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Relembre a única corrida da Fórmula 1 realizada em Brasília

Prova extra-campeonato foi realizada em 1974, e teve vitória de Emerson Fittipaldi

Leonardo Marson
Jornalista com passagens pelas revistas Racing e House Mag.

Crédito: Reprodução

Os fãs da Fórmula 1 que acompanham provas no Brasil sabem que o País recebe até os dias atuais corridas no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), e que o extinto autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ) também sediou o Grande Prêmio do Brasil. O que poucos sabem é que a maior categoria do automobilismo mundial realizou uma única prova em Brasília (DF).

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A corrida na capital federal, nomeada “Grande Prêmio Presidente Emílio Médici”, não contou pontos para o campeonato da Fórmula 1, e foi realizada no dia 3 de fevereiro de 1974, uma semana após a realização do Grande Prêmio do Brasil, disputado em Interlagos e vencido por Emerson Fittipaldi. A prova inaugurou o autódromo da capital federal.

Por ser extra-campeonato, a corrida teve um grid de apenas 12 pilotos, sendo Emerson Fittipaldi a grande estrela da prova, correndo com uma McLaren. Outros dois brasileiros alinharam naquele dia: José Carlos Pace, com um Surtees, e Wilsinho Fittipaldi, que correu com um Brabham e não disputava a temporada daquele ano por conta dos preparativos do lançamento da Copersucar. A Ferrari, porém, não mandou seus carros.

O circuito construído em Brasília tinha 5.475 metros e 12 curvas. A pole position ficou com o argentino Carlos Reutemann, que correu com um Brabham BT44, projetado por Gordon Murray, e que alcançou uma volta com média de 175 km/h. Fittipaldi ficou com a segunda posição, enquanto Jody Scheckter, com uma Tyrrell, largou em terceiro depois de marcar o mesmo tempo de Pace. Wilsinho ficou com a sétima posição.

A corrida começou às 11h30, e o que se viu foi Reutemann e Fittipaldi disparando na frente, enquanto Arturo Merzario, com um Iso, assumiu a terceira posição e se defendia dos ataques de Scheckter e Pace. O sul-africano deixou o italiano para trás na terceira volta, e passou a se aproximar dos líderes. Então, o campeão mundial de 1972 aproveitou um erro do argentino na sexta volta para tomar a liderança.

Reutemann perdeu rendimento e a segunda posição para Scheckter, abandonando na 11ª das 40 voltas com problemas de motor. Outro que sofreu com falhas no carro foi Pace, que teve que se encaminhar aos boxes. Wilsinho, por sua vez, apareceu na quinta posição após um problema no March de Hans-Joachim Stuck, ao passo que Emerson disparou na liderança da corrida.
Controlando com alguma tranquilidade o ritmo de Scheckter, Fittipaldi venceu a prova ao completar as 40 voltas com 12 segundos de vantagem sobre o sul-africano. Merzario foi o terceiro, enquanto Jochen Mass, Wilsinho Fittipaldi, Howden Ganley, Henri Pescarolo e Jean-Pierre Beltoise foram os outros que completaram a prova.

A corrida ainda contou com um caso curioso, como lembrado pela coluna “F1 Memória”, do jornalista Fred Sabino, no portal GloboEsporte.com. Nelson Piquet trabalhou nos boxes de Carlos Reutemann, então piloto da Brabham. Em 1981, Piquet venceu o campeonato justamente em cima do argentino, conquistando seu primeiro título mundial.

Brasília nunca mais receberia a Fórmula 1, tampouco outra das chamadas “categorias top” do automobilismo mundial. Uma reforma para que o hoje chamado Autódromo Nelson Piquet recebesse a Indy foi iniciada em 2014, visando uma corrida no ano seguinte. A obra, porém, foi interrompida após o Governo do Distrito Federal cancelar unilateralmente a realização da prova. Desde então, as obras jamais foram retomadas, e o autódromo ficou inutilizado.

Foto: reprodução

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