Iberê Riveras: Red Bull irá controlar não um, mas dois clubes no estado de SP

Não houve fusão entre Red Bull Brasil e Bragantino. Multinacional austríaca quer chegar ao topo do futebol brasileiro em cinco anos

Iberê Riveras
Colaborador do Torcedores

Após um período de perguntas sem respostas sobre a ‘fusão’ do Red Bull Brasil com o Bragantino, o projeto da milionária empresa de bebidas energéticas com sede em Fuschl, na Áustria, começa a ganhar forma para o torcedor brasileiro, tão carente de novas ideias na administração esportiva.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

O ponto principal pós-negociação com o clube de Bragança Paulista, cidade localizada a 90 km de São Paulo, é que não se tratou da compra de um segundo clube com a finalidade de fundi-lo ao primeiro (o Red Bull Brasil, fundado em 2007), mas sim a autonomia sobre duas agremiações praticamente independentes, com CNPJs distintos. Para muitos, a grande novidade que veio à tona esta semana, após os conselhos arbitrais da 1ª e 2ª divisões do Paulistão 2020, é que o Red Bull Brasil não irá desaparecer; ele se tornará um ‘clube-laboratório’, o ‘arco’ para a ‘flecha’ denominada Red Bull Bragantino, o astro principal da companhia. A única fusão que aconteceu foi a dos elencos principais de Red Bull Brasil e Bragantino após o Campeonato Paulista, para a disputa do Brasileiro da Série B – o Bragantino lidera com folga e está perto de garantir o acesso para a Série A de 2020.

A ‘sobrevivência’ do chamado RB Brasil – alguns veículos de comunicação se negam a falar o nome da empresa que vende anualmente mais de 5 bilhões de latinhas de energético em mais de 140 países – fez com que a Federação Paulista de Futebol recorresse à Lei Pelé, que determina que clubes controlados pelo mesmo grupo econômico não podem disputar a mesma competição. O mecanismo para resolver este tipo de situação é realocar um dos dois clubes na divisão imediatamente inferior, no caso, a A2 ou segunda divisão. Assim, o Red Bull Brasil brotou inesperadamente neste nível. Sorte do Água Santa, que como 3º colocado da A2, ganhou uma vaga na elite como já era especulado, mas azar do Barretos, 3º da A3, que já esfregava as mãos para ocupar a lacuna deixada pelo clube de Diadema.

O desenlace surpreendente possibilitou compreender melhor o que vinha dizendo nas entrelinhas o diretor executivo da Red Bull na América do Sul, Thiago Scuro, um verdadeiro farol de lucidez ante a mente atrasada da nossa cartolagem. Explica-se: seu principal mentor foi José Carlos Brunoro, ex-Palmeiras Parmalat, que o levou ao Pão de Açúcar EC, clube-empresa no qual trabalhou por dez anos antes de ir para o Red Bull Brasil. Ficou em Jarinu por mais de dois anos, depois provou do doce veneno de dirigir um gigante, o Cruzeiro, por um ano e meio, mas retornou ao Red Bull Brasil. Recentemente, foi sondado por Grêmio, Palmeiras e CBF, mas segue comprometido com o ambicioso projeto do ‘Toro Loko’, o Red Bull.

Uma pitadinha da mentalidade de Thiago Scuro: “O objetivo do Red Bull Bragantino é ter um centro de treinamento que seja referência, um estádio que conserve o ambiente familiar, que a equipe esteja estabilizada na Série A do Campeonato Brasileiro e alcance condições de buscar competições continentais. Mas que, principalmente, a cada domingo promova bons eventos, um ambiente saudável para a comunidade. Essa é a principal função do futebol”.

Se hoje a empresa Red Bull conta com um centro de treinamento de ótimo nível na cidade de Jarinu, a 75 km de SP e 45 km de Bragança, que abriga desde os garotos da base até a equipe profissional, em breve ele será utilizado apenas pelo Red Bull Brasil. Para o Red Bull Bragantino será construído, até o meio de 2021, um CT ‘de primeiro mundo’ em Atibaia, a 30 km de Bragança Paulista, conhecida como a Terra da Linguiça. Atualmente, dentro do estádio Nabi Abi Chedid, há um restaurante especializado na iguaria. Visite-o logo, porque o estádio será completamente remodelado, transformando-se numa arena para 20 mil pessoas, um dos mais modernos do Brasil. Sabe por quê 20 mil? É a capacidade mínima que a CONMEBOL exige para as quartas-de-final da Libertadores e Sul-Americana.

