Etapa de ciclismo no país reune apaixonados pela modalidade e até animador vestido de “diabo”

A L’Étape é uma das mais tradicionais provas de ciclismo amador no mundo, presente em mais de 50 países, e a edição que ocorre no país reune desde animador vestido de “diabo” até apresentador de televisão.

Daniel Borges
Colaborador do Torcedores

Crédito: (Foto: reprodução Facebook L'Étape Brasil)

A maior prova de ciclismo amador do Brasil ocorre domingo, 29, em Campos do Jordão. Cerca de 2. 400 mil ciclistas vão percorrer os trajetos de 66 km e a versão reduzida de 107 km na estrada de Serra Nova. Entre os competidores, o amor pelo ciclismo é o ponto em comum. Seja como hobbie ou estilo de vida, há uma paixão e a uma superação física e psicológica no ciclismo, ao percorrer centenas de quilômetros, além de subir montanhas elevadas.

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E uma destas pessoas que vivem do ciclismo é Didi Senft, 67, mais conhecido como “Diabo do Tour”. Ele participa a 26 anos da competição como animador. Vestido de um diabo amarelo e preto e com um tridente de ferro na mão, o alemão Didi fica em um ponto específico do percurso para incentivar os competidores.

O curioso é que ele se inspirou na dificuldade física do trajeto para criar o personagem na etapa francesa de 1993. “Na França, o final da corrida tem uma bandeira triangular vermelha que simboliza a “volta do diabo”, pela descida sinuosa da montanha. Foi aí daí que surgiu a ideia do diabo em todas as provas de ciclismo”.

Pela primeira vez no Brasil, Diabo do Tour está a vontade no país. Ele não nega foto com quem o pede e interage, principalmente, com crianças. Ao subir no teleférico de Campos do Jordão, Didi refletiu como o ciclismo mudou sua vida e como o esporte pode ganhar mais relevância no país. “Penso que se não fosse o ciclismo, não seria nem metade do que sou. Essa é apenas a quinta edição no Brasil, aos poucos vai se criando uma cultura do ciclismo no país”.

No vídeo abaixo, o “Diabo do Tour” mostra um pouco da interação com o público.

 

Não apenas a vida de Didi foi feita no ciclismo, o competidor Fabiano Garcia, 40, também mudou sua vida e hábitos por meio da modalidade. Em 2011, o ciclista amador estava com 30kg acima do peso. Após 8 anos, ele vai percorrer os 107 km neste domingo. “Eu já pesei mais de 100 kg e estava em uma situação de saúde bem precária e comecei a pedalar sem compromisso, só para perder peso. E o negócio foi tomando corpo, fui levando cada vez mais a sério, e hoje e estou na quinta prova já no Brasil”, afirma Garcia.

E a etapa deste ano, tem um gosto especial para Garcia, já que ele retorna as pistas depois de uma fratura no cotovelo em abril. “Venho de uma cirurgia a pouco tempo, foi em Cunha (São Paulo), que me choquei com uma placa na curva de uma descida”. Embora a etapa de domingo marque sua volta ao ciclismo, ele garante que vai com cautela para a prova. “O medo também ajuda um pouco, faz a gente ter mais calma”.

Além da superação

Pela terceira vez, o apresentador da ESPN, Bruno Vacari, participa da L’Etape. Este ano, ele simulou um trecho da etapa na França, em que percorreu 135 km e chegou até 4.563 metros de altitude. Apenas ele e outros cinco brasileiros participaram de uma etapa no Tour da França. Para a prova de domingo, ele destaca o treinamento intenso para “uma prova de 3 a 4 horas”.

E a paixão de Bruno com o ciclismo começou a 15 anos, quando ele começou a treinar com maior frequência. “Nosso sonho de pequeno é ser jogador de futebol, para todo mundo, e quando você começa a se envolver com o ciclismo, você começa a ver quanto é sofrido ser um ciclista profissional”, destaca Bruno ao se referir a rotina intensa de treinamentos. “A dedicação do ciclista, é um esporte de superação”.

Para a prova de domingo, ciclistas de todos estados brasileiros vão participar da prova. Entre o pelotão que tenta vencer a competição, a disputa deve ficar entre os ciclistas Ricardo Pichetta e Otávio Bulgarelli. O primeiro foi bicampeão da etapa no Brasil em 2016 e 2017. Já o último vem em ascensão após vencer a L’Etape em Londres no meio deste ano.

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