Do outro lado da caneta, Leo de Biase é um dos principais nomes do esport no Brasil

CEO da ESL Brasil e da BBL, Leo de Biase vive jogos eletrônicos desde a época das lan houses

Filipe Carbone
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Instagram

Não são poucas as pessoas da geração desse que vos escreve viveram parte da adolescência dentro de lan houses – para os mais jovens, um local onde era preciso pagar para utilizar os melhores computadores e usufruir da melhor internet disponível até então. Desses, apenas alguns tiveram o privilégio de viver os dois lados da moeda, o de apaixonado por jogos e o de incentivador dos esportes eletrônicos no país.

Esse é Leo de Biase. CEO da ESL Brasil e CMO da BBL, o empresário ostenta hoje o posto de uma das figuras mais importantes do esports no Brasil. Com passagens por grandes empresas, Leo carrega no currículo a experiência de já ter atuado na Level Up (do clássico Ragnarok), Nvidia (que dispensa comentários) e, atualmente, em uma das maiores empresas de esporte eletrônico do mundo.

Mas a história de Leo de Biase na indústria dos jogos começa muito antes disso. Mais precisamente em 2000, quando era uma das figuras a frente de uma das redes de lan houses mais conhecidas de São Paulo, a Monkey. Na época, o empresário viu o ramo de sucesso ir ladeira abaixo, mas não por culpa dele. O advento da tecnologia e a facilidade em instalar internet em casa atingiu Leo e outros tantos donos de lan houses.

“Quando veio o advento da banda larga e dos equipamentos mais acessíveis a gente viu o fim de uma era. Ninguém mais precisava pagar a hora em uma lan house. Era possível fazer as contas e ter isso dentro de casa. Isso é o que eu considero o primeiro milestone”, disse Leo de Biase.

Milestone

Em resumo, milestone significa um marco. Ou seja, um ponto ou evento significativo. E é exatamente por meio deles que Leo de Biase resume não só a própria carreira, como também o desenvolvimento e o crescimento dos games e dos esportes eletrônicos no Brasil.

O primeiro, como dito pelo próprio empresário, foi a chegada das bandas largas. A partir daí qualquer um poderia conectar e jogar de casa, o que era visto como impossível até então. Contudo, o empresário ainda coloca outros dois acontecimentos como evento significativo.

“O segundo eu considero a chegada da Twitch com a Amazon. A transformação de fazer coisas gravadas para o ao vivo foi uma grande mudança. E o terceiro foi quando a Riot chegou e transformou a maneira como se comunica e desenvolve o esporte eletrônico no mundo inteiro”.

Apesar do forte envolvimento com Counter Strike, Leo de Biase reconhece na empresa responsável pelo League of Legends como uma das principais para o cenário dos esports em todo o mundo. De acordo com ele “a Riot que usou como ferramenta principal o jogo, o esport”. Por fim, “revolucionaram o jeito como o público consome o jogo e o esporte”.

Os dois lados da caneta

A carreira de Leo de Biase no cenário do esport brasileiro aconteceu quase sem querer. Como o próprio empresário diz, “uma guinada” foi o suficiente para leva-lo de volta ao mundo dos games. Isso porque após as lan houses, Leo seguia para uma “carreira tradicional”, mas acabou trabalhando com o hobbie após o convite da Level Up.

A chegada na empresa aconteceu em 2009. Até então, o empresário estava afastado do ramo dos esportes eletrônicos e jogos. Um ano depois ele teve a oportunidade de atuar pela NVIDIA, onde, segundo ele, foi onde teve os maiores aprendizados. E é a partir desse momento que as coisas passaram a acontecer quase sem querer.

“Aconteceu naturalmente, mas foi quando veio o convite para a ESL. Foi quando eu tive a oportunidade de estar do outro lado da caneta, do lado do organizador. Mas foi quando eu achava que estava tudo encaminhado que veio a oportunidade da BBL, que em um ano já virou potência e referência de games”, disse Leo de Biase.

O início da BBL

No nome da empresa que fundou ao lado de um dos grandes amigos da vida, Leo já mostra que carrega os jogos no sangue. Do nome BBL, Leo revela o significado “Bad Boy Leeroy”. Se por um lado os mais jovens não reconhecem o nome, os mais velhos veem no nome de uma das maiores empresas de esports do Brasil um dos maiores memes da história dos games.

Leeroy Jenkins, jogador de World of Warcraft, ficou famosos na comunidade dos jogos ao matar não só a si próprio, mas a toda a guilda em uma raide no jogo. Na ocasião, os jogadores combinavam como seria feita a caçada quando Leeroy corre desgovernado contra os monstros, passando por cima de ovos de dragão – que mais tarde viria se tornar também o logo da BBL.

“Montamos ela a quatro mãos, apresentamos para a ESL, e assim foi criada a BBL. Hoje não temos uma pegada só de campeonato. Já fizemos diversos movimentos para mostrar que somos uma empresa que pensamos nos clientes. Mas somos grandes entusiastas de World of Warfract, então não pudemos deixar de fazer a referência”, disse.

Encontro de gerações

Foi justamente em World of Warcraft que Leo de Biase enxergou a mudança de gerações. Segundo o empresário, que testou e jogou o Classic, que traz de volta o jogo antigo, uma zona do jogo tomada por conversas e piadas estava recheada de jovens que mostraram pra ele a mudança cultural.

“Eu precisei de quatro dias no World of Warcraft: Classic para ver a diferença de geração. É outro chat, com pessoas mais politizadas, com pessoas pedindo desculpas para as outras porque teriam sido rudes demais. É um chat de pessoas mais jovens, mas é engraçado porque estávamos acostumado com outras figuras de linguagem”, revelou.

A mudança, no entanto, não ficou apenas no WoW. Isso porque o cenário de Counter Strike também sofreu as suas modificações com o passar do tempo. De acordo com Leo de Biase, na época de “menos condições financeiras, tecnologia e equipamentos, você só sabia quem era quem frequentando os eventos”. Algo que é bem diferente do que é visto hoje em dia.

Se por um lado Leo de Biase fazia um trabalho restrito na época da Monkey, por outro a atualidade e a tecnologia de hoje em dia colocam o empresário frente a frente com o peso da responsabilidade.

“Você pula pra hoje em dia, onde o acesso é tudo. Mudou a maneira de se comunicar e, claro, a responsabilidade. O alcance aumentou e audiência foi nas alturas. Então você consegue vender o seu produto em um alcance maior, mas precisa ter mais responsabilidade”, disse por fim.

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