Papo Tático: Cruzeiro e Fluminense fazem jogo que explicam bem suas posições na tabela do Brasileirão; entenda

Raposa pressiona mais durante os 90 minutos, mas não sai do zero a zero com o Tricolor das Laranjeiras; jogo foi marcado pela péssima utilização do VAR

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Merçon / Fluminense FC

O empate sem gols entre Cruzeiro e Fluminense acabou sendo marcado por dois pontos cruciais. O primeiro foi a péssima utilização do VAR pelo árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima (o popular e polêmico “Vin Diesel”) e toda a equipe presente no Mineirão. O segundo (e que talvez explique melhor o que foi a partida) foi a pobreza de ideias das duas equipes. Se Abel Braga apostou num anacrônico 4-4-2 com dois centroavantes enfiados na área, Marcão manteve a postura mais cautelosa de olho numa chance que acabou não aparecendo. Acabou que só podia dar zero a zero mesmo.

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O Cruzeiro partiu para o ataque logo no início da partida. Ainda que na base do abafa, a Raposa chegava com boas jogadas pelos lados, mas perdeu intensidade conforme o tempo ia passando e o Fluminense ia encaixando a sua marcação. Mesmo assim, enquanto a Raposa abusava dos cruzamentos em busca de Sassá e Fred, os comandados de Marcão só levavam algum perigo em escanteios e cobranças de falta. Se Daniel e Nenê participavam bem das ações no meio-campo, Ganso repetia o panorama das últimas partidas: muita lentidão na saída de bola e pouquíssima velocidade nos passes nas tramas ofensivas. Difícil entender como o camisa 10 mantém tanta influência no elenco entregando tão pouco.

É bem verdade que Abel Braga se viu obrigado a utilizar um 4-4-2 mais ortodoxo no Cruzeiro por conta de lesões e suspensões de jogadores importantes no elenco celeste. A grande questão aqui (além das escolhas do treinador) está no preparo físico da equipe. Impressionante como o time caiu de produção após colocar um pouco de intensidade na primeira etapa. O panorama melhorou um pouco na segunda etapa com as entradas de Marquinhos Gabriel e dos jovens Mauricio e Vinícius Popó. O time ganhou um pouco mais de mobilidade, mas seguia sentindo demais a falta de quem pensasse o jogo no meio-campo. Ainda mais com a péssima noite de Jadson, que errou passes bobos no meio-campo e caiu na pilha dos jogadores adversários mais de uma vez.

Já o Fluminense deixou a sensação de que poderia ter feito mais se tivesse um pouco mais de ousadia nos minutos finais. Ainda mais com as mexidas corretas de Marcão na segunda metade da etapa final e a adoção de um 4-2-3-1 com Nenê jogando mais por dentro e jogadores rápidos na frente. Faltou perna e falou também capricho na saída de bola tricolor. Não foram poucas as vezes em que Yony González, João Pedro e Nenê ficaram livres na frente e não receberam o passe e/ou o lançamento certo. Ao mesmo tempo, os três também tomaram decisões erradas em momentos capitais da partida. Claro que o pontinho conquistado fora de casa deve ser comemorado sim. Ainda mais num momento como esse. Mas o Flu poderia ter feito mais diante do nervosismo de seu adversário.

A situação do Cruzeiro é preocupante. O time não vence há sete rodadas no Brasileirão e vai permanecer na zona do rebaixamento por pelo menos mais duas rodadas. Abel Braga chegou com a aprovação dos líderes do elenco, mas ainda não teve tempo de entregar algo diferente daquilo que vinha sendo feito por Mano Menezes e Rogério Ceni. É bem verdade que todo o time pode reclamar da utilização do VAR e de como o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima conduziu o jogo. Mas a impressão que fica depois do jogo desta quarta-feira (9) é que o Cruzeiro seguirá marcando passo por mais algum tempo ou até que todo o elenco celeste esteja à disposição de Abel Braga. A atuação de alguns jogadores diante do Fluminense diz muito sobre o momento do clube.

Em tempo: o que estão fazendo com o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro é um crime. É impressionante como estão utilizando mal uma ferramenta que deveria servir para diminuir as dúvidas e tornar o jogo mais justo. Parece até que fazem de propósito para estragar o espetáculo. Lamentável.

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