Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Neto, sobrevivente de acidente da Chapecoense, desabafa: “A impunidade dói mais do que a tragédia”

Zagueiro diz recordar de toda tragédia e fala sobre o desejo de ajudar o clube catarinense

Danielle Barbosa
Jornalista. Escrevendo para o Torcedores desde 2014.

Crédito: Alex Caparros/Getty Images

A tragédia com o avião da Chapecoense, que vitimou 71 pessoas, entre tripulação, jornalistas e a delegação do clube catarinense que iria para a disputa do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, irá completar três anos em novembro e as famílias das vítimas seguem buscando por justiça. Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, o zagueiro Neto, um dos sobreviventes do acidente, falou sobre o processo de recuperação e a luta para voltar aos gramados.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

A impunidade dói mais do que a tragédia. A tragédia tem de ser superada. Depois de tudo o que se passou, os sobreviventes têm de tentar superar. Mas ao observar o outro lado de toda a tragédia, a gente vê um momento de impunidade. O que mais me magoa e o que mais me chateia é a impunidade. Para a seguradora, aqueles que fizeram os contratos e também para os países envolvidos, nós somos números que aconteceram e ficaram para trás”, disse Neto.

O zagueiro ainda falou sobre os traumas. “Tive uma dificuldade grande de andar de avião novamente. Eu não ando de forma confortável como sempre andei. Minha família também ficou com trauma, principalmente meus filhos. Tenho um casal de gêmeos. Eles sofreram muito com a tragédia. Eles têm medo de avião. Isso não alcançou só o Neto, mas também minha família. É algo que ainda fica impregnado nas nossas vidas. Quando você toca no assunto, meus filhos começam a chorar. Além da parte física, que não é a mesma, claro. Não posso nem reclamar disso. Depois de todos os traumas que tive, estou muito bem, sobrevivi. Algumas coisas ainda pesam para um atleta profissional. Tenho de me adaptar, mas já estou conseguindo fazer isso. As dores pelo corpo ainda ficaram.”

Neto ainda admitiu que lembra de como tudo aconteceu no acidente. “Tenho todas as lembranças possíveis do acidente. Eu me lembro principalmente dos momentos antes da tragédia. Eu me lembro de olhar para meus companheiros no avião. Olhar para o grande amigo que perdi, o Bruno Rangel, centroavante da Chape, maior artilheiro da história do clube. Era um ídolo para mim e fez muito pelo time. Eu me lembro do momento de oração quando as luzes se apagaram antes de o avião cair. Eu me lembro de perceber que o avião não estava mais ligado, respirar fundo e orar”, recordou o zagueiro.

Questionado sobre a possibilidade de voltar a jogar, o zagueiro ressaltou o desejo de ajudar a Chapecoense antes de pendurar as chuteiras. “A possibilidade de voltar a jogar é boa. É um grande desejo meu voltar a jogar. Queria voltar para encerrar a carreira que foi desajustada de forma tão trágica. Eu tinha planos, tinha uma carreira pela frente. Estava certamente no melhor momento da minha carreira. Depois de tudo o que aconteceu, quero tentar voltar para jogar um pouco mais e tentar ajudar a Chapecoense nesse tempo que me resta dentro do futebol”, completou.

LEIA MAIS:
Tragédia da Chapecoense: site divulga e-mails que mostram que LaMia e seguradora sabiam de proibições em voo