Meia destaque no Bahrein lamenta saída do Palmeiras após ser pedido de Felipão: “Se o clube estivesse bem, teria me destacado”

Tiago Real relembrou o começo da carreira no Coritiba e afirmou que, se o Palmeiras estivesse em boa fase, teria se destacado na equipe. Hoje, vive no Bahrein e é fã de economia

Rafael Brayan
Apaixonado pelo estudo do esporte mais praticado no mundo.

Crédito: Cesar Greco/Divulgação/Palmeiras

O futebol brasileiro é um dos principais celeiros de atletas para o mundo. Com cinco títulos de Copa na bagagem, o país tem jogadores nos mais diversos continentes. No Bahrein, um brasileiro se destacou em início brilhante e vem chamando a atenção logo no começo.

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Formado na base do Coritiba, o meia Tiago Real teve um longo vínculo pelo Palmeiras, mas jogou poucas partidas no início. Em conversa exclusiva com o Torcedores, o jogador, que está atualmente no Al-Muharraq, do Bahrein, afirmou que poderia ter tido mais calma antes de pedir para ser emprestado pelo clube paulista. 

Emprestado pelo Coritiba ao Joinville pela segunda temporada consecutiva, Tiago Real se destacou novamente. Destaque na Série B após subir da terceira divisão, o meia teve um excelente desempenho em Santa Catarina e chamou a atenção do Palmeiras, que tinha muitos meias lesionados, como Daniel Carvalho, Valdívia, entre outros.

“Eu cheguei em uma fase muito complicada. Se fosse em uma outra condição, teria um destaque maior no Palmeiras. O time estava brigando para não cair para a Série A, embora tinha sido campeão da Copa do Brasil. Pressão da torcida, rixas políticas dentro do clube, troca de treinador… Eu cheguei, fiz três ou quatro jogos com Felipão e ele saiu”, relembrou o meia.

Tiago Real no Palmeiras

Tiago Real foi elogiado em seu começo no Palmeiras, mas acabou saindo após contratações – Divulgação/Palmeiras

“Mesmo assim, cheguei jogando bem. Fiz a minha parte individualmente. A gente acabou caindo, mas jogamos a Libertadores. No meio de tudo isso, eu tive uma lesão no ombro”, contou. “Eu vejo de uma forma positiva. 90% dos jogos que fiz no Palmeiras eu fui bem. O momento que acabou não casando com o meu desempenho individual. Mas eu sou muito grato pelo Palmeiras. Ele abriu muitas portas para jogador nos clubes que joguei. Sempre estou na torcida pelo clube que guardo com o maior carrinho. Marcou a minha história”.

Apesar do pouco tempo de trabalho, Tiago Real reconheceu a importância de Luis Felipe Scolari. De acordo com o meia, o treinador conseguiu mudar o seu patamar no futebol ao dar oportunidade e aprovar sua contratação. 

“Falar do Felipão é algo muito gratificante. No início deste ano, eu joguei contra o Palmeiras – quando estava na Ponte Preta. Foi a primeira vez contra ele. É um cara extraordinário, me ajudou muito mesmo com pouco tempo de trabalho. Sabe lidar com as pessoas. Passou toda a confiança no início. Ele mudou o meu patamar como atleta. Viu algo em mim e me chamou. Foi uma das pessoas que mudou a minha história”

O jogador chegou a ter um bom começo na equipe e foi titular até a parada para a Copa das Confederações em 2013. Na ocasião, o clube tinha contratado Mendieta e Felipe Menezes, além da volta de Valdivia. “Eu achei muito ruim para mim, fiquei chateado e optei por sair para continuar jogando, dando seguimento na carreira. Talvez, poderia ter um pouco mais de calma, pois poderia ter uma chance na frente”, afirma. 

“Eu voltei ao clube em 2015 e estava treinando bem no elenco. Mas bem nesse ano, mudou o número de inscritos no Paulistão e o Oswaldo (de Oliveira) disse que não me inscreveria porque tinham contratado muitos atletas. Aí chegou a proposta do Bahia e eu fui”, relembrou Tiago Real. 

Primeiros passos na carreira e passagem pelo Coritiba

Tiago Real no Coritiba

Meia enfrentou a ex-equipe quando retornou ao Coritiba – Divulgação/Palmeiras

Hoje com 30 anos de idade, o meia relembrou o começo de carreira no Coritiba e o apoio familiar para conseguir chegar onde chegou. “Eu sempre frequentei os jogos amadores com o meu pai e, às vezes, conseguia jogar, entrar um pouco. Os amigos do meu pai sempre comentavam que eu jogava bem. Então, eu sempre tive aquele incentivo”

“Quando eu tinha 10 anos, meus pais me colocaram na escolhinha do Coritiba. Eu fiquei em torno de cinco meses. Fizemos um amistoso contra o time mesmo, a categoria de base do clube, e eu me destaquei com dois gols na partida. Aí, o treinador me levou para avaliação e acabei ficando em todas as categorias até chegar no profissional”

Entre oscilações na base e no profissional desde 2008, o meia subiu de vez apenas dois anos depois. Quando a equipe estava na Série B do Brasileirão, Tiago Real ganhou boas oportunidades e pôde atuar mais vezes. Apesar disso, em 2011, o jogador teve poucas aparições e decidiu ir atuar no Joinville por empréstimo. 

