Papo Tático: Pressão e garra do Boca Juniors expõem pontos fracos do River Plate de Marcelo Gallardo

Vitória por 1 a 0 dentro da Bombonera não é suficiente para colocar o Boca na final da Libertadores, mas mostram caminhos para superar o time comandado por Marcelo Gallardo

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Conmebol Libertadores

Este que escreve já falou anteriormente que o River Plate de Marcelo Gallardo é o time a ser batido na América do Sul. Os Millonarios jogam juntos há bastante tempo e compreendem com uma facilidade assombrosa todos os conceitos do seu treinador (tido como o mais importante da história do clube argentino). No entanto, a derrota para o Boca Juniors por 1 a 0 nesta terça-feira (22) mostrou que o River é sim uma equipe fortíssima, mas não é imbatível. Mesmo sem a vaga na final (e sem mostrar um jogo coletivo lá muito consistente), os comandados de Gustavo Alfaro conseguiram expôr algumas das deficiências do time de Marcelo Gallardo para seus futuros adversários na decisão da Copa Libertadores da América.

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A vantagem obtida pelo River Plate no Monumental de Núñez era significativa e obrigou o técnico Gustavo Alfaro pensar sua equipe de maneira bem menos pragmática do que na partida de ida das semifinais. A entrada de Carlitos Tévez no setor ofensivo do Boca Juniors se deu justamente por esse motivo, ainda que a equipe xeneize não conseguisse produzir muita coisa além das bolas longas para Ábila brigar entre os zagueiros do River Plate. O time de Marcelo Gallardo, por sua vez, mantinha seu 4-1-3-2 de bastante aproximação e passes curtos sem, no entanto, imprimir a intensidade nas transições percebida em outras partidas da equipe na Copa Libertadores da América. Percebia-se desde o começo que a estratégia de Gustavo Alfaro era fazer com que o Boca jogasse em cima do erro do River Plate, seja na saída de bola, num posicionamento ou nas bolas levantadas na área.

River Plate de Marcelo Gallardo organizado no seu 4-1-3-2 costumeiro e o Boca Juniors partindo em velocidade para receber a bola longa no ataque. Esse foi o panorama durante quase todos os noventa e poucos minutos na Bombonera. Foto: Reprodução / FOX Sports

Mesmo inferior coletivamente e sem muitas ideias para colocar em prática, o Boca Juniors levou perigo ao gol defendido por Armani muito mais na base do abafa do que nas jogadas trabalhadas. Por outro lado, sempre que o River Plate impunha seu estilo mais intenso nas transições e nas trocas de bola, as chances apareciam com certa facilidade. Impossível não perceber que a melhor chance do River surgiu justamente quando o time forçou o erro na saída de bola do Boca Juniors. Mas parecia que os comandados de Marcelo Gallardo estavam satisfeitos com a vantagem e apenas iam administrando o tempo sem se preocupar muito com a força do seu adversário jogando diante da sua torcida. Borré, De La Cruz e Suárez perderam boas chances ainda no primeiro tempo, apesar de todo o time dos Millonarios ter jogado bem abaixo do que pode. Faltava mais conjunto e mais concentração.

A melhor chance do River Plate em toda a partida surgiu quando o time forçou o erro na saída de bola do Boca Juniors. Mesmo com a vaga na final, os comandados de Marcelo Gallardo ficaram devendo uma boa atuação na Bombonera. Foto: Reprodução / FOX Sports

Ao mesmo tempo em que pecava pela falta de intensidade nas suas transições, o time do River Plate cometia outro erro que pode ser fatal contra equipes mais arrumadas coletivamente: a marcação na bola aérea. Ainda que a vatagem no placar agregado fosse grande e que a partida estivesse relativamente controlada até a metade da segunda etapa, não foram poucas as vezes em que o Boca Juniors chegou ao gol de Armani através desse recurso. A primeira vez aconteceu em gol (bem) anulado de Salvio ainda na primeira etapa. E a segunda, foi com Hurtado após cabeçada de Lisandro López, aos 34 minutos do segundo tempo. Justamnete o gol que incendiou a Bombonera e que deu novas esperanças ao time de Gustavo Alfaro. Até o apito final, o Boca Juniors foi muito mais coração do que coletivo e muito mais garra do que estratégia. Mesmo assim, não foi suficiente.

A marcação nas bolas levantadas na área foi o grande ponto fraco dos comandados de Marcelo Gallardo na partida diante do Boca Juniors. Foram pelo menos quatro chances criadas pelos xeneizes dessa maneira durante a partida. Foto: Reprodução / FOX Sports

Este que escreve já falou mais de uma vez da admiração que tem pelo trabalho de Marcelo Gallardo e pela maneira com que ele enxerga o futebol. Não é qualquer treinador que chega à sua terceira final de Copa Libertadores da América em cinco anos e com uma equipe extremamente bem montada e organizada. Nomes como Montiel, Armani, Enzo Pérez (meia de origem adaptado como volante), De La Cruz, Ignacio Fernández, Palacios e Matías Suárez têm condições de jogar em alto nível em boa parte dos times da Europa e a maneira como o River Plate joga traz um pouco da essência do futebol argentino de toque de bola e bastante fluidez. Por outro lado, a atuação contra o Boca Juniors (ainda que sem muito brilho coletivo) mostrou um River um pouco mais acomodado, desligado e que se mostrou bastante incomodado quando pressionado na sua saída de bola.

O River Plate segue como o time a ser batido e o favorito ao título da Libertadores de 2019 contra Flamengo ou Grêmio. Mas o que se viu na Bombonera nesta terça-feira (22) pode ter mostrado mais do que Marcelo Gallardo queria que aparecesse. Afinal, seu time não é imbatível no final das contas.

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