Papo Tático: River Plate tem atuação de candidato ao título e amassa um Boca Juniors acanhado e sem ideias

Time de Marcelo Gallardo venceu o rival por 2 a 0 nesta terça-feira (2) e abriu boa vantagem nas semifinais da Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Conmebol Libertadores

De um lado, o River Plate intenso e pulsante de Marcelo Gallardo. Do outro, o Boca Juniors sem ideias e acanhado de Gustavo Alfaro. O resultado não poderia ser outro no Monumental de Núñez. Os Millonarios venceram o primeiro jogo das semifinais da Libertadores com autoridade e abriram uma boa vantagem sobre os xeneizes na briga por uma vaga na decisão. Mais do que o resultado positivo, a partida mostrou que o River ainda é o time a ser batido aqui na América do Sul e pinta como forte candidato ao título deste ano. Belíssimo trabalho de Marcelo Gallardo.

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As duas equipes entraram em campo com propostas de jogo bem definidas. Enquanto o Boca Juniors se fechava num 4-1-4-1 que vivia das bolas longas de Mac Allister e Reynoso para Ábila se virar no ataque, O River Plate entrou em campo armado num 4-1-3-2 de muita intensidade e bastante concentrado. Enzo Pérez (na proteção da zaga) dava suporte a Palacios (mais centralizado) e De La Cruz e Ignacio Fernández pelos lados e alternando o posicionamento. Mais à frente, Suárez e Borré prendiam os laterais do Boca e deixavam a saída de bola com os zagueiros xeneizes. Nem mesmo com o gol de pênalti marcado pelo camisa 19 diminuiu o ímpeto dos Millonarios.

Enquanto o Boca Juniors entrou em campo mais fechado num 4-1-4-1 bem definido, o River Plate mostrou intensidade e concentração no bem arrumado 4-1-3-2 de Marcelo Gallardo. Foto: Reprodução / YouTube / FOX Sports Brasil

Além do bom jogo coletivo do River, o que chamava a atenção no jogo era a postura do Boca Juniors. O técnico Gustavo Alfaro adotou a estratégia de aguardar o rival no seu campo e apostar nas bolas longas para Ábila (isolado no ataque) fazer o pivô e segurar a bola na frente. Em suma: o escrete xeneize jogou “por uma bola” tal como se faz por aqui na grande maioria das partidas do Campeonato Brasileiro. Na melhor chance, Ábila recebeu de Reynoso e serviu Capaldo que entrava livre pela esquerda, mas o camisa 14 bateu por cima na frente de Armani. Essa postura mais títima e sem ideias acabou prejudicando demais os comandados de Gustavo Alfaro no jogo disputado no Monumental de Núñez.

O Boca Juniors jogou “por uma bola” e se manteve fechado na defesa durante boa parte dos 90 minutos. Ábila brigou sozinho na frente e teve que se virar para criar chances. Foto: Reprodução / YouTube / FOX Sports Brasil

Ao mesmo tempo, o que impressionava de verdade era a dinâmica das transições ofensivas do time comandado por Marcelo Gallardo. A jogada do gol de Ignacio Fernández deveria ser emoldurada. Sem exageros. Montiel encaixa o passe para Suárez que faz o pivô e abre a defesa (com Casco na sua marcação). Fernández acelera, recebe na intermediária e devolve a bola para o camisa 7 ir até a linha de fundo e cruzar para o mesmo Fernández colocar a bola no fundo das redes de Andrada. A construção da jogada do gol e do resultado em sim nasceu das ideias de Marcelo Gallardo e da execução dos jogadores. O River Plate é rápido, leve, vertical e intenso. Com e sem a bola.

A jogada do segundo gol do River Plate é uma boa amostra das ideias de Marcelo Gallardo. A dinâmica de Fernández, De La Cruz, Suárez e Scocco impressiona pela sincronia de movimentos e pela boa execução. Foto: Reprodução / YouTube / FOX Sports Brasil

A diferença do nível de jogo entre River e Boca foi assustadora nesta terça-feira (1). Não somente nas peças em campo, mas no âmbito coletivo. O time de Gustavo Alfaro parecia desconcentrado, pragmático ao extremo e até certo ponto tímido diante de uma equipe com repertório vastíssimo de jogadas e de alternativas nas mais variadas situações de jogo. Mesmo com a partida de volta marcada para a Bombonera (onde o Boca costuma crescer de produção), a tendência é que o River Plate se garanta na sua segunda final de Copa Libertadores da América seguida sem muitos problemas. Até pelo bannho tático que Marcelo Gallardo deu em Gustavo Alfaro.

Certo é que Grêmio e Flamengo terão muito trabalho contra o River Plate na decisão. Mesmo com as duas equipes jogando o futebol mais vistoso do Brasil (junto com o Athletico Paranaense de Tiago Nunes). Os Millonarios são a equipe a ser batida na América do Sul.

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