Fernando Diniz: Maurício Capela analisa o São Paulo herdado pelo novo treinador

Sem prazo de validade e sem multa rescisória, Diniz assina contrato com o Tricolor e vai encontrar um time em que a objetividade não é o ponto forte neste campeonato, apesar do apreço pela posse de bola

Maurício Capela
Jornalista há 25 anos, Maurício Capela é comentarista esportivo há mais de uma década e hoje está na Super Rádio. Foi escolhido pela Associação do Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp) como um dos três melhores na função em televisão, em 2016, quando atuava pela RedeTV!. Com passagens pelas rádios 105 FM, Tri FM de Santos (SP), Tropical FM, entre outras, o profissional tem larga experiência também no jornalismo impresso e digital. Além de ter mantido blog sobre esportes no Estadão, militou em Veja, Valor, Gazeta Mercantil e outros.

Crédito: Divulgação/www.fluminense.com.br

Uma década. Foi esse o tempo para que Fernando Diniz recebesse o sinal verde de um grande clube paulista. Se antes já havia comandando potências como Athletico Paranaense e Fluminense, sua última agremiação, esse mineiro de Patos de Minas, encontra aos 45 anos o maior desafio de sua curta carreira como técnico: a de dirigir o São Paulo Futebol Clube.

É claro que comandar o Fluminense significa muito, e o mesmo vale para o Atheltico, mas estar a frente de uma equipe tricampeã do mundo, das Américas e dona de seis títulos nacionais o coloca definitivamente à prova. À prova, porque desde os tempos de Audax, Fernando Diniz e seu estilo de jogo, cuja valorização de posse de bola é regra básica e o chutão é condenável, adicionaram elementos ao seu desenvolvimento como técnico. Muitos se perguntavam se o estilo de jogo de Diniz poderia ser aplicado à uma equipe grande, cujo objetivo é conquistar títulos mesmo jogando defensivamente.

Pois é, chegou a hora de colocar essa máxima definitivamente à mesa. E nessa saga envolvendo estilo de jogo e clubes de massa, um ingrediente vai tornar essa relação ainda mais explosiva, a crise sistêmica no São Paulo. Um clube acostumado a títulos, mas que não ganha nada convincente desde a Copa Sul-Americana de 2012.

São Paulo

Mas qual é o São Paulo herdado por Diniz neste Campeonato Brasileiro? Com a ajuda do FootStats, em linhas gerais, nota-se que a situação não é tão dramática assim. Em Assistências, por exemplo, o time é o quinto no indicador, com 17 nas 21 primeiras rodadas. Metade do que fez o líder nesse fundamento, o Flamengo, que realizou 36 assistências no campeonato até aqui.

Em Desarmes, a situação também não é tão desfavorável. Novamente em quinto, com 19 por jogo. O líder do fundamento, o Santos, desarma quase 22 vezes por partida.

Finalização

Muito embora a performance não seja das piores, ela decai bastante quando o assunto passa a ser gols. Em Finalização, por exemplo, o time é o nono no campeonato, com um desempenho de 12,4 finalizações por jogo até aqui. O líder, Santos, faz 15 por partida.

E em gols? Bom, aí, definitivamente a situação está longe do ideal. O time é o décimo, com 1,1 gol por jogo, enquanto o líder do campeonato e do quesito, o Flamengo, tem o dobro, 2,2 por partida.

Perspectiva

Em outras palavras, colocando tudo na balança, Fernando Diniz terá um trabalho daqueles pela frente. Não só pela pressão natural, mas fundamentalmente pelo desempenho do São Paulo até aqui. Um time que tem a bola, como Fernando Diniz aprecia, mas que não consegue transformá-la em algo concreto http://gty.im/1145804364 , qual seja, o de fazer gols.

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