Irmã de Maria Helena e mãe de Cadum, Cida abriu as portas do basquete para a família

Cida foi pioneira no esporte da família Cardoso e é irmã de Maria Helena, um dos maiores nomes do basquete feminino brasileiro

Antonio Carlos Junior
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Antonio Carlos Junior

Natural de Descalvado, no interior de São Paulo, Maria Aparecida Cardoso, ou simplesmente Cida, tem uma grande história no basquete brasileiro. Campeã sul-americana em 1954 com a Seleção Brasileira, Cida é irmã de Maria Helena, um dos grandes nomes do basquete nacional, e mãe de Cadum, que dividiu as quadras com Oscar Schmidt.

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Em uma época onde o basquete ainda era amador e os atletas não recebiam para jogar, Cida virou celebridade em sua cidade ao ser convocada aos 22 anos para a disputa do sul-americano. Na ocasião o Brasil perdeu a final para o Paraguai, anfitrião da competição.

“Fizeram a maior festa quando eu fui convocada. Aí fomos para o Paraguai e chegamos à final. Eu tive a chance de vencer o jogo, mas fui atrapalhada por uma adversária e perdi o último arremesso do jogo”, comenta Cida lembrando do passado.

Dois anos depois, jogando em São Paulo, Cida foi a segunda maior pontuadora do Brasil na conquista do primeiro título feminino do país no basquete. Na final ela assumiu a posição de destaque quando a capitã Coca saiu lesionada e não voltou para o jogo.

A carreira de Cida, no entanto, não foi muita extensa. Em 1959, um ano após o bicampeonato sul-americano, ela decidiu se aposentar das quadras para se dedicar ao casamento e o nascimento do primeiro filho, Ricardo, mais conhecido como Cadum, que vestiu a amarelinha ao lado de Oscar Schmidt nos anos 80.

“Eu optei por parar e cuidar da minha família. Na época nós não recebíamos para jogar, então preferi cuidar dos meus filhos”, explica. “No basquete, além das medalhas, eu ganhei um tênis da Adidas para jogar já no final da carreira. Achei tão bonito que resolvi guardar e dar para meu filho quando ele começasse a jogar”, completa.

Lembranças de Oscar e visão de basquete

O filho Cadum, por sinal, também jogou pela seleção brasileira. Ele dividiu as quadras com Oscar, e Cida lembra com carinho das diversas vezes que recebeu o “Mão Santa” em sua casa. “O Oscar foi muito em casa, não só ele, todos iam lá”.

Hoje, aos 89 anos, Cida comparece com frequência nos jogos da equipe sub-19 de São José dos Campos. Acompanhada de sua filha, mesária da Federação Paulista, ela assiste aos jogos na arquibancada e, muitas vezes, passa despercebida pelo público.

Ela ficou surpresa com o título da Seleção Feminina nos Jogos Pan-Americanos, quando o Brasil derrotou os Estados Unidos na final, mas acredita que as norte-americanas irão mais bem preparadas para a disputa das Olimpíadas. Ela também não aprova o modelo de basquete atual. “É só bola de três, ninguém trabalha o jogo e nem usa o garrafão”, comenta.

Com tanta história no basquete, Cida reconhece talentos de longe. Após um jogo entre São José e Esperia, pelo Paulista sub17, Cida chamou um dos garotos e elogiou sua atuação. Nas palavras dela, “se continuar jogando assim, tem futuro no basquete”.

E quando o assunto é futuro, a família Cardoso parece ter um próspero dentro do basquete. Três netos da ex-jogadora praticam a modalidade. “Dois deles jogam profissionalmente. Um joga em Santos e outro joga 3×3. O mais novo ainda joga no sub13, mas já joga muito bem”, garante.

Apesar de tanto amor ao basquete, Cida garante que hoje, aos 89 anos, prefere ficar em casa assistindo novelas.

“Meus netos quando vão em casa já ligam a TV e ficam assistindo basquete. É NBA, NBB, eu gosto né? Mas com a minha idade eu prefiro mesmo é assistir a minha novela” brinca.

Em seus 11 anos de carreira, Cida conquistou dois ouros, duas pratas e um bronze do Campeonato Sul-Americano. Além disso, também foi medalha de prata e bronze nos jogo Pan-Americanos.

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