Portanto, a partir de agora, os dois Red Bulls, Brasil e Bragantino, assumem identidades bem específicas: o primeiro, dedicado à formação de atletas; o segundo, projetado verticalmente para se tornar uma potência do futebol nacional, um autêntico clube-empresa como nunca se viu no Brasil. A Red Bull comprou clubes na Áustria, na Alemanha, nos Estados Unidos, mas o projeto brasileiro é pioneiro, graças a esta ‘dobradinha’, um clube usado ‘para formar’ e o outro ‘para competir’. Se o projeto de clube-empresa, em formatação no Congresso Nacional, for aprovado, a filial brasileira prevê que os investimentos poderão ser ainda maiores.

Vale observar que pouca coisa restará do velho ‘Braga’, o Clube Atlético Bragantino. Fundado em 1928, o ‘Massa Bruta’ deixará de ser alvinegro e seu mascote, o leão, será inevitavelmente substituído pelo touro, marca da Red Bull. O hino do clube também ficará para a história, bem como o escudo, inspirado no do Santos. O nome do estádio, que era Marcelo Stéfani e em 2009, mesmo com a reprovação de boa parte da população de 170 mil habitantes, tornou-se Nabi Abi Chedid, também está com os dias contados. Há nada menos de 60 anos o clube vinha sendo administrado pelo clã Chedid, família muito influente na política não só em Bragança Paulista mas também em outras cidades da região. O atual prefeito de Bragança Paulista é Jesus Chedid, irmão do falecido Nabi (1932-2006) – os dois romperam relações em 1994, por divergências políticas.

Quem representou o Red Bull Bragantino no Conselho Arbitral da A1 promovido pela FPF na última terça-feira foi Marquinho Chedid, filho de Nabi, ex-presidente da FPF, vice da CBF e da CONMEBOL. Marquinho, que era o presidente do extinto Bragantino, agora é presidente de honra do Red Bull Bragantino. Dono de personalidade forte, marca registrada dos Chedid, Marquinho afirma que o relacionamento com a Red Bull é ‘o melhor possível’ e que ‘a tradição do Bragantino sempre será respeitada’.

Para não dizer que tudo são flores, a parte mais sensível deste promissor Red Bull Bragantino pode ser uma eventual trombada entre as diretrizes determinadas pela multinacional e a resiliência política dos Chedid. Thiago Scuro já afirmou que “não existe parceria no mundo Red Bull, ela é a dona, gestora 100%, responsável por todas as decisões”. Resta saber se Marquinho Chedid, acostumado a dar ordens, está preparado para se submeter. Em abril deste ano, soltou: “O Bragantino continua existindo, com o seu CNPJ, o Red Bull vem fazer investimentos e, um dia que eu deixar de ser presidente, eles assumem o comando do Bragantino. Não é cogestão, é um contrato de parceria no futebol”. O investimento inicial do Red Bull para o ano de 2020 foi de R$ 45 milhões e pode chegar a R$ 200 milhões para o ano que vem.

Nossa torcida é para que as mentalidades tão diferentes sejam contornadas com sabedoria e o Red Bull Bragantino – o Red Bull Brasil também – trilhem um caminho de sucesso. Se por um lado é triste ver um clube tradicional perder seus traços originais, pior é imaginá-lo definhando, sobrevivendo sem perspectivas. O antídoto contra esta dor é a cidade, neste caso Bragança Paulista, ter algum clube para chamar de seu. Toda cidade do interior merece um clube organizado, saudável, que a represente com dignidade.

Como será o RED BULL BRASIL

Manterá os atuais escudo e uniformes, terá como casa o CT de Jarinu, as equipes de base disputarão em 2020 a Copa São Paulo de Futebol Júnior e os Paulistas Sub-15, Sub-17 e Sub-20, a equipe principal será predominantemente de atletas sub-23 (o técnico ainda não foi definido) que irá disputar a Série A2 e a Copa Paulista. Os times de base seguirão mandando seus jogos no CT de Jarinu, enquanto o principal permanecerá atuando no Moisés Lucarelli, estádio da Ponte Preta, em Campinas.

