Opinião: Amistoso da Seleção afasta brasileiros e organização passa vergonha em jogo contra o Peru

Local, estado do gramado, horário e adversário não agrada os torcedores brasileiros e evidencia a falta de preocupação da CBF pelo torcedor

Rafael Brayan
Apaixonado pelo estudo do esporte mais praticado no mundo.

Crédito: Kevork Djansezian/Getty Images

No momento da publicação deste texto, a seleção brasileira encara o Peru, nos Estados Unidos, em amistoso. Antes do resultado estar definido, já posso afirmar que o evento foi um fracasso. Em já acostumado palco longe do nosso país, outros fatores mostram como os organizadores não pensaram nos próprios torcedores brasileiros.

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A seleção brasileira vem se afastando cada vez mais dos torcedores. A interação entre adepto e equipe se torna muito distante com o passar dos anos. Apesar do nascimento de uma torcida organizada para a equipe do Brasil, que, em geral, é formada por pessoas com condições financeiras que facilite o acompanhamento das partidas, o amistoso contra o Peru evidencia como a visão pelo lucro deixa de lado a paixão dos torcedores.

Um dos principais pontos deste jogo é o horário. No Brasil, a partida se iniciou a meia-noite de uma quarta-feira. Era claro que poucos brasileiros poderiam acompanhar a partida, além dos motivos de atração dos próprios jogadores e comissão técnica da seleção.

O local da partida também é algo muito criticável, mesmo após a realização da Copa América no Brasil com estádios cheios de problemas. Nos Estados Unidos – algo que já vale muitos questionamentos quanto a relação torcedor-seleção – a equipe da CBF  teve de conviver com um gramado com laços do futebol americano que fora praticado dias antes. Entre marcações diferentes no campo e gramado ruim, o palco da partida da seleção brasileira se torna ainda mais questionável.

Por fim, o adversário: somente em 2019, foram três partidas contra a seleção do Peru. Antes da Copa América, o time de Tite encarou os comandados de Gareca em preparação para o torneio. O confronto foi o mesmo da final da competição, semanas depois. Agora, depois da realização da decisão do torneio, o mesmo jogo, só que sem a principal estrela, Paolo Guerrero, deixando de lado qualquer fator que possa atrair torcedores.

Com todos os pontos abordados, alguns tabus têm de ser quebrados entre os torcedores brasileiros considerados “raiz”. Com cada vez mais estudos sobre como atrair mais adeptos, motivos citados acima afastam os mais jovens, que crescem sem nenhuma relação com os jogadores e com suas equipes.

Assim como acontece com os clubes, é surreal questionar um garoto ou uma garota que opte por torcer por uma outra seleção, senão a brasileira. A relação torcedor-seleção ou torcedor-clube, pouco valorizada no Brasil, cresce lá fora e chama muito a atenção dos mais jovens, que querem cada vez experimentar e se sentir vivo dentro do futebol.

* Este texto não necessariamente reflete a opinião do Torcedores. Siga o autor em sua conta no Twitter.