Papo Tático: Santos aplica conceitos de Jorge Sampaoli com eficiência e subjuga o Palmeiras na Vila Belmiro

Peixe vence o jogo por 2 a 0 e assume a vice-liderança do Campeonato Brasileiro; Santos impõe primeira derrota de Mano Menezes desde que ele chegou ao Palmeiras

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

Muito se tem falado sobre o trabalho de Jorge Sampaoli no Santos. O argentino vem conseguindo tirar muita coisa de um elenco nem tão badalado assim e feito sua equipe jogar em alta velocidade e intensidade. A atuação do Peixe sobre o Palmeiras nesta quarta-feira (9) foi uma bela amostra de onde se pode chegar quando os preceitos de Sampaoli são bem aplicados e bem executados. Ainda mais diante de um adversário que até que criou chances, mas não mostrou muita força ofensiva e permaneceu atônito e inerte diante de um Santos envolvente e insinuante nas tramas ofensivas. Destaque para as boas atuações de Jorge, Diego Pituca, Eduardo Sasha, Carlos Sánchez e Jean Mota.

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Os primeiros 20 minutos da partida na Vila Belmiro mostraram um Santos intenso na marcação sob pressão e nas jogadas de ataque. Jorge Sampaoli armou sua equipe num 4-3-3 sem marcador nato e viu sua equipe tomar conta do meio-campo com boas trocas de passe. Marinho e Tailson jogavam bem abertos, Carlos Sánchez e Jean Mota chegavam por dentro e Eduardo Sasha se movimentava nos espaços deixados às costas de Felipe Melo e Bruno Henrique. Tudo para bagunçar a última linha do costumeiro 4-2-3-1 de Mano Menezes. O Palmeiras, por sua vez, perdeu Luiz Adriano ainda no primeiro tempo e viu sua equipe se desmanchar após os gols de Gustavo Henrique e Marinho antes da metade da primeira etapa.

Palmeiras vs Santos - Football tactics and formations

Santos acelerando as jogadas e marcando forte a saída de bola do Palmeiras. Os primeiros 20 minutos da primeira etapa foram de um domínio quase que total do time comandado por Jorge Sampaoli. Link do Share My Tactics.

É bem verdade que o Palmeiras aproveitou a queda no ritmo do seu adversário para criar suas chances de gol (em chutes de Gustavo Scarpa e Dudu). Mas foi pouco diante de um adversário que não deixou de buscar o ataque e nenhum momento. Ainda mais quando a goleada de 4 a 0 sofrida diante do rival no primeiro turno do Brasileirão ainda estava entalada. Ao mesmo tempo, o time de Mano Menezes muito mais correu atrás do Santos do que tentou se impor através da estratégia do treinador alviverde. Se já estava difícil com Luiz Adriano, ficou ainda mais complicado com Carlos Eduardo completamente perdido como uma espécie de “falso nove” e com Dudu abusando das jogadas individuais. Gustavo Scarpa e Bruno Henrique também não foram bem nesta quarta-feira (9).

Veio o segundo tempo e o Santos manteve a posse de bola para evitar qualquer possível reação do Palmeiras. O controle do jogo por parte dos comandados de Jorge Sampaoli (que deu aula grátis de transição ofensiva durante os noventa e poucos minutos de partida) também serviu para acabar com os nervos já em frangalhos dos jogadores do Palmeiras. Enquanto Mano Menezes tentava mais uma cartada (sem muito sucesso) com a entrada de Zé Rafael no lugar de Gustavo Scarpa, o Peixe mantinha a postura ofensiva e ia vendo seu rival sucumbir e a torcida gritar “olé” nas arquibancadas da Vila Belmiro. Ainda houve tempo para Willian Bigode ser expulso (de maneira justa na opinião deste que escreve) com o auxílio do VAR. E se estava difícil com 11 em campo, ficou ainda mais complicado com um a menos.

Santos vs Palmeiras - Football tactics and formations

Até a expulsão de Willian Bigode na metade da segunda etapa, o Palmeiras tentava levar perigo ao gol de Everson com um 4-2-3-1 que não funcionou como Mano esperava. O Santos de Sampaoli manteve a posse de bola e foi controlando o jogo até o final. Link do Share My Tactics.

Os conceitos de Jorge Sampaoli, tudo aquilo que ele pensa para suas equipes dentro de campo, estiveram presentes na boa vitória do Santos sobre o Palmeiras. O Peixe foi intenso, veloz e móvel em todos os setores. Vale destacar (e muito) a atuação do meio-campo sem volantes de marcação do argentino. Diego Pituca qualificava o passe na saída de bola, Jean Mota acionava os atacantes e os laterais (que apareciam por dentro com uma certa frequência) e Carlos Sánchez surgia no setor ofensivo como uma flecha, dando o toque de força que faltava ao time santista. Do outro lado, a primeira derrota da “era Mano” no Palmeiras chega a ser emblemática. O Palmeiras cometia os velhos erros de um passado nem tão distante assim e voltava a ser inofensivo no ataque. Situação preocupante.

O Santos mostrou mais uma vez que tem sim bala na agulha para brigar pelo título do Campeonato Brasileiro. Mesmo sem um elenco badalado como Flamengo e Palmeiras, o Peixe vai comendo pelas beiradas e colocando em prática todos os preceitos de Jorge Sampaoli. A posição do time na tabela fala por si só.

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