. E assim, as discussões, desacordos podem acontecer. Mas quando você coloca em dúvida o caráter de alguma pessoa, isso pra mim é o limite”, disparou.

“Não. Sinceramente, eu acho que houve uma acusação em uma certo momento, absolutamente injusta. Não é que brigam, e tal. Não. Eu comprimento, e tal, mas não tem relação fora. Isso é o fato. Também não vamos ficar aqui: ‘ó não se falam, brigam, e tal’. Mas não é uma relação que some para o esporte, pr o voleibol, não há interação”, pontuou.

Bernardinho revela vontade de ser coach de Neymar

Amigo pessoal de Bruninho, não é novidade para ninguém as seguidas polêmicas em que o nome de Neymar é envolvido nas manchetes de jornais. Recentemente, o camisa 10 do Brasil parou nas páginas policiais, sendo acusado de estupro por Najila Trindade.

Bial questionou se Bernardinho não sente vontade de se tornar coach do astro do jogador, para que o atacante se concentre apenas no seu futebol, e volte a brilhar.

“Eu assim, confesso que, a minha essência é essa, é ser um treinador, ser um coach, orientador. O que tem que ele pode melhorar? Tem sempre alguma coisa. Eu acho que tem muita coisa que ele pode melhorar. E ele vai viver um momento muito difícil no Paris Saint-Germain. Então assim, eu gostaria muito de poder de alguma forma, eu não tô me propondo a nada, mas quem sabe? Porquê eu acho que ele tem tanto potencial”, falou.

“Qual a grande frustração de um treinador? Do pai, do amigo? É quando você vê alguém com um grande talento não realizar aquele potencial todo. Imagina se nós brasileiros, vendo esse talento todo, e ele termina a carreira sem ganhar uma Copa do Mundo? Nós vamos ficar frustrados como torcedores. Como treinador, alguém do esporte, ainda mais. Você vê aquilo, e falar: ‘ele não fez aquilo que poderia ter feito’. Porquê é um dos grandes craques da história do esporte”, finalizou.

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