Da água pro vinho: o calendário tem que mudar

Após viver seu apogeu entre o final dos anos 50 e o começo dos 90, o futebol do interior de São Paulo se vê abandonado e sem voz ativa para virar o jogo

Iberê Riveras
Colaborador do Torcedores

Crédito: Xororó, supervisor geral do Rio Branco EC (arquivo pessoal)

Sempre se brinca com a ideia de que toda cidade do interior tem uma praça, uma igreja, um hospital… um campo de futebol. O estado de São Paulo tem aproximadamente 46 milhões de habitantes, distribuídos em 645 municípios. Se a região metropolitana, com 39 cidades, responde por metade desta população, litoral e interior, com mais de 600 cidades, abrigam em torno de 23 milhões de vivalmas. Não tem jeito, toda santa cidade tem o futebol pulsando nas veias, seja com rivalidades internas ou intermunicipais, amadoras ou profissionais.

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Vamos ao vinho. Os tempos da ‘Intermediária’, a segunda divisão no final da década de 70, eram pura ‘Festa do Interior’, como canta Gal Costa. Quem viveu, não se esquece. ‘Foi uma época de ouro. Lembro-me quando Inter de Limeira e Velo Clube subiram em 78. Na reta final, o Velo venceu o São José em Rio Claro por 1 a 0 com o Benitão lotado, quase 14 mil pessoas. A Inter subiu como campeã e o Velo, que foi vice, disputou o acesso com o penúltimo da Divisão Especial, o Paulista de Jundiaí. Foram três partidas em campo neutro, no Brinco de Ouro em Campinas. Inesquecível’, lembra Jorge Neves, possante locutor esportivo da Rádio Educadora/Transamérica de Limeira. ‘No último jogo, quase 10% da cidade foram pra Campinas e deu certo, o Velo subiu’. Basta conversar com senhores que gostam de futebol pelo interior de São Paulo para ouvir um sem-fim de histórias apaixonantes deste período.

À água. Esta semana, algo dramático aconteceu na vida dos tradicionais São José, vice-campeão paulista de 1990 e Rio Branco de Americana, que revelou Mineiro, Flávio Conceição, Marcos Assunção, Marcelinho Paraíba, entre outros. Foram eliminados – ao lado de Francana e Assisense – nas quartas-de-final do Campeonato Paulista da 4ª divisão. Benedito Aparecido Fusco, mais conhecido como Xororó, supervisor de futebol e funcionário mais antigo do Rio Branco, ainda se lamenta. ‘Olha, o campeonato é realmente muito difícil, 41 times e só dois sobem. Nossa diretoria cumpriu os compromissos com atletas e funcionários, não deixou nada em aberto, mas não conseguimos. Agora é avaliar o que foi positivo e começar outra vez o planejamento para o ano que vem.’ A 4ª divisão de 2020 será, mais uma vez, um desfile de clubes ‘retrô’, quase todos quebrados: Rio Branco, São José, América de Rio Preto, Francana, União Barbarense, Taquaritinga, Catanduvense, XV de Jaú. Mogi Mirim e União São João de Araras estão ainda além, licenciados.

Em que pese a Lei Pelé, os tempos modernos, o sucesso da Premier League, quando se ouve a realidade de quem trabalha direta ou indiretamente com os clubes do interior – os que não disputam uma das quatro divisões do Brasileiro –, só é possível chegar a uma conclusão: algo urgente precisa ser feito.

Pesquisando para este texto, encontrei uma entrevista do atual presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, que assumiu em 2015, para o Estadão. Nela, o ex-dirigente e conselheiro vitalício do Taubaté diz que “a Federação e os clubes têm de sair da zona de conforto. As leis estão aí, não fomos nós que as fizemos. Tem de recolher seus impostos em dia, pagar salário em dia, resolver seu passado trabalhista, seus problemas fiscais. Não tem mais como passar a mão por cima. Em conjunto, a Federação e os clubes têm de se reinventar.”

Foi na gestão Bastos que as séries A1, A2 e A3 foram enxugadas para 16 clubes, com acesso e descenso da 1ª à 4ª divisões reduzidos para apenas dois clubes por ano. Adaptaram a A1 – quase toda com clubes que disputam alguma divisão do Campeonato Brasileiro – ao calendário nacional, mas, sem noção, detonaram a vida dos clubes da A2, A3 e da 4ª divisão, o limbo final.

Um bom começo para a FPF ajudar os clubes a se ‘reinventar’ seria repensar a fórmula de disputa de seus campeonatos, eventualmente suprimindo uma das quatro divisões. Os times do interior precisam de calendário, de fevereiro a novembro, calendário! A Copa Paulista, torneio que atualmente movimenta alguns clubes no 2º semestre, é apenas um paliativo que não pode ser considerado satisfatório, haja vista a atual média de público.

