Allan Simon: Globo consegue quase 20% mais audiência com jogos de mata-mata em SP

Desempenho é muito puxado por jogos das fases decisivas do Paulistão, que bombou na Globo mais uma vez

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Reprodução/Globo

As discussões sobre o calendário 2020 divulgado na semana passada pela CBF, que prometeu respeitar as datas-Fifa e não marcar rodadas do Brasileirão nos mesmos dias, mas acabou entregando um “catado” com duelos até em dias seguintes a partidas de seleções, obrigatoriamente precisam passar pela existência dos campeonatos estaduais.

São os estaduais que fazem o Brasileiro ficar espremido entre maio e dezembro, forçando maratonas de jogos e a não-paralisação da competição durante a Copa América no ano que vem. Mas como contestar torneios que rendem boa parte da audiência do futebol em uma temporada? Não que eles sejam mais interessantes. Muitos jogos são chatos e rendem poucos pontos no Ibope. Mas os estaduais ainda são um território importante para o formato campeão em audiência: os mata-matas.

Abandonado pelo Campeonato Brasileiro desde a final de 2002, quando o Santos foi campeão em cima do Corinthians no Morumbi, o formato ainda é quem mais rende pontos no Ibope à Globo em São Paulo. A diferença chega a quase 20% em relação a jogos que valem três pontos, seja no Brasileirão, na fase de grupos da Libertadores, ou nos próprios estaduais.

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Em 2019, a Globo pouco pode aproveitar os paulistas nos mata-matas de outras competições. Na Copa do Brasil, o Santos caiu precocemente, São Paulo e Corinthians pararam nas oitavas e o Palmeiras ficou nas quartas de final. Na Libertadores, o Verdão avançou até a mesma fase, mas seus jogos ficaram exclusivos do Fox Sports, forçando a emissora a mostrar para o público de SP os duelos do Flamengo na competição. Além disso, as fases seguintes nos dois torneios foram preenchidas com duelos de times como Grêmio, Athletico Paranaense, Internacional e Cruzeiro.

Mesmo assim, os jogos de mata-mata renderam até agora 26,8 pontos de audiência em média na Globo. Foram 29 partidas transmitidas nesse modelo em São Paulo até a última quarta-feira (2), quando Grêmio 1 x 1 Flamengo rendeu 30 pontos e fez a partida de maior Ibope entre o público paulista nas quartas-feiras de 2019 com futebol de clubes.

Por outro lado, a Globo exibiu 35 partidas que valiam três pontos. Os números estão atualizados até o jogo do Palmeiras contra o Internacional, na semana passada, pois até o fechamento desta coluna ainda não havia informações do Ibope sobre o duelo de ontem (6) diante do Atlético-MG. Foram 22 pelo Brasileirão, dez no Paulistão e três na Libertadores. A audiência média foi de 22,6 pontos. Em números exatos, essas partidas conseguem 18,34% menos Ibope entre os paulistas.

Normalmente se poderia argumentar que mata-matas ocorrem mais nos meios de semana, quando a Globo tradicionalmente consegue mais pontos de audiência no futebol do que aos domingos. Mas, em 2019, essa diferença não é tão grande. Somando todos os jogos ocorridos em quartas-feiras, de ambos os formatos, o Ibope médio da emissora com futebol em São Paulo é de 24,8 pontos, contra 24,1 dos domingos, que inclusive vencem no percentual de participação das partidas sobre o total de televisores ligados (43,2% em média, contra 39% das quartas).

O próximo dado é mais revelador sobre a importância do estadual. Conforme publiquei em meu blog na semana passada, o Paulistão ainda tem até agora cinco das dez maiores audiências do ano na Globo com jogos de clubes em SP. As duas partidas da final entre Corinthians e São Paulo (39 e 38 pontos, volta e ida, respectivamente) são as vencedoras até aqui no ranking, seguidas de perto apenas pelos 36 pontos marcados pela emissora na transmissão de Corinthians 1 x 1 Palmeiras, pelo Brasileirão.

Se excluíssemos todos os jogos do Paulistão, a audiência média dos mata-matas cairia de 26,8 para 25,7 pontos. Mas a audiência geral do futebol de clubes em São Paulo teria uma pequena retração, indo dos 24,5 para os 24,4 pontos. E é aqui que encontramos uma possível chave para o futuro do calendário: certamente não será possível abrir mão deles logo, pois há uma série de fatores que incluem contratos milionários, a sobrevivência de clubes menores, e o contato dos grandes com o interior de cada estado.

Mas o caminho passa por termos torneios mais curtos, pelo menos para os grandes clubes, com menos jogos deles que valham “apenas três pontos”, mais partidas de mata-mata e decisões que mexam com o público de um jeito que nem o Brasileirão consegue durante o ano.

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