Ferrari mostra preocupação com o crescimento da Fórmula E

De acordo com o Sunday Express, a Ferrari vê o crescimento da Fórmula E como sinal de alerta para seus lucros na F1

Rodrigo Nascimento
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Ferrari

Presente no grid da F1 desde os primórdios, a Ferrari é de longe a equipe que mais se destaca, e por conta disso, consegue ser justamente a que mais fatura dentro da principal categoria do automobilismo mundial.

Ainda assim, de acordo com uma matéria do jornal britânico Sunday Express, a escuderia italiana está apreensiva com o crescimento da Fórmula E, categoria de monopostos totalmente elétricos, que foi criada em 2014.

O motivo da preocupação é simples: por conta da questão ecológica defendida pela categoria de carros elétricos, as principais concorrentes da Ferrari no automobilismo mundial estão migrando para a nova competição.

Audi, BMW, Nissan, Citroen, entre outras, já marcam presença na Fórmula E, que neste ano, ganhou mais duas outras importantes fabricantes: a Porsche, que recentemente deixou o WEC (Mundial de Endurance), e a principal rival da Ferrari na F1, a Mercedes.

Apesar de não identificar nenhuma categoria com capacidade para ameaçar a liderança da F1, a Ferrari salientou o crescimento da Fórmula E pela primeira vez em seu relatório anual.

No ano passado, a Ferrari recebeu em torno de 140 milhões de libras por sua participação nos lucros da F1, acima de todos as demais equipes. Porém, a escuderia italiana destacou dois fatores de riscos para o futuro: um desempenho pior que seus concorrentes na F1, ou uma queda no faturamento da categoria em decorrência do crescimento de popularidade da Fórmula E.

Em números, a diferença ainda é gritante entre as duas categorias. Em 2018, 476.000 pessoas assistiram às corridas de Fórmula E in loco, enquanto 330 milhões acompanharam as provas na televisão. Já a F1 atraiu 4,1 milhões de espectadores e 490,2 milhões de telespectadores. Vale lembrar que a Fórmula E possui um número menor de provas por temporada (entre 12 e 13, contra 21 da F1).

A diferença em receitas também é considerável: a F1 aumentou 2,4% em 2018, chegando em torno de 1,4 bilhão de libras, em comparação com 114,5 milhões da Fórmula E.

Enquanto vê suas rivais migrando para a Fórmula E, a Ferrari em nenhum momento chegou a mencionar uma possível ida para a categoria de carros elétricos, apesar dos convites do principal executivo da competição, Alejandro Agag, que já declarou publicamente que adoraria ter a escuderia italiana no grid.