Por que o Brasil vai jogar contra seleções africanas na Ásia?

Seleção encara Senegal e Nigéria na quinta (10) e no domingo (13), respectivamente

Matheus Camargo
Colaborador do Torcedores

Crédito: Lucas Figueiredo/CBF

O Brasil entra em campo na quinta-feira (10) e no domingo (13) contra Senegal e Nigéria, respectivamente, duas das seleções africanas melhores ranqueadas pela FIFA.

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Porém, o que chama a atenção nos confrontos é o local: Singapura. A pequena cidade-estado que fica ao sul da Malásia e tem status de país é considerada a quarta nação mais rica do mundo e recebe a Seleção Brasileira após cinco anos.

O Brasil esteve por lá pouco tempo após a inauguração do Estádio Nacional, em outubro de 2014, e Neymar brilhou com quatro gols na goleada por 4 a 0 sobre o Japão.

Mas qual o motivo do Brasil voltar a atuar em amistosos em um país tão distante? A explicação é simples. A CBF vendeu os direitos dos jogos da Seleção a uma empresa chamada ISE, entidade de fachada nas Ilhas Cayman que, por força de contrato, manda e desmanda nos amistosos até o fim de 2022.

A empresa paga cerca de US$ 1 milhão à CBF, que não se envolve em escolha de estádios, infraestrutura e operação – essa que é de responsabilidade da Pitch, outra entidade que pagou cerca de US$ 2,1 milhões para atuar na organização dos confrontos.

Com isso, toda a renda da bilheteria vai para a ISE e apenas o valor fixo é da CBF, que não palpita em escolhas de estádios e locais para os amistosos do Brasil.

A Confederação até pode arcar com uma multa a pagar para se livrar do contrato com a empresa, que foi assinado em 2006, ainda na gestão de Ricardo Teixeira, e renovado em 2011, porém, não é provável. A revista Exame publicou em 2015 um trecho do documento que liga CBF e ISE.

“Se acaso a CBF cancelar sua participação na partida por qualquer razão, salvo por evento de força maior, a CBF reembolsará à ISE qualquer valor que tenha recebido da Taxa de Comparecimento, assim como também pagará à ISE uma indenização por danos no valor equivalente a duas (2) vezes a Taxa de Comparecimento estipulada na cláusula 12 acima.”

Os papeis indicam que além de escolher o local da maneira que quiser, a ISE também pode apontar jogadores para participarem de eventos e até mesmo de entrevistas coletivas.

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