Tóquio quer usar Olimpíadas para fazer alerta sobre mudanças climáticas

Objetivo dos organizadores é mostrar que uma grande metrópole pode se adaptar a um novo estilo de vida. Aquecimento global é o centro da pauta

Aécio de Paula
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação: COL Tokyo 2020

As mudanças climáticas estão no centro da discussão. Pelo menos é isso que os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio tomaram como ponto passivo. Na discussão sobre o legado olímpico, a cidade se prepara para tentar mostrar ao mundo que é possível mudar hábitos. De acordo com organizadores, a ideia é usar a mídia em torno da Olimpíada para mostrar que a capital do Japão pode servir de exemplo para tantas outras metrópoles ao redor do planeta.

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De acordo com a organização dos Jogos, há uma série de medidas planejadas. Entre eles certamente podemos citar as estradas que terão material absorvente de calor e água. A medida deve ajudar na meta de tornar os Jogos de Tóquio como neutros em emissão de carbono. A ousada meta pode, ainda de cordo com os organizadores, influenciar outras cidades ao redor do mundo.

Além das estradas especiais, mais medidas serão utilizadas. Uniformes de plástico reciclado e zonas frias para que os pedestres fujam do calor, por exemplo, podem fazer a diferença. A informação foi dada esta semana pelo Departamento de Meio Ambiente de Tóquio.

Um Japão ambiental

Embora o país tente entrar na onda ambientalista mundial, as notícias ambientais não têm sido muito boas para os japoneses. A passagem do Tufão Hagibis recentemente causou estragos na nação japonesa. Mais de 12 mil residências foram alagadas. Várias mortes também foram registradas. Eventos esportivos também tiveram que ser adiados. Além disso, Tóquio vive o dilema do forte calor a menos de um ano dos Jogos Olímpicos. O Comitê Olímpico Internacional chegou a pedir que a maratona mudasse de local para uma cidade mais fria.

Oportunidade para mudar

“As Olimpíadas são um grande evento, por isso é uma boa oportunidade para envolver nossos cidadãos na abordagem das questões de mudança climática e sustentabilidade”, disse um dos organizadores em entrevista para a agência de notícias Reuters.

“Tóquio está enfrentando mais riscos climáticos, como clima mais quente e tufões mais frequentes. Ao envolver o público no cumprimento da meta de ser uma cidade com zero carbono, esperamos que os esforços continuem mesmo após os Jogos ”, disse Kumiko Sugawara, um dos organizadores.

Não é a primeira vez

A ideia de representar Tóquio como uma cidade olímpica sustentável não é muito original. O Rio de Janeiro apresentou seu projeto olímpico com essa base. Na candidatura prometeu, entre outras coisas, despoluir 100% da Baía de Guanabara. A Cerimônia de Abertura dos Jogos em 2016 celebrou o ambientalismo e pediu ao mundo mais urgência nessas questões.

Seja como for, as promessas e os pedidos ficaram na teoria dos jogos brasileiros. A Baía não foi despoluída e a simbólica floresta dos atletas planejada na Cerimônia de Abertura ainda está longe de ser completamente entregue. Um ciclo olímpico já se foi, e o Rio de Janeiro parece cada vez mais longe daquela sua meta ambiental. Tóquio tenta seguir por outro caminho.

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