Papo Tático: A eficiência da Juventus e a garra do Atlético de Madrid no melhor jogo da Champions até o momento

Equipe italiana abriu dois gols de vantagem no Wanda Metropolitano, mas time comandado por Diego Simeone arrancou o empate na base da vontade nos últimos minutos de partida

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

Em condições normais de temperatura e pressão, grandes equipes costumam protagonizar grandes partidas. E o empate em 2 a 2 entre Atlético de Madrid e Juventus nesta quarta-feira (18), pela primeira rodada da Liga dos Campeões da Europa. O público presente no Wanda Metropolitano viu a eficiência da equipe de Cristiano Ronaldo e a já conhecida garra do escrete colchonero e o já conhecido show de Diego Simeone na beirada do campo. Dois grandes clubes, duas camisas pesadíssimas e com seus estilos de jogo característicos numa partida que prendeu a atenção do torcedor dentro e fora do estádio. Exatamente como todos gostam.

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O Atlético de Madrid começou o jogo pressionando bastante a Juventus pelo lado esquerdo de ataque onde Renan Lodi, Lemar e João Félix fazia boa trinca no setor. Ao mesmo tempo, a equipe italiana se fechava na defesa num 4-4-2 com saídas rápidas pelas laterais com Cuadrado e Matuidi, meias que entravam em diagonal para abrir o corredor para as chegadas de Danilo e Alex Sandro. Já a equipe colchonera (armada no mesmo desenho tático do adversário e com Thomas Partey e Saúl Ñíguez atentos na frente da zaga) alternava pressão na saída de bola com bastante compactação entre os setores. Tudo para negar espaços a Cristiano Ronaldo no ataque da Juventus.

Juventus vs Atletico de Madrid - Football tactics and formations

Atlético de Madrid e Juventus armados no mesmo 4-4-2, mas com propostas de jogo diferentes. Enquanto La Vecchia Signora esperava o momento certo de atacar, os Colchoneros alternavam pressão na saída de bola com bastante compactação entre seus setores. Destaque para as jogadas que saíram pelo lado de Renan Lodi. Link do Share My Tactics.

A eficiência da Juventus se fez presente com o belíssimo gol de Cuadrado logo nos primeiros minutos da segunda etapa. O Atlético de Madrid não abaixou a guarda e passou a se lançar ainda mais ao ataque e desperdiçou boas chances de empatar o jogo antes que Matuidi fizesse o segundo em cabeçada que ainda tocou no goleiro Oblak antes de entrar. Cinco minutos depois, o zagueiro Savic diminuiu na bola aérea, um dos pontos fortes do time de Simeone. Lemar já havia dado lugar a Ángel Correa antes do técnico argentino mandar a sua equipe para o ataque com Vitolo no lugar de Renan Lodi e Herrera no lugar de Thomas Partey. Um 4-2-4 que amassou o time de Maurizio Sarri.

Atletico de Madrid vs Juventus - Football tactics and formations

As entradas de Ángel Correa, Vitolo e Herrera colocaram o Atlético de Madrid no ataque e numa blitz impressionante. Enquanto Szczesny fazia boas defesas, Maurizio Sarri tentava dar sangue novo à sua equipe com as entradas de Bentancur, Ramsey e Dybala na equipe. A Juventus seguia perigosa. Link do Share My Tactics.

O gol de empate saiu aos 44 minutos do segundo tempo, com Herrera completando escanteio cobrado da esquerda por Koke (outro que se desdobrou em campo). O placar premiava a garra dos colchoneros e também o volume ofensivo da equipe de Maurizio Sarri que quase marcou o gol da vitória com Cristiano Ronaldo fazendo bela jogada pela esquerda e deixando o torcedor do Atlético de Madrid sem fôlego nas arquibancadas. O resultado acabou sendo justo por tudo que foi mostrado no Wanda Metropolitano, mas quem comemorava era a equipe espanhola. Mais uma vez a garra dos comandados de Simeone fazia a diferença numa partida cheia de possibilidades.

É bem verdade que o Atlético de Madrid perdeu com a saída de Griezmann, Godín e Filipe Luís. Mas o fato é que o time não perdeu a ímpeto e a intensidade que Diego Simeone tanto preza e defende no comando dos colchoneros. Ao mesmo tempo, a Juventus segue perigosa e candidata sim ao título da Liga dos Campeões da UEFA. Mesmo com toda a equipe ainda se adaptando ao estilo de toque e valorização da posse de bola defendido por Maurizio Sarri. Há, inclusive, como o treinador italiano pensar numa formação que inclua o argentino Dybala no time titular sem que a organização defensiva saia prejudicada. Pjanic, como sempre, esteve preciso na saída de bola.

Como dissemos lá em cima, grandes equipes costumam protagonizar grandes jogos. E não é exagero nenhum exagero dizer que Atlético de Madrid e Juventus fizeram a partida mais emocionante da primeira rodada dessa fase de grupos da Liga dos Campeões. Prenúncio do que pode vir por aí.

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