Renata Saporito: Salve-se quem puder…

Colunista do Torcedores avalia situação dos técnicos brasileiros

Renata Saporito
Colaborador do Torcedores

Crédito: Montagem/Getty Images

O assunto é antigo, mas ele segue em pauta por aqui: a permanência de um técnico no mesmo clube do futebol brasileiro por mais de dois meses. Dois meses? Pois é, nos encontramos assim… Brasil, o país do futebol do resultado imediato. Pressão por todos os lados. É mais fácil sair com o técnico do que com um time todo. Dirigentes se eximem da responsabilidade.

De 08 de agosto a 08 de outubro, exatos dois meses, o vai e vem de treinadores da série A do Campeonato Brasileiro não para:

08 de agosto – Mano Menezes demitido do Cruzeiro

19 de agosto – Fernando Diniz demitido do Fluminense

02 de setembro – Felipão demitido do Palmeiras

26 de setembro – Cuca pediu demissão do São Paulo ou técnico e diretoria em comum acordo decidiram a saída do treinador

26 de setembro – Rogerio Ceni demitido do Cruzeiro

27 de setembro – Oswaldo de Oliveira demitido do Fluminense

27 de setembro – Zé Ricardo demitido do Fortaleza

01 de outubro – Enderson Moreira pediu demissão do Ceará

06 de outubro – Eduardo Barroca demitido do Botafogo

E não, não precisamos ir tão longe, em dois dias, no mês de setembro, quatro clubes demitiram técnicos, algo que nunca havia acontecido em um espaço tão curto de tempo. Cada um da sua maneira, mas cada qual de uma maneira nada convencional.

Oswaldo de Oliveira se desentendeu com Paulo Henrique Ganso na beira do gramado, o técnico do Fluminense foi chamado de burro pelo próprio jogador, que revidou chamando Ganso de vagabundo. Rogério Ceni, ao que tudo indica, também teve problemas com um dos principais jogadores da equipe, Thiago Neves, que veio a público reclamar das mudanças do técnico em determinada partida do Cruzeiro. E nesse vai e vem, 15 treinadores já dançaram até aqui.

Oito clubes mudaram de comando mais de uma vez. Por outro lado, desde 2003, o Brasileirão deste ano foi o que mais resistiu em derrubar técnicos nas cinco primeiras rodadas – em 2008 e 2014, sete já haviam perdido o emprego nesse mesmo período. O Flamengo, atual líder do brasileirão, fez parte desse time quatro anos seguidos e demitiu seus respectivos técnicos em 2013, 2014, 2015 e 2016. Jorge Jesus que se cuide. O Flamengo está voando, tem tudo pra terminar o ano campeão, seja da Libertadores ou do Brasileirão ou dos dois, mas e se não?

E antes que eu esqueça, um salve para o Muricy Ramalho, que detem o recorde de permanência por mais tempo em um clube da série A na era pontos corridos: 3 anos, 5 meses e 16 dias no comando do São Paulo Futebol Clube.

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