Papo Tático: Pia Sundhage segue em busca de uma organizadora de jogadas para a Seleção Feminina

Brasil levou sustos, mas venceu a Polônia por 3 a 1 com gols de Formiga, Tamires e Debinha; goleira Bárbara também brilhou com grandes defesas

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Daniela Porcelli / CBF

Assim como falamos na análise do jogo contra a Inglaterra, qualquer julgamento sobre o trabalho de Pia Sundhage à frente da Seleção Feminina pode soar precipitado. Ao mesmo tempo, no entanto, é possível extrair algumas coisas daquilo que a treinadora sueca pensa para a equipe brasileira. A vitória por 3 a 1 sobre a Polônia nesta terça-feira (8), em Kielce, deixou clara (mais uma vez) que Pia vem fazendo seus testes em busca uma armadora, uma organizadora de jogadas para o escrete canarinho. Por outro lado, apesar das oscilações (normais) em jogos desse tipo, o panorama segue animador.

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Pia Sundhage manteve seu 4-4-2 preferido na Seleção Feminina. Marta e Andressa Alves jogavam pelos lados, Thaisa e Formiga protegiam a zaga e iniciavam as transições ofensivas e a dupla de ataque formada por Ludmila e Victória se movimentava bastante na frente. O grande problema estava na recomposição. Mesmo com o gol de Formiga logo no início da partida, o escrete brasileiro sofria com as bolas longas e os contra-ataques poloneses, já que Ewa Pajor levava ampla vantagem sobre a defesa brasileira. Formiga e Thaisa acabaram sobrecarregadas na marcação já que nem Andressa Alves e nem Marta acompanhavam as laterais adversárias. Se não fosse Bárbara, as coisas poderiam ter ficado ainda mais complicadas.

Pia Sundhage manteve seu 4-4-2 básico na Seleção Feminina, mas viu sua equipe fazer um primeiro tempo muito abaixo do que pode diante de uma Polônia organizada e veloz. Marta e Andressa Alves jogaram pelos lados e ajudaram pouco na recomposição. Foto: Reprodução / SporTV

Talvez um dos pontos mais positivos do trabalho de Pia Sundhage nessas quatro primeiras partidas à frente da Seleção Feminina é o fato dela não ter receio de fazer testes e buscar coisas novas. Assim que o Brasil voltou do intervalo, Poliana, Thaisa e Victória saíram para as entradas de Kathellen, Luana e Debinha, rearrumando o time num 4-2-3-1 que deixava Marta mais próxima do gol armando mais o jogo e sem muitas obrigações defensivas. Vale destacar mais uma vez que Debinha teve outra boa atuação. A camisa 9 encorpou o time e levou a defesa polonesa à loucura com suas arrancadas pelo lado direito. O escrete canarinho finalmente recuperava a velocidade e intensidade que Pia tanto desejava.

As entradas de Debinha, Luana e Kathellen rearrumaram a Seleção Feminina num 4-2-3-1 que liberava Marta para encostar no ataque. As mudanças de Pia deixaram o time mais veloz e intenso nas transições ofensivas. Foto: Reprodução / SporTV

Em entrevista às Dibradoras logo depois da partida, Pia falou sobre a entrada de Debinha, o posicionamento de Kathellen na lateral-direita e também revelou que pediu para Luana “avançar e somar no ataque”. A construção do terceiro gol da Seleção Feminina (em belíssima jogada de Ludmila) teve o dedo da treinadora. Luana aparece no ataque um pouco à frente de Marta quase como uma quarta jogadora de meio-campo num 4-1-4-1 mais móvel. É uma opção interessante para a camisa 10 ter com quem dividir a criação no meio e preencher ainda mais o setor ofensivo contra defesas mais compactadas e sólidas, como foi o caso da Polônia. Formiga aparece na intermediária esperando a sobra e Kathellen aparece no corredor deixado por Debinha na jogada.

Luana parte para o ataque e transforma o 4-2-3-1 num 4-1-4-1 móvel e mais intenso nas transições. A orientação de Pia deu certo e o Brasil construiu uma boa vitória contra a equipe polonesa. Foto: Reprodução / SporTV

Pia Sundhage já testou 28 jogadoras na preparação da Seleção Feminina para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e a tendência é que os testes continuem. As mudanças no desenho tático e a insatisfação da treinadora com a atuação na primeira etapa deixam claro que ela ainda busca uma jogadora que possa ditar o ritmo do time sem que as jogadoras fiquem perdidas nas transições ofensivas ou abusem das ligações diretas (como nos tempos de Vadão). O jogo está sim mais cadenciado e trabalhado (principalmente pelos lados do campo), mas ainda falta o nome certo. Este que escreve aprovou o 4-1-4-1 com Luana e Marta alinhadas que Pia usou no segundo tempo. Falta é achar a formação certa e o equilíbrio entre os setores. Pontos que virão apenas com o tempo.

Temos uma ideia de jogo bem clara. Ainda é preciso ajustar peças, corrigir erros e encontrar as atletas ideais para o que Pia Sundhage pensa para a Seleção Feminina. O futuro da Seleção Feminina segue promissor. Assim como a expectativa para Tóquio 2020.

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