Seis anos depois, Tiago Real retornou ao Coritiba, com mais rodagem e foi importante para o elenco. O jogador destacou a oportunidade de jogar no clube depois de passar boa parte da infância ali. “Jogar com meus amigos, perto dos meus familiares, em um clube onde vivi um terço da minha vida foi espetacular. Uma sensação muito boa, que eu vou guardar para dentro do meu coração”, disse. 

“Não sei se vou ter a oportunidade de voltar para se aposentar no Coritiba, mas eu já sou muito grato. Sou feliz por ter jogador, realmente, no clube.”

Tiago Real surgiu ao lado de Keirrison e acompanhou início brilhante do atacante

Na base do Coritiba, Tiago Real fez parte de um elenco promissor da equipe paranaense. Um dos jogadores que mais chamavam a atenção era o atacante Keirrison. O meia não entende o motivo para o companheiro não ter conseguido alcançar as expectativas, mas ressalta que foi um dos três melhores finalizadores com quem já atuou. 

“É difícil a gente opinar porque não sabemos o que aconteceu. Ele chegou arrebentando nas categorias de base. No profissional, também, uma enxurrada de gols. Dos jogadores que joguei, está entre os três melhores em finalização. Ambas as pernas. Uma leitura, um posicionamento”, elogiou Tiago Real.

“Existem coisas que fogem do nosso domínio. Ele teve lesões durante a carreira que prejudicaram. Mas assim, ele é um cara vencedor. Ele conseguiu chegar no Barcelona, ter uma condição de carreira com bons clubes. Não conseguiu atingir o potencial máximo, mas é um cara vencedor.”

Tiago Real tem gosto por temas pouco debatidos entre os jogadores

Diferente da maioria dos jogadores, Tiago Real afirmou que é um leitor assíduo de assuntos sobre economia e política. “As duas coisas caminham juntas. Eu gosto de planejamento”, disse Tiago Real. “No fim de 2014, eu li um livro que a minha esposa me deu. E comecei a gostar do tema, ler alguns artigos, acompanhar economistas, blogs, entre outros”, disse o meia. 

“Tem tudo a ver com a carreira de jogador, de atleta. Uma carreira curta que exige que você pense, planeje o futuro depois de se aposentar. Porque a maioria não estudou”, comentou Tiago Real. “Fui unindo o gosto com a necessidade e foi assim que adentrei nesses assuntos que fazem parte do meu dia a dia.”

Aos 30 de idade de carreira, Tiago tem uma empresa de assessoria para atletas em todas as áreas possíveis para auxiliar os jogadores. “Eu me vejo dentro dela no pós-carreira. Hoje, acompanho à distância, em reuniões semanais e trocas por aplicativos de mensagens”, revelou. “Mas assim, a vida pode reservar coisas que a gente não está planejado. Vou esperar acontecer tudo para definir, mas não me vejo fora da empresa”, completou. 

Chegada ao Bahrein com começo brilhante contou com impacto de comissão técnica brasileira

Tiago Real no Bahrein

Tiago Real (direita) tem início brilhante no futebol do Bahrein – Divulgação/Al-Muharraq

Tiago Real hoje está atuando no Al-Muharraq, do Bahrein, um país com costumes árabes. Com uma qualidade de vida média muito boa, o país tem uma cultura muito forte, o que motivo o brasileiro a acertar sua ida ao clube. 

“A minha vinda para o Bahrein se dá pela abertura de mercado maior. Outra coisa é a tranquilidade para viver com a família. São menos jogos, mais tempo com os familiares. Aqui você joga muito menos que no Brasil. O nível de exigência é menor. A própria questão financeira me fez vir para cá”, comentou Tiago Real. “A questão de conhecer uma nova cultura vai me enriquecer, no pós-carreira. Eu já conquistei o que queria. Ainda tenho o meu mercado no Brasil, mas a ideia é ficar do país, curtir os meus filhos.”

Com três gols nos primeiros quatro jogos oficiais, Tiago Real comemorou bom começo no Al-Muharraq. Ao todo, foram três gols e três assistências. “Essa adaptação vem muito da equipe brasileira na comissão técnica. Eu sou treinado pelo Marcos Paquetá, que conhece muito o mercado aqui. O time é o maior do país. Então, tenho me adaptado bem. Tomara que eu consiga manter esse rendimento e possa fazer história no Bahrein”, concluiu. 

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