Arnaldo Ribeiro: Depende mais do Diniz que do São Paulo

Fernando Diniz estrearia contra o Flamengo, com apenas um mísero treino na véspera. E lá estava eu no Maracanã, especialmente para contar os detalhes para vocês

Arnaldo Ribeiro
Colaborador do Torcedores

Crédito: Rubens Chiri /Site saopaulofc.net

Estádio não mente. Essa é uma das grandes máximas do futebol. Estive no Morumbi na derrota para o Goiás. Saí convicto: Cuca não ficaria. Os jogadores não ‘queriam’. Não estavam mobilizados o suficiente. Mesmo que o trabalho fosse pífio, um pingo de envolvimento traria um resultado diferente naquela quarta-feira, assim como no empate diante do CSA – como têm sido difíceis as aventuras no Morumbi em 2019…

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Cuca caiu na quinta. Horas depois, Fernando Diniz foi contratado – e Vágner Mancini, que seria o interino contra o Flamengo, se recusou a ficar. Esse é o São Paulo atual. Um moedor de carnes sem ‘governo’.

Fernando Diniz estrearia contra o Flamengo, com apenas um mísero treino na véspera. E lá estava eu no Maracanã, especialmente para contar os detalhes para vocês. E o estádio não mentiu mais uma vez…

O São Paulo foi outro time. Firme, aplicado, lutador, mobilizado, arrancando aplausos da sua sofrida e sempre presente torcida. E Fernando Diniz foi outro treinador – preparado para enfrentar o melhor time do Brasil.

O Diniz ‘que a mídia adora’, inventivo, o que gosta do risco, o que não aceita chutão, o que quer a bola a qualquer custo, apareceu somente nos dez primeiros minutos no Maracanã; quando o São Paulo marcou pressão e cometeu diversos erros, quase fatais, na saída de bola.

Bruno Alves e Arboleda formam a dupla de zagueiros mais caçadora do país. Ganharam todas de Gabigol (não, não teve gol do Gabigol), Bruno Henrique e Arrascaeta. Mas esses ilustres beques não são bons na saída de bola, que o Diniz tanto presa.

Vamos combinar. Não é o São Paulo, do Bruno e do Arboleda, que precisa se adaptar ao Diniz. É o Diniz, sem resultado bom algum em clube grande, que precisa se adaptar ao elenco do São Paulo; por exemplo, à dupla de zaga excelente do São Paulo.

Fernando Diniz ‘caiu pra cima’. Ganhou a chance da sua vida. E não tem o direito de jogar isso fora.

Para ter chance de sucesso, não precisa e não pode estragar o que funciona. O sistema defensivo da equipe, que toma poucos gols e é muito difícil de ser batida fora de casa, está aprovado.

Diniz precisa incrementar o sistema ofensivo, nos jogos em casa, quando o time tem a obrigação de apresentar outra postura a partir da partida contra o Fortaleza, de Rogério Ceni.

Fernando Diniz precisa entender o momento do São Paulo, um time que tem uma torcida sedenta por títulos há uma década. Essa torcida, representada por aqueles que foram e jogaram juntos com os jogadores no Maracanã, quer luta, entrega, raça, dedicação e um troféu. Não quer jogo bonito e rococó.

Se Diniz chegar rapidamente a essa conclusão, ele tem uma chance. A chance da sua vida.

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