Papo Tático: Palmeiras repete erros e esbarra na surpreendente linha de cinco do Atlético-MG

Verdão e Galo empataram em 1 a 1 nesse domingo (6) no Allianz Parque; equipe de Mano Menezes vê Flamengo abrir cinco pontos de vantagem na liderança do Brasileirão

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Bruno Cantini / Atlético-MG

Mais uma partida em que os lampejos individuais fizeram a diferença no Palmeiras. O empate em 1 a 1 diante de um Atlético-MG organizado e bem fechado no 5-4-1/5-3-2 proposto por Rodrigo Santana evidenciou mais uma vez a dificuldade que a equipe comandada por Mano Menezes (que não esteve na beira do gramado por estar suspenso) anda tendo para furar as defesas adversárias. O panorama do jogo contra o Galo foi o mesmo da partida contra o Internacional no final de semana retrasado. O resultado deste domingo (6) ligou o alerta no Palmeiras, já que o time paulista viu o Flamengo abrir cinco pontos na liderança do Brasileirão.

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É bem possível dizer que o 5-4-1/5-3-2 de Rodrigo Santana deu muito certo no Atlético-MG. Primeiro por fechar bem o sistema defensivo com todos os jogadores atrás da linha da bola e por negar espaços ao time do Palmeiras. E depois pelas saídas em velocidade nos contra-ataques com Otero, Di Santo, Luan, Fábio Santos, Nathan e Guga. Não foi por acaso que o goleiro Weverton foi considerado o melhor em campo no primeiro tempo. Foram pelo menos três grandes defesas do goleiro alviverde nos primeiros 45 minutos. O Palmeiras só conseguia chegar na área atleticana através das ligações diretas e das bolas levantadas na área. Muito pouco.

Time do Atlético-MG fechado com quase todos os jogadores atrás da linha da bola, muita compactação e velocidade nas transições ofensivas. Destaque para as boas atuações de Otero, Guga, Di Santo e Nathan. Foto: Reprodução / Premiere

O gol atleticano (marcado por Nathan no final do primeiro tempo) chega a ser simbólico pela maneira como foi construído. Guga recebe a bola pela direita e passa para o camisa 23 na intermediária. Notem no frame abaixo a cratera que existe entre a linha defensiva e os volante do Palmeiras no seu 4-2-3-1 costumeiro. Enquanto Nathan carrega a bola até a área palmeirense, Fábio Santos, Elias, Di Santo, Otero e Luan ocupam esses mesmos espaços para dar opção de passe. Felipe Melo não acompanha a jogada e Bruno Henrique chega atrasado no combate ao jogador do Galo que chuta cruzado sem chances para Weverton. Faltava organização e concentração no Palmeiras.

Nathan recebe no espaço entre as linhas palmeirenses e avança até mandar a bola para as redes. O gol do Atlético-MG foi um retrato da desorganização palmeirense na primeira etapa. Foto: Reprodução / Premiere

Borja, Lucas Lima e Felipe Melo deixaram o jogo para as entradas de Deyverson, Gustavo Scarpa e Raphael Veiga respectivamente, mas o time do Palmeiras seguiu ameaçando muito mais na base do abafa do que da organização. Ao mesmo tempo (e talvez esse tenha sido o maior erro do Atlético-MG na partida), via seu adversário recuar para manter o resultado ou até encaixar o contra-ataque que acabou não vindo. Mesmo assim, o gol de empate veio através dos lampejos de Dudu e Gustavo Scarpa, que protagonizaram bela jogada pela esquerda até que o camisa 7 completasse na saída de Cleiton. No mais, o que se viu na Allianz Parque foi um Palmeiras muito mais pautado pelas jogadas individuais do que por alguma jogada trabalhada.

Time do Palmeiras se posicionando para receber a bola longa às costas dos zagueiros do Atlético-MG. Dudu empatou a partida em bonito gol, mas o escrete alviverde não foi bem. Faltou explorar mais os lados do campo e trabalhar mais a bola no segundo tempo. Foto: Reprodução / Premiere

É bom lembrar que a linha de cinco defensores foi uma alternativa utilizada por Rodrigo Santana para corrigir as falhas defensivas do Atlético-MG. E há como dizer que a estratégia deu certo na partida contra o Palmeiras, já que toda a equipe se comportou bem e executou bem os movimentos que o desenho tático exige. A saída de Luan e a entrada de Maicon Bolt, no entanto, enfraqueceram o lado direito da defesa atleticana. Tanto que o gol de empate saiu exatamente por aquele setor. Já o Palmeiras precisa encontrar meios de ser mais intenso e mais envolvente para justamente furar defesas bem organizadas e bem fechadas, como nos jogos contra o Internacional e agora contra o Atlético-MG. Toda a equipe pode entregar muito mais do que vem entregando em campo.

A próxima rodada será determinante para atleticanos e palmeirenses. O time de Rodrigo Santana deve repetir o mesmo 5-4-1 contra o Flamengo. Já os comandados de Mano Menezes encaram o Santos de Jorge Sampaoli na Vila Belmiro. É o momento de ver quem avança e quem fica pra trás no Brasileirão.

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