Festival de Cinema de Futebol chega a 10ª edição e apresenta 30 filmes em Belo Horizonte

Com programação inteiramente gratuita, o Cinefoot exibe produções de 13 países

Daniel Helvécio
Jornalista com passagens pela Rede Minas, canal GNT e agências de comunição. Apaixonado por futebol, cultura e música, já entrevistou diversos artistas da música brasileira, como Wando, Milton Nascimento e Hermeto Pascoal. Acredita que o jogo entre quatro linhas é a principal expressão cultural do homem contemporâneo.

Crédito: divulgação do Festival / Fransergio Paiva

“Acho que o festival traz muita memória afetiva. Você pode não gostar de futebol, mas você precisa entender que o futebol fez parte da sua vida em algum momento, através do seu tio, do seu pai ou do seu avô. No meu caso, foi pelo meu pai. A gente quer resgatar o que o futebol tem de melhor e o que ele pode proporcionar para as pessoas”, conta Daniela Fernandes, coordenadora mineira do festival e a única mulher latino-americana a integrar a FICTS – Federation Internacionale Cinema Television Sportifs.

É com esse sentimento que a 10ª edição do Cinefoot entra em campo para apresentar os diversos filmes (longas e curtas-metragens) em três espaços da capital mineira: Cine Belas Artes, Memorial Minas Gerais Vale e o Mineirão.

Entre os destaques do festival estão o futebol feminino – que por meio de muita garra e superação vem ganhando, atualmente, visibilidade perante o grande público – e o jornalismo esportivo. Duas mulheres emblemáticas do futebol mineiro são homenageadas: Duda, artilheira do Cruzeiro, e Nina Abreu, que por 25 anos trabalhou na Federação Mineira de Futebol (FMF) e hoje comanda o time de futebol feminino do Atlético.

“No Brasil, aconteceu um decreto em 1950 determinando que a mulher não podia jogar futebol. Uma atitude extremamente machista, como se mulher e chuteira não combinassem. Esse decreto durou até 1978. O filme Radar conta essa história, ou seja, do primeiro time que surgiu depois do fim do decreto, no Rio de Janeiro, e que foi percursor no futebol feminino do Brasil”, explica Daniela Fernandes.

Já o terceiro homenageado é Alexandre Simões, jornalista, pesquisador e autor de livros sobre futebol. No sábado (14/09), às 10h30, o público poderá fazer um passeio pelo Mineirão, maior palco do futebol mineiro, acompanhado pelo Alexandre e a Nina.

“Em Minas Gerais, a maior manifestação cultural que temos é o clássico Atlético e Cruzeiro. E é interessante porque esse jogo mostra muito o lado do torcedor. E o torcedor é o que temos de mais importante no futebol. Eu, como jornalista esportivo, raríssimas vezes vou de arquibancada. Mas, como eu tenho um filho atleticano e outro cruzeirense, sempre quando posso, faço questão de comprar o meu ingresso e ir no meio da torcida. É uma experiência divina. Eu até tenho como um sonho de, a cada jogo desse, escrever uma  crônica sobre o momento, pois o posicionamento do torcedor, totalmente influenciada pela paixão, é a coisa mais divertida que a gente pode ver em um jogo de futebol.  E o Cinefoot traz muito disso: o torcedor e paixão dele pelo futebol. Inclusive, eu acho que isso é o mais bacana do festival”, comenta Alexandre Simões.

Produção Mineira

Outro destaque do festival é o curta, de 22 minutos, intitulado Azul Escuro, do diretor Gustavo Nolasco, e produzido pelo Coletivo 1921. O filme conta a história de Seu Lúcio, que, quando criança, ficou órfão. Ele é natural de Santa Luzia-MG, mas há anos vive na Floresta Amazônica. Depois de perder a visão e quase morrer, Seu Lúcio começou a “criar” um livro sobre o time do coração: o Cruzeiro. Azul Escuro será exibido nesta sexta (13/09), às 21h, no Cine Belas Artes.

Mostras

A programação conta com a Mostra Competitiva, que. por voto popular, define o campeão que vai levar a Taça Cinefoot de Melhor Filme. Também tem a  Mostra Minas Retrospectiva, que traz as produções mineiras mais emblemáticas exibidas nas edições anteriores. Além disso, há a Sessão Dente de Leite, com temática infantil, e a Sessão Especial Acessibilidade, que apresenta o premiado documentário João Saldanha (dir: André Iki Siqueira e Beto Macedo), com audiodescrição e interpretação em libras.

Para fechar a programação, a Sessão de Encerramento apresenta – no dia 15 de setembro, às 19h – os documentários Triunfo (Dir. Kreshnik Jonuzi, Luftar Von Rama, Charlie Askewe) e Versus: Atlético MG X Botafogo (Dir.Dayyán Morandi).

Serviço

Cinefoot BH

Data: até 15 de setembro (domingo)

Locais: Cine Belas Artes, Memorial Minas Gerais Vale e o Mineirão
Entrada gratuita

Para saber a programação completa, acesse.