Como será o RED BULL BRAGANTINO

O novo nome, escudo e uniformes serão lançados no início de janeiro, terá o CT de Atibaia como casa (a ser construído até o meio de 2021), o time principal irá disputar a A1 do Paulista e, fatalmente, a Série A do Brasileiro, mandará os jogos na moderna arena para 20 mil pessoas que será construída no lugar do Nabi Abi Chedid.
Uma questão ainda não foi definida: se terá ou não categorias de base. Provavelmente sim, porque a FPF exige que todo clube que disputa uma das quatro divisões do Paulista dispute pelo menos uma categoria de base e o Red Bull Brasil, para todos os efeitos, é um outro clube.
A saudosa camisa do Bragantino conhecida como ‘carijó’, marcante na campanha do título paulista de 1990 e do vice brasileiro de 91, deverá ser relançada em edição limitada pela Nike, fornecedora de material esportivo da Red Bull.

4ª divisão de SP na FPF TV E MYCUJOO

Paulista de Jundiaí e Marília superaram Flamengo de Guarulhos e Fernandópolis, respectivamente, e conquistaram o acesso para a A3 de 2020.

Final, jogo de ida:

Sábado (26), 19h30
Marília x Paulista de Jundiaí, no Bento de Abreu (Marília)

Copa Paulista na FOX e FPF TV

O campeão terá direito de escolha entre uma vaga na Copa do Brasil de 2020 ou a Série D de 2020; o vice-campeão fica com outra vaga.

Semifinal, jogos de ida:

Sábado (26), 16h30
EC São Bernardo x São Caetano, no 1º de Maio (São Bernardo do Campo)
Domingo (27), 11h
Mirassol x XV de Piracicaba, no José Maria de Campo Maia (Mirassol)

Paulista Sub-15 na FPF TV

Quartas de final, jogos de volta

Sábado (26), 9h – FPF TV
São Paulo x Novorizontino, no CT de Cotia (2 x 2)
Palmeiras x Ponte Preta, no CT do Palmeiras II (São Paulo) (1 x 0)
Ferroviária x Santos, no Ademar Pereira de Barros (Araraquara) (1 x 2)
Red Bull Brasil x Corinthians, no CT do Red Bull Brasil (Jarinu) (1 x 0)

Paulista Sub-17 na FPF TV

Quartas de final, jogos de volta

Sábado (26), 11h
Palmeiras x Audax, no CT do Palmeiras II (São Paulo) (2 x 1)
Ituano x Novorizontino, no Novelli Júnior (Itu) (0 x 0)
Ponte Preta x São Paulo, no Leonardo Barbieri (Águas de Lindoia) (1 x 1)
Corinthians x Primavera, no Parque São Jorge (São Paulo) (0 x 1)

Paulista Sub-11

Não sobrou nenhum clube do interior. As semifinais serão disputadas entre São Paulo, Palmeiras, Santos e Audax.

Paulista Sub-13 na FPF TV

O Marília é o remanescente na semifinal.

Semifinal, jogos de ida

Domingo (27), 10h30
Santos x Marília, no CT Meninos da Vila (Santos)
São Paulo x Palmeiras, no CT de Cotia

Paulista Sub-20 – 1ª no DAZN

Quartas de final, jogos de volta

Quarta (23)
Palmeiras 1 x 0 Botafogo (Palmeiras classificado)
Sábado (26), 10h
Corinthians x Ituano, no Parque São Jorge (São Paulo) (1 x 2)
Sábado (26), 15h
São Paulo x São Caetano, no CT de Cotia (4 x 0)
Domingo (27), 10h
Red Bull Brasil x Santos, no CT do Red Bull (Jarinu) (5 x 0)

Paulista Sub-20 – 2ª na FPF TV

Brasilis de Águas de Lindoia, Catanduva, Taquaritinga e Itapirense caíram nas quartas de final.

Semifinal, jogos de ida:

Sexta (25)
Bandeirante de Birigui 2 x 2 XV de Jaú
Sábado (26), 19h
São José x Inter de Bebedouro, no Martins Pereira (São José dos Campos)

LEIA MAIS:

Futebol do interior: convite para um novo olhar

Da água pro vinho: o calendário tem que mudar

Paulinho McLaren critica Lei Pelé e diz que FPF está acabando com o futebol do interior