Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Tragédia da Chapecoense: site divulga e-mails que mostram que LaMia e seguradora sabiam de proibições em voo

Acidente que aconteceu em novembro de 2016 segue sem muitas respostas, e as famílias das vítimas ainda buscam por justiça

Danielle Barbosa
Jornalista. Escrevendo para o Torcedores desde 2014.

Crédito: Foto: Divulgação

A tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, onde a equipe disputaria o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional irá completar três anos em novembro, mas até agora pouca coisa foi esclarecida sobre o acidente que vitimou 71 pessoas, entre tripulação, jogadores, diretores, comissão técnica e jornalistas que estavam no avião. Segundo o UOL Esporte, no entanto, uma série de e-mails demonstram que os responsáveis sabiam das proibições para as operações da LaMia.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

De acordo com a publicação, os e-mails foram trocados entre a proprietária da companhia aérea LaMia, Loredana Albacete, e o corretor de seguros da AON, Simon Kaye. Os documentos demonstram que a LaMia tinha seguro para a aeronave, à despeito das famílias ainda não terem recebido os valores sobre o acidente.

Em um dos trechos divulgados pela publicação, Loredana Albacete e Simon Kaye tratavam de uma série de voos futuros para convencer a AON a assegurar a nave. “Odeio pressionar você com tempo quando eu tenho atrasado nas respostas, mas não tenho opções. Vamos ter de assinar o contrato na segunda para a viagem de 10 de abril. (…) Espero que você entenda. É um cliente com alto potencial para nós. Eles lidam com todos os times de futebol e a temporada está começando“, diz o e-mail enviado por Loredana.

O cliente citado pela empresária, segundo o UOL Esporte, é à Off Side Logística, uma empresa com sede no Rio de Janeiro que intermediou negociações com a Chapecoense e outros clubes. A viagem citada na mensagem, porém, não ocorreu – era para o The Strongest, da Bolívia, viajar para a Venezuela, mas o seguro não saiu a tempo.

As trocas de e-mails entre Loredana Albacete e Simon Kaye demonstram ainda que a empresa tinha certa influência política para convencer os clubes a voarem com sua aeronave, lembrando que até mesmo a delegação da seleção da Argentina, com Lionel Messi, já havia utilizado o mesmo avião.

Vale destacar que a Colômbia proíbe voos fretados de sobrevoarem seu espaço aéreo por medo de ataques terroristas de grupos guerrilheiros. Com isso, de acordo com a publicação, “as companhias seguradoras não fazem apólices para aeronaves que sobrevoam o destino”.  A LaMia, no entanto conseguiu, “mesmo com e-mails avisando que a Colômbia seria destino frequente”.

Mesmo os e-mails demonstrando que AON sabia que a LaMia circulava em espaço aéreo colombiano, o que é proibido, a seguradora britânica usa justamente essa proibição como um dos argumentos para negar dialogar com as famílias das vítimas para o pagamento de uma indenização.

A AON atuou somente como corretora de resseguros, ou seja, intermediando e apoiando na colocação da proteção de resseguros para a companhia seguradora. Qualquer tratativa sobre indenizações e reclamações, e sobre as condições do programa de seguros, deve ser conduzida com o segurador do risco. A AON não comenta assuntos de clientes”, disse a assessoria de imprensa da empresa britânica.

LEIA MAIS:
Diretoria e comissão técnica decidem blindar elenco da Chapecoense para fugir do rebaixamento