Papo Tático: Derrota para o Avaí escancara problemas no planejamento do Fluminense; entenda

Técnico Oswaldo de Oliveira tem sua parcela de culpa na derrota, mas diretoria tricolor também deve ser cobrada pelas escolhas que fez e faz na temporada

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Merçon / Fluminense FC

Difícil entender e explicar o que acontece com o Fluminense. O time cria jogadas, tem bom toque de bola, mas não consegue transformar esse volume em gols. A derrota para o Avaí diante da sua torcida, no entanto, deixou bem evidentes todos os problemas de planejamento do Tricolor das Laranjeiras nessa temporada. Desde a montagem do elenco e chegando até à escolha de Oswaldo de Oliveira para suceder Fernando Diniz no comando da equipe. Vamos nessa que o PAPO TÁTICO te explica.

Você conhece o canal do Torcedores no YouTube? Clique e se inscreva!

Mais do que os conceitos do novo treinador do Fluminense, o que deve ser observado é a maneira como o time se comportou diante de um adversário que entrou como franco atirador no Maracanã. Oswaldo de Oliveira optou pela entrada de Wellington Nem no lugar de Danielzinho para dar ainda mais volume ofensivo ao Flu. O time carioca (que ainda trazia muito de Fernando Diniz) tinha presença ofensiva e uma certa facilidade para penetrar na defesa adversária, mas pecava demais nos lances capitais. Wellignton Nem e Nenê perderam chances incríveis na frente de Vladimir (o melhor em campo).

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Oswaldo de Oliveira armou o Fluminense num 4-3-3 (que mais lembrava um 4-2-4 em alguns momentos) para aproveitar a fragilidade do Avaí na marcação. João Pedro (o mais lúcido do ataque tricolor) aparecia com frequência na intermediária para abrir espaços para as chegadas de Yonny González, Nenê e Welington Nem. No Entanto, o time empilhava chances cristalinas desperdiçadas. Foto: Reprodução / Premiere

O Fluminense teve 15 finalizações a gol apenas no primeiro tempo. A falta de pontaria e o nervosismo com a necessidade de balançar as redes foi minando o emocional dos jogadores, que cada vez mais apelavam para cruzamentos na área diante de uma defesa que nem mostrava tanta compactação assim. Ao invés de aproveitar o bom passe dos seus jogadores (sobretudo Ganso, Allan e Nenê), Oswaldo de Oliveira preferiu o famoso “abafa” para tentar o gol salvador. Yonny González, João Pedro e Marcos Paulo seguiam empilhando chances. Faltava quem abrisse o jogo pelos lados ou quem fizesse a bola rodar, ponto em que Ganso foi muito mal. De novo.

Conforme o tempo ia passando, o time do Fluminense se afobava ainda mais. Tanto que as jogadas de pé em pé vistas no primeiro tempo deram lugar às bolas alçadas na área na etapa final. Faltava calma para colocar a bola na rede e para aproveitar os espaços na defesa do Avaí. Foto: Reprodução / Premiere

O castigo veio aos 41 minutos, com o pênalti convertido por João Paulo após pênalti do jovem Caio no lateral-direito Yuri. O posicionamento dos jogadores do Fluminense momentos antes da penalidade, no entanto, mostra que a equipe ainda sofre com sérios problemas de transição defensiva. Caio Henrique voltava do ataque, Digão largou sua posição para dar o combate e abriu o buraco na defesa usado para Richard Franco achar Yuri dentro da área. Ao todo, o Fluminense concluiu 24 vezes a gol e não conseguiu superar Vladimir nem a própria falta de pontaria. E como dizem por aí, a bola pune.

Problemas na transição para a defesa e última linha desarrumada. O pênalti cometido por Caio em Yuri nasceu de problemas que vêm dos tempos em que Fernando Diniz ainda era o treinador. Oswaldo de Oliveira ainda precisa de tempo para corrigir os problemas do time do Fluminense. Foto: Reprodução / Premiere

É possível dizer que Oswaldo de Oliveira errou a mão nas substituições ao optar por um volante de mais chegada (Caio) e um atacante de referência (Lucão) quando o jogo pedia mais jogadas pelos lados, mais acerto no passe e menos afobação. Mas é complicado colocar toda a culpa nas costas do treinador quando o time ainda traz muitos “cacoetes” de Fernando Diniz. Tudo isso tem uma origem: o planejamento da diretoria. O estilo de Oswaldo é completamente diferente do seu antecessor. E mudar o jeito da equipe jogar leva tempo. Mas a mudança veio no segundo semestre com o time afundado na zona do rebaixamento.

A saída de Fernando Diniz é compreensível por conta dos resultados do treinador à frente do Fluminense. Mas a diretoria sabia que seu sucessor precisaria de tempo para mudar as coisas. E isso sem mencionar as lacunas no elenco tricolor. Ou só este que escreve acha inadmissível o Flu ter apenas Caio Henrique (volante de origem) à disposição para a lateral-esquerda?

LEIA MAIS:

Após Fluminense x Avaí, Digão relembra 2009 e pede desculpas à torcida: “Eles têm o direito de reclamar”

Fluminense tem a terceira pior defesa do Brasileirão; confira o top-5 após a 17ª rodada