Papo Tático: Boa vitória do Vasco sobre o Internacional é mais uma prova do ótimo trabalho de Vanderlei Luxemburgo; entenda

Trem Bala da Colina acabou um jejum de 12 anos sem vitórias sobre o Inter no Beira-Rio e se afastou de vez da zona do rebaixamento; Marrony, Guarín e Fernando Miguel foram os destaques

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Carlos Gregório Jr. / Vasco

Quem diria que o Vasco fosse vencer o Internacional jogando fora de casa depois de apontado como candidato ao rebaixamento no início do Brasileirão? A vitória do Trem Bala da Colina no Beira-Rio foi importantíssima diante de toda a situação apontada do clube na temporada. Mas é preciso deixar claro que ela não foi obra do acaso, mas sim, fruto do bom trabalho de Vanderlei Luxemburgo à frente da equipe. O treinador também contou com as boas atuações de Leandro Castan e (principalmente) Fernando Miguel depois que sua equipe recuou demais após abrir o placar com Marrony (outro que jogou muito). De toda maneira, é um resultado que deve sim ser muito celebrado e comemorado lá pelos lados de São Januário.

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O Vasco entrou em campo com a mesma proposta das últimas partidas: defesa fechada e saída rápida para o ataque com as bolas para Rossi e Marrony pelos lados. Mais centralizado, Felipe Ferreira encostava em Ribamar tal como na vitória sobre o BOtafogo na última quarta-feira (16). Já o Internacional (comandado por Ricardo Colbachini) mantinha o 4-1-4-1 costumeiro da equipe com D’Alessandro armando o jogo a partir do lado direito, Patrick e Edenílson chegando por dentro e Guerrero encontrando muitas dificuldades diante da bem postada defesa vascaína. O Colorado tinha mais posse de bola, mas chegava na base dos cruzamentos para a área. Faltava quem colocasse a bola no chão nos dois lados. Enquanto isso, Ribamar desperdiçava boas chances para balançar as redes.

Este que escreve também anularia o (belíssimo) gol de D’Alessandro por falta de Cuesta em cima de Henrique. O que não dá pra entender é a atitude da arbitragem. Vinicius Gonçalves Dias Araujo chegou a levar o apito à boca no lance, mas preferiu esperar o lance se confirmar para depois invalidar o gol após longa consulta ao VAR. A falta de convicção dos nossos árbitros é absurda. O que também preocupava o torcedor colorado era a falta de criatividade no meio-campo da sua equipe. D’Alessandro (quando tinha liberdade) até conseguia organizar bons lances, mas seguia como única “cabeça pensante” do time de Ricardo Colbachini. Faltas de opções e problemas que não vem de hoje lá pelos lados do Beira-Rio. E isso sem falar na tarde apagada de Nico López e Edenílson.

O “dedo” de Luxemburgo entrou em ação após o intervalo. O técnico do Vasco sacou Ribamar e mandou o colombiano Guarín para encorpar mais o meio-campo, melhorar o passe e espelhar o 4-1-4-1 do Internacional. A mexida deu certo e sua equipe chegou ao gol com Marrony aproveitando sobra de chute de Rossi. Com o rival em vantagem, Ricardo Colbachini sacou Nico López para a entrada de Sarrafiore e mandou o Internacional para o ataque. D’Alessandro ganhou mais liberdade e Patrick foi jogar praticamente como um ponta-esquerda utilizando bastante a sua força física. Com o Vasco recuando demais depois do gol, o time colorado teve bastante espaço para chegar no ataque e criou boas oportunidades com Guerrero, Sarrafiore, D’Alessandro e Wellington Silva, quase todas elas paradas por Fernando Miguel, o melhor em campo.

Muito se tem falado sobre o trabalho de Vanderlei Luxemburgo nos últimos anos. Ao aceitar o comando do Vasco, o “pofexô” aceitou talvez a missão mais complicada da sua vitoriosa carreira. E pelo que tem se visto até o momento, os jogadores vêm comprando a sua ideia e dando a alma em campo. Além disso, o treinador vem mostrando variações táticas interessantes (tal como a mudança do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com a entrada de Guarín no lugar de Ribamar) e também segurando a onda de um grupo que sofre com meses e meses de salários atrasados e com as trapalhadas de uma diretoria que não consegue se achar. Difícil cravar que um treinador está ultrapassado ou não antes de vê-lo trabalhar. E o “pofexô” vem calando os críticos fazendo o Vasco jogar um futebol bem acima das expectativas.

Se o Vasco está conseguindo se recuperar no Campeonato Brasileiro (e até sonhar com uma vaguinha no G6), muito se deve ao trabalho de Vanderlei Luxemburgo nesses últimos meses lá pelos lados de São Januário. Ao contrário do que muita gente (inclusive da imprensa cravava), o brilho está voltando. E com força.

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