Papo Tático: Alguns pitacos sinceros (e diretos) sobre o empate entre Brasil e Senegal

Seleção Brasileira começa bem, cede empate e sofre com a equipe comandada por Sadio Mané; escrete canarinho ainda não venceu depois da disputa da Copa América

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Senegal estava longe uma “carne assada”, gíria bastante usada antigamente para falar de um oponente sem muita tradição no velho e rude esporte bretão e que seria facilmente batido. O teste era válido sim. O grande problema estava do lado da Seleção Brasileira. Atuação apática, equipe espaçada, jogadores tentando resolver tudo sozinhos e poucas ideias em campo. O empate em 1 a 1 diante de pouco mais de 20 mil pessoas no Estádio Nacional de Singapura diz muito sobre a fase da Seleção Brasileira depois da Copa América. Já são três jogos sem vitórias da equipe principal. O maior jejum em mais de seis anos.

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Tite mandou a Seleção Brasileira para o campo armada num 4-4-2 que trazia Gabriel Jesus e Philippe Coutinho pelos lados, Firmino e Neymar por dentro e Casemiro e Arthur organizando a saída de bola e protegendo a zaga. No papel e pelo que se viu nos primeiros minutos de partida em Singapura, parecia que o escrete canarinho finalmente teria uma boa atuação. Principalmente pela jogada do primeiro gol (marcado por Roberto Firmino). Philippe Coutinho deixa o lado esquerdo e vem jogar mais por dentro junto a Arthur. Mais atrás, Daniel Alves aparece como mais um “armador” pela intermediária. E na frente, Gabriel Jesus sai em direção ao meio e serve o atacante do Liverpool no espaço vazio. Uma boa variação para o 4-3-3 com movimentos inteligentes.

A Seleção Brasileira teve seu melhor momento aos 8 minutos de jogo, quando Gabriel Jesus serviu Firmino no espaço entre os zagueiros senegaleses e abriu o placar. E foi só isso. Essa foi a única variação tática do time comandado por Tite durante toda a partida. Foto: Reprodução / TV Globo

A Seleção Brasileira inexplicavelmente parou depois de abrir o placar. O time simplesmente aceitou a marcação do organizado e intenso 4-1-4-1 de Aliou Cissé e foi dando campo para o adversário trabalhar as suas jogadas. E nesse processo todo, quem mais incomodava Daniel Alves, Marquinhos, Arthur, Thiago Silva e companhia era Sadio Mané. O companheiro de equipe de Roberto Firmino foi um dos melhores em campo e infernizou a defesa brasileira com muita velocidade, força física e passes certeiros para os companheiros de equipe. Numa de suas arrancadas pela esquerda, Mané sofreu o pênalti (claro) que seria bem convertido por Diédhiou no final da primeira etapa. Senegal não merecia mesmo estar perdendo o jogo.

Veio o segundo tempo e Tite resolveu promover as estreias de Renan Lodi e Matheus Henrique na Seleção Brasileira. No entanto, mesmo com as entradas de Richarlison e Everton Cebolinha, o panorama pouco mudou. Senegal seguia mais inteiro na partida e mais próximo do gol enquanto o escrete canarinho tetava chegar muito mais na base das jogadas individuais e dos lançamentos para Neymar (que pouco fez no seu jogo de número 100 com a camisa da Seleção). Aliás, fica difícil exigir qualquer coisa dos jogadores em campo quando Tite não busca variações táticas com o jogo em andamento. O Brasil jogou quase todos os 90 minutos num mesmo 4-4-2 que liberava seu camisa 10 de obrigações defensivas, mas que era completamente espaçado e quase sem mobilidade entre seus setores.

Tite manteve o 4-4-2 na Seleção Brasileira sem variar o esquema e buscar outras soluções para furar o bloqueio defensivo de Senegal. Peças para tentar algo novo não faltavam. Faltou mesmo é o treinador da Seleção Brasileira sair da mesmice e fazer sua equipe jogar mais e melhor. Foto: Reprodução / TV Globo

Enquanto Tite segue preso demais aos seus conceitos e trava seus jogadores em campo (o frame acima mostra bem isso), Gabigol, Rodrigo Caio, Santos e outros atletas permaneceram no banco de reservas durante toda a partida para a ira dos torcedores nas redes sociais. O treinador da Seleção Brasileira teve a oportunidade de colocar estes atletas em campo e calar (ainda que momentaneamente) seus críticos, mas preferiu morrer abraçado com seus conceitos e o time que vinha em campo jogando muito mal. Acaba que fica cada vez mais difícil entender o que Tite quer para a Seleção Brasileira e defendê-lo das críticas por escolher este ou aquele nome. Ele acerta nas críticas à empresa que organiza os amistosos da Seleção Brasileira, mas entra em contradição no minuto seguinte ao não se ajudar.

O escrete canarinho está há três partidas sem vencer e as últimas atuações do time não dão a entender que veremos alguma evolução. Como dissemos anteriormente, Tite tem opções para repensar e tentar algo novo. Só resta saber se ele terá a disposição e a iniciativa de tentar alguma coisa na próxima partida.

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