Renata Saporito: Final da Libertadores em jogo único é coisa para inglês ver

Torneio continental muda formato da decisão, e isso não deve ser tão bom para torcedores sul-americanos

Renata Saporito
Colaborador do Torcedores

Crédito: Getty Images

Um jogo. Sem lá e cá. Pela primeira vez, a final da Copa Libertadores será decidida em partida única. Dia 23 de novembro de 2019, no Estádio Nacional do Chile, em Santiago, Flamengo e River Plate decidem quem será o campeão da competição.

Campo neutro teria sido a principal motivação?

Segundo o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, motivos não faltaram pra tal decisão. O maior deles seria uma oportunidade para a América do Sul promover o torneio, a fim de obter visibilidade mundial para negociar os direitos de transmissão, além de inspirar todos os sul-americanos a sonhar grande.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva!
Siga o Torcedores também no Instagram

Mas e a tradição? O torcedor estaria feliz com esse novo formato da final da Libertadores?

Segundo a entidade, uma rigorosa análise de vários estudos técnicos foi feita, como organização das cidades, logística, segurança e infraestrutura, além de aspectos políticos, sociais, de mobilidade urbana e hospedagem. Os exemplos do Super Bowl e da Liga dos Campeões comprovam o sucesso da final em jogo único.

Mas lá não é cá.

E não vou nem citar o Super Bowl, já que a bola é oval.

Então, será que podemos comparar com uma final de Liga dos Campeões?

Creio que não.

São muitas as questões, mas a principal delas é cultural. O espetáculo em si já diz muita coisa. Os grandes jogadores são fundamentais como principal atrativo. Outro fator importante é a logística, por aqui os lugares são mais distantes – o que pesa no bolso -, e torna uma partida de futebol “inviável” pra quem não tem condição financeira e nem uma “segunda chance” (segundo jogo).

LEIA MAIS:
Renata Saporito: É preciso resgatar o futebol envolvente. Deixem a bola rolar!