Mulheres iranianas acompanham jogo da seleção no estádio pela primeira vez desde 1981

Quase 40 anos depois, iranianas acompanharam a vitória da Seleção iraniana no estádio. Mas os ingressos foram limitados e mulheres foram escolhidas pelas autoridades

Aécio de Paula
Colaborador do Torcedores

Crédito: Amin M. Jamali/Getty Images

Um momento histórico. Quase 40 anos depois da última vez que mulheres iranianas acompanharam um jogo do Irã no estádio, elas voltaram a conseguir este direito nesta quinta-feira (10). Mas os ingressos foram limitados e as mulheres foram escolhidas a dedo pelas autoridades.

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O jogo em questão foi válido pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA, e foi contra a Seleção de Camboja. A partida chamou a atenção internacional muito menos por quem esteve disputando a partida entre as quatro linhas, mas muito mais por quem esteve nas arquibancadas. Em sua edição na web, o jornal norte-americano The New York Times, por exemplo, dedicou uma matéria especial para a partida. 

O jogo aconteceu apenas um mês depois da morte de uma ativista que foi condenada a seis meses de prisão por assistir a uma partida de seu clube no estádio. Ela colocou fogo no próprio corpo em sinal de protesto. O caso repercutiu no mundo inteiro por jornais e pela internet com a hastag #bluegirl, uma referência a cor do Esteghal, time do Teerã que a ativista torcia. 

O esporte no Irã

Curiosamente, as mulheres no Irã tinham permissão de frequentar lugares como estádios de futebol. A proibição veio de maneira formal, ainda que de não de forma escrita, no ano de 1981 por conservadores. Essa regra valia apenas para o futebol, mas vinha sendo alargada nos últimos anos. Modalidades como vôlei e basquete também passaram a ser vetados para mulheres na mesma medida em que se tornavam populares. 

Há registros de muito protestos de mulheres iranianas que querem derrubar o veto. Há inclusive registros de casos de mulheres que decidem se disfarçar de homens para conseguir a permissão. Os casos não foram suficientes para melhorar a situação das mulheres no país. Mas chamaram a atenção da mídia internacional para o problema interno. 

A permissão para que mulheres acompanhem o jogo do Irã no estádio foi considerado uma vitória para as ativistas, mas não representa, segundo elas,  o fim da luta. Pequenos grupos conservadores se reuniram nas ruas de Teerã para protestar contra essa decisão. “O Ocidente não pode nos dizer o que fazer”, gritavam os conservadores. Um grito que prova que o caminho das mulheres iranianas é muito mais longo do que se se poderia imaginar.

Foi o primeiro jogo com mulheres no estádio em quase 40 anos. Portanto a vitória do Irã sobre Camboja por 14 a 0 foi uma mera coadjuvante. 

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