Como lutador brasileiro vem batalhando para superar Burnout antes do UFC São Paulo

Luta no UFC SP diante do polonês Jan Blachowicz, em 16 de novembro, será especial para Ronaldo Jacaré, que busca “volta por cima” após quase se aposentar

Márcio Donizete
Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade de TV. Foi repórter colaborador, líder de colaboradores e editor no Torcedores.com. Apresenta o Lente Esportiva ABC em lives no Facebook e Youtube.

Crédito: Márcio Donizete/Torcedores

Um dos nomes mais experientes do atual elenco do UFC, o brasileiro Ronaldo Jacaré, 39, viveu um drama nos últimos meses. Diagnosticado com Síndrome de Burnout (que causa forte stress, além esgotamento físico e mental), ele esteve muito próximo de desistir da carreira, principalmente após a derrota para Jack Hermansson, em abril, em decisão unânime dos árbitros.

Você conhece o canal do Torcedores no YouTube? Clique e se inscreva!

Com os sintomas, foram noites mal dormidas, choros em dias de treinos e falta de motivação para a continuidade da carreira. Os caminhos: uma psicóloga foi indicada pela esposa de Jacaré e contratada para acompanhamento mais próximo, além do evangelho, religião em que segue. Dessa forma, ele se prepara para o UFC São Paulo, em 16 de novembro.

Esposa, psicóloga e religião o ajudaram no UFC

“Sou crente, minha família é toda cristã. Então nesses momentos (difíceis) a gente busca a palavra, saber mais de Deus. E a palavra que vinha neste momento era: continua. Minha esposa agilizou uma psicóloga para mim. Eu estava sem vontade de treinar, ia para a academia sem querer, até chorava no carro nessas horas. Não sabia o que estava acontecendo”, revelou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (25) em São Paulo, no Media Day.

“Demos o primeiro passo buscando uma profissional, fiz as sessões e melhorei. Comecei a ir para a academia, mesmo sem vontade, mas ia. Aí a vontade de lutar e treinar apareceu de novo e me deram a chance de lutar em São Paulo”, emendou Ronaldo Jacaré, que migrará de categoria: passará dos médios (até 84 kg) para os meio-pesados (até 93 kg).

“Me perguntaram se tinha problema de lutar nos meio-pesados, respondi que não tinha desde que me dessem um bom adversário, que para mim estava bom. Aí me mostraram ele, essa encrenca e eu respondi: ‘Com certeza’. Problema é comigo mesmo que eu tento resolver (risos). Falei com meu novo empresário, o Dedé Pederneiras, e ele disse que era a boa subir de peso. Meu treinador também disse que não tinha problemas e aceitei isso”, disse.

O embaixador do Ultimate no Brasil, o ex-lutador Rodrigo Minotauro, elogiou Jacaré e deu um bom motivo para ele não parar de competir: Jon Jones, dono do cinturão dos meio-pesados no momento.

“O Jacaré precisa de novos desafios. A subida de categoria é um lugar diferente, uma categoria diferente, adversários diferentes. O Jacaré já tinha lutado contra os melhores da categoria dele, como o Yoel Romero, e fez lutas parelhas. Ele é campeão de judô, passou por todas as faixas do jiu-jitsu. Ele parava estádios no jiu-jitsu. Agora ele está em uma nova categoria, a mais falada do UFC, onde Vitor Belfort e Tito Ortiz lutaram. O foco dele é o Jon Jones (pela busca do título), ele tem um motivo para lutar e continuar lutando”, destacou Minotauro.

Mas antes de pensar em Jon Jones, o adversário do brasileiro no UFC São Paulo será o polonês Jan Blachowicz, que está na quinta posição do ranking da categoria dos meio-pesados. Um desafio e tanto para Jacaré dar a volta por cima nos problemas dos últimos meses. Seu cartel no MMA e de 26 vitórias e sete derrotas.

VEJA MAIS
UFC São Paulo: Assista à primeira encarada entre Jan Blachowicz e Ronaldo Jacaré

* Direto de São Paulo-SP