Paulinho McLaren critica Lei Pelé e diz que FPF está acabando com o futebol do interior

Paulinho McLaren brilhou em grandes clubes brasileiros, mas conhece o futebol do interior como a palma da própria mão

Iberê Riveras
Colaborador do Torcedores

Crédito: Paulinho McLaren, à direita do craque Neto (arquivo pessoal)

Santistas, cruzeirenses, colorados, torcedores da Lusa têm em Paulinho McLaren a lembrança de um centroavante das antigas, rápido e goleador. Foram quase 500 gols em 18 anos de carreira, por 19 clubes.

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No entanto, Paulo César Vieira Rosa é um autêntico filho do interior de São Paulo. Nascido em Igaraçu do Tietê, cidade próxima a Jaú, foi revelado pelo Bandeirante de Birigui e perambulou por vários clubes ‘caipiras’ antes de, em suas palavras, ‘correr trecho’ – jogou até em Portugal, Japão e Estados Unidos. Depois, como técnico, voltou às origens, mora em São João da Boa Vista e já defendeu as cores de vários ’pequenos gigantes’.

McLaren é, em termos de personalidade, da escola de Renato Gaúcho. Alto astral, irreverente, mas firme em suas posições, por vezes contundente. Há semelhanças também na forma como veem o futebol: gostam da bola bem jogada, priorizam o ataque.

O ex-camisa 9 é daqueles personagens que deveriam ocupar a função de consultores do futebol do interior paulista de tanto que sabem dos bastidores desta realidade.

O apelido de McLaren

‘Em 91, quando eu estava no Santos, o Ayrton Senna estava em grande fase na McLaren. Eu gostava de comemorar gols de forma temática e no sábado em que o Senna fez a pole-position para a sua primeira vitória no Brasil, o homenageei ao fazer um gol contra o Vitória da Bahia, na Vila Belmiro. O Milton Neves começou a falar ‘Paulinho McLaren’ no rádio e pronto, pegou. Aquele foi um ano mágico porque o Senna acabou campeão do mundo e eu artilheiro do Brasileiro com 15 gols em 13 jogos. Era vitória do Senna no domingo de manhã e gol meu à tarde.’

O interior no começo de Paulinho McLaren como jogador

‘Meu pai trabalhava em construção civil e fomos para Birigui quando eu era jovenzinho. Fiz o colegial, joguei salão e com 17 anos comecei nos juniores do Bandeirante. Naquela geração de 80 não tinha base, era treinar dois dias da semana no antigo estádio Roberto Clark e ir para os jogos. Em 82, fui convocado para a Seleção Paulista de Juniores pelo Sebastião Lapolla, fomos campeões brasileiros. Em 84, chegou um diretor no Bandeirante que quis mudar tudo, peguei o meu passe e comecei minha trajetória’

A velha Intermediária

‘Em 83, por exemplo, o Bandeirante disputava a Intermediária com mais de 50 clubes, grupos regionalizados, só cruzavam no quadrangular final. Era uma fórmula de disputa atraente, turno e returno, jogo quase o ano todo. Um dos campeonatos mais difíceis que disputei.’

A ‘batalha do Barão de Serra Negra’

‘Não atuei naquela partida, mas o jogo decisivo da Intermediária de 83 entrou para a história por causa de uma briga homérica, com invasão da torcida, pancadaria, foi feio demais. Apesar disso, se você puxar o vídeo do jogo pela internet vai ver como a Intermediária mobilizava o interior.’

McLaren e o giro pelo interior

‘Antes do Athletico Paranaense em 89, joguei por Serra Negra, Sãocarlense, Comercial, Barretos e Votuporanguense. A estrutura de todos era bem simples, só no Comercial que foi diferente, com estádio grande, alojamento. Por todas as equipes que passei fui artilheiro, só no Barretos foram 26 gols.’

A ‘base’ como treinador

‘Meu primeiro trabalho foi em 2005, Copa Paulista pelo Taquaritinga. Foi um período bastante puxado porque estava fazendo ao mesmo tempo a faculdade de Educação Física em São João da Boa Vista. Em 2007, já formado, queria trabalhar com a base e tive essa oportunidade com o Osmar Cetim no Limeira, um clube que se dedica exclusivamente à formação de atletas. Ali pude treinar o meu olhar, ver de perto onde estão as deficiências dos atletas, como corrigir na raiz. Um jogador com dificuldade no fundamento certamente teve uma base atribulada, provavelmente porque tiveram pressa para colocá-lo no time principal para vender. Na verdade, sempre foi assim, mas a Lei Pelé mudou tudo, para pior.’

Limeira Futebol Clube

‘É um centro de excelência, um caminho interessante. Eles angariam atletas, oferecem boa estrutura e através de parcerias, colocam os jogadores na vitrine. Poucos clubes grandes trabalham com formação, eles só compram, vão atrás de quem já está pronto. Não vejo problemas no clube terceirizar sua base, desde que este trabalho seja realizado por pessoas qualificadas, um trabalho profissional. O Limeira é um exemplo de como isso pode dar certo.’

O interior, agora como técnico

‘Comandei times do interior de São Paulo e Minas: Rio Claro, Itapirense, União São João, Capivariano, Taubaté, Uberlândia, São José, Barretos, Francana. Em comum, o fato de ter mais cobrança por resultado do que tempo para implantar uma ideia de jogo. Como é possível transmitir a bagagem acumulada ao longo de uma vida em dois ou três meses? Fechei agora com o União de Francisco Beltrão para disputar a 1ª divisão paranaense, um desafio enorme. Eles já têm uma base, chegaram alguns atletas do Londrina e levarei uns cinco ou seis atletas que já atuaram comigo no futebol do interior de São Paulo.’