‘Eu, pessoalmente, seria a favor. Diminuir uma divisão nos deixaria menos distantes da 1ª e, com calendário para o ano todo, o planejamento seria completamente diferente. Creio que a nossa diretoria também aprovaria essa reformulação’, aponta Xororó, do Rio Branco.

O jornalista e historiador Celso Unzelte também registra a sua valiosa opinião. ‘É preciso dividir o futebol do interior paulista em divisões que ocupem o ano inteiro, ainda que os níveis inferiores assumam a condição semi-profissional ou amadora. Mais ou menos como se faz na Inglaterra, por exemplo.’

Hora de repensarmos a saudosa ‘Intermediária’ e atualizá-la para a versão 2.0.

Paulista Sub-15

3ª fase – 16 clubes (os 2 melhores de cada um dos 4 grupos se classificam)

Grupo 19: Ferroviária 13, Independente 9, Novorizontino 6, Portuguesa 1.
Ferroviária classificada, Independente e Novorizontino disputam a 2ª vaga.
Sábado (12), 9h, última rodada
Novorizontino x Portuguesa
Ferroviária x Independente

Grupo 20: Santos 10, Corinthians 10, Desportivo Brasil 6, Brasilis 3.
Santos e Corinthians classificados.

Grupo 21: Palmeiras 12, Botafogo 9, Red Bull 6, Portuguesa Santista 3.
Palmeiras classificado, Botafogo e Red Bull disputam a 2ª vaga.
Sábado (12), 9h, última rodada
Portuguesa Santista x Red Bull
Palmeiras x Botafogo

Grupo 22: São Paulo 15, Ponte Preta 5, Juventus 5, Comercial 2.
São Paulo classificado, Ponte Preta, Juventus e Comercial disputam a 2ª vaga.
Sábado (12), 9h, última rodada
Ponte Preta x Comercial
São Paulo x Juventus

Paulista Sub-17

3ª fase – 16 clubes (os 2 melhores de cada um dos 4 grupos se classificam)

Grupo 19: Primavera 10, Mirassol 10, São Paulo 8, Botafogo, 0.
Primavera, Mirassol e São Paulo disputam as duas vagas.
Sábado (12), 11h, última rodada
Primavera x Mirassol
São Paulo x Botafogo

Grupo 20: Audax 12, Novorizontino 9, Guarani 9, Brasilis 0.
Audax, Novorizontino e Guarani disputam as duas vagas.
Sábado (12), 11h, última rodada
Novorizontino x Audax
Brasilis x Guarani

Grupo 21: Ponte Preta 12, Palmeiras 9, Santos 6, São Bernardo FC 3.
Ponte Preta, Palmeiras e Santos disputam as duas vagas.
Sábado (12), 11h, última rodada
Santos x Ponte Preta
Palmeiras x São Bernardo FC

Grupo 22: Corinthians 10, Ituano 8, Red Bull 5, Juventus 4.
Corinthians classificado, Ituano e Red Bull disputam a 2ª vaga.
Sábado (12), 11h, última rodada
Corinthians x Red Bull
Ituano x Juventus

Paulista Sub-20 – 1ª

3ª fase – 16 clubes (os 2 melhores de cada um dos 4 grupos se classificam)

Corinthians, Botafogo, Santos, Ituano, Palmeiras e Red Bull estão classificados. São Paulo só precisa de empate. São Caetano e São Bernardo FC disputam uma vaga.
Sábado (12), 15h, última rodada
São Paulo x XV de Piracicaba
São Caetano x São Bernardo FC

Paulista Sub-20 – 2ª

Quartas-de-final, jogos de ida:

Sexta (11)
Brasilis de Águas de Lindoia 1 x 1 São José
Taquaritinga 0 x 1 Inter de Bebedouro
Sábado (12), 15h
Itapirense x XV de Jaú
Catanduva x Bandeirante de Birigui

Copa Paulista

Restam oito clubes na competição, que dá ao campeão o direito de escolha entre uma vaga na Copa do Brasil de 2020 ou a Série D de 2020 – o vice-campeão fica com a vaga que sobra.

Grupo 1: XV de Piracicaba 7 pontos, EC São Bernardo 5, Comercial de Ribeirão Preto 4 e Linense 0.
Grupo 2: São Caetano e Mirassol 7 pontos, Ferroviária 3 e Santo André 0.

Sábado (12), 18h
Ferroviária x São Caetano
Domingo (13), 10h
Santo André x Mirassol
Linense x EC São Bernardo
Comercial x XV de Piracicaba

4ª divisão de SP

Semifinal, jogos de ida:

Sexta (11)
Marília 2 x 0 Fernandópolis
Domingo (13), 10h
Flamengo de Guarulhos x Paulista de Jundiaí

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