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Federação de Atletismo muda regras para atletas transgêneros

Federação Internacional de Atletismo decidiu que atletas transgêneros precisam reduzir ainda mais os níveis de testosterona para ter o direito de competir

Aécio de Paula
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação: IAAF

A Federação Internacional de Atletismo (IAAF), decidiu que atletas transgêneros precisam reduzir pela metade os seus níveis de testosterona. Só assim, elas se tornariam elegíveis para competir em torneios oficiais. A decisão adiciona ainda mais tempero na polêmica que dura anos no esporte mundial.

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A determinação foi divulgada nesta terça-feira (15), no Conselho da IAAF, que acontece em Doha. De acordo com as novas regras de elegibilidade, a partir de agora as regras para atletas transgêneros mudaram. Afinal, agora se exige que a concentração de testosterona em um atleta seja inferior a cinco nanomol por litro. Isso em pelo menos 12 meses antes de ganhar a sua elegibilidade.

Anteriormente, o limite era de 10 nanomol por litro. Com essa mudança, a regra para atletas transgêneros se torna igual ao regulamento para atletas com a chamada diferença de desenvolvimento sexual, o DSD na sigla em inglês. O caso mais famoso de DSD é o da sul-africana Caster Semenya, campeã mundial dos 800 metros. Caster ainda luta para voltar a ter o direito de competir entre as outras mulheres.

Semenya afirma que não quer tomar nenhum tipo de remédio para poder ser considerada uma mulher. A atleta tem sido uma voz na luta das atletas durante toda essa polêmica. Críticos, por outro lado, tem argumentado que a questão não é ser mulher ou homem, mas a vantagem que se tem em provas físicas, como aliás, é o caso do atletismo.

O que diz o comunicado

“De acordo com os novos regulamentos, uma atleta transexual não precisa mais ser reconhecida por lei em seu novo gênero, mas deve fornecer uma declaração assinada de que sua identidade de gênero é feminina”, afirmou um comunicado da IAAF.

O comunicado segue falando sobre as mudanças. “A atleta deve comprovar para especialistas que a concentração de testosterona no soro foi inferior a 5nmol/ L continuadamente por um período de 12 meses. Além disso, deve manter sua concentração sérica de testosterona sempre abaixo desse valor se quiser competir na categoria feminina”, fecha a nota.

A Federação também anunciou mudanças no seu corpo médico diretor. Aliás, é essa equipe que precisará avaliar as atletas transgêneros e determinar se elas estão aptas ou não para a elegibilidade.

O que diz a comunidade LGBTQ

Membros de comunidades LGBTQ ao redor do mundo tem se oposto em relação as regras da IAAF. Para eles, com essas regras, a IAAF estaria, desse modo, gerando medo. Além disso, grupos dizem que a quantidade de atletas transgêneros já é muito pequena para que regras sejam feitas para impedir ainda mais a participação deles em competições oficiais.

Críticos dizem que essa não é uma questão de preconceito, mas de construção de um esporte justo onde não se negue que homens possuem vantagens em algumas provas.

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