Lei Pelé

‘Ela mata clubes e treinadores, o futebol hoje é interessante para empresários e jogadores de ponta. Falar de Palmeiras e São Paulo é fácil, é todo dia visto, tem milhões de investimento, mas o futebol não é isso, não é essa ponta do iceberg, ele é o iceberg. E embaixo está muito ruim, com esse monte de saci-pererê querendo ser empresário dono de clube. Ou seja, se você não estiver naquela ponta, em baixo você apanha bastante. A lei precisa ser revista, discutida por quem vive no futebol, jogadores, treinadores. Quem a elaborou nunca chutou uma bola. Não gosto desta demagogia acadêmica que vejo também em alguns veículos de comunicação. Falam com tanto argumento de uma realidade que nunca viveram.’

Os sanguessugas

‘A maioria dos empresários ligados à base dos clubes pequenos só quer lucro pessoal, dar o chapéu. O cara vai na base, acha um bom jogador, todo mundo quer, fala que o garoto parou de jogar bola, desistiu, e daqui a dois ou três meses ele aparece em outro clube. Essas empresas pegam os clubes, deixam quebrados e vão embora. Chega outra empresa e o círculo vicioso continua. Quer ver uma distorção? Atualmente, temos empresários que falam com autoridade sobre futebol, um erro grave. Eles entendem de negócios. Acho que o futebol morre aos poucos com isso, mas como entretenimento ele vai sendo comercializado dessa maneira que estamos vendo, apenas um negócio lucrativo.’

Paulinho e a vida como ela é

‘Eu acho que a Federação Paulista de Futebol está acabando com o futebol do interior. As últimas gestões têm sido excludentes, favorecem os grandes, mas não enxergam os pequenos. São centenas de jogadores, técnicos, que ficam de seis a oito meses parados esperando uma temporada acontecer. Tem muita coisa que precisa ser estudada, modificada de forma radical. Estão fazendo uma série A2, A3, com calendário de série A1, com equipes que tem Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana. Time pequeno não tem nada disso, não tem calendário. A Copa Paulista é até um fôlego para os caras manterem o clube em atividade, mas não é a solução.’

Final de semana quentíssimo pelo interior de São Paulo com partidas decisivas nas categorias de base, Copa Paulista e 4ª divisão. Todos os jogos do Sub-20 serão transmitidos pelo DAZN.

Paulista Sub-15

Quartas de final, jogos de ida

Sábado (19), 9h
Novorizontino x São Paulo, no Jorge Ismael de Biasi (Novo Horizonte)
Ponte Preta x Palmeiras, no Leonardo Barbieri (Águas de Lindoia)
Santos x Ferroviária, no CT Rei Pelé (Santos)
Corinthians x Red Bull, na Fazendinha (Tatuapé, em São Paulo)

Paulista Sub-17

Quartas de final, jogos de ida

Sábado (19), 11h
Audax x Palmeiras, no José Liberatti (Osasco)
Novorizontino x Ituano, no Jorge Ismael de Biasi (Novo Horizonte)
São Paulo x Ponte Preta, no CT de Cotia
Primavera x Corinthians, no Ítalo Mário Limongi (Indaiatuba)

Paulista Sub-20 – 1ª

Quartas de final, jogos de ida

Sábado (19), 10h
Ituano x Corinthians, no Novelli Júnior (Itu) – DAZN
Sábado (19), 15h
Santos x Red Bull Brasil, no CT Rei Pelé (Santos) – DAZN
Domingo (20), 10h
Botafogo x Palmeiras, no Osvaldo Scatena (Batatais) – DAZN
São Caetano x São Paulo, no Anacleto Campanella (São Caetano do Sul) – DAZN

Paulista Sub-20 – 2ª

Quartas-de-final, jogos de volta:

Sexta (18)
São José 2 x 0 Brasilis de Águas de Lindoia – São José classificado
Bandeirante de Birigui 2 x 0 Catanduva – Bandeirante classificado

Sábado (19), 15h
Inter de Bebedouro x Taquaritinga (1 x 0)
XV de Jaú x Itapirense (1 x 2)

Copa Paulista

EC São Bernardo, São Caetano e Mirassol estão classificados para a semi. XV de Piracicaba e Comercial de Ribeirão Preto disputam a última vaga.
O campeão terá direito de escolha entre uma vaga na Copa do Brasil de 2020 ou a Série D de 2020; o vice-campeão fica com a vaga restante.

Os dois primeiros de cada grupo avançam para a semi.
Grupo 1: EC São Bernardo 11 pontos, XV de Piracicaba 8, Comercial de Ribeirão Preto 5 e Linense 3.
Grupo 2: São Caetano 13 pontos, Mirassol 8, Ferroviária 4 e Santo André 3.

Sábado (19), 16h
XV de Piracicaba x EC São Bernardo (um empate classifica o XV)
Comercial x Linense
São Caetano x Mirassol
Ferroviária x Santo André

4ª divisão de SP

Semifinal, jogos de volta:

Sábado (19), 16h
Paulista de Jundiaí x Flamengo de Guarulhos (2 x 0)
Domingo (20), 10h
Fernandópolis x Marília (0 x 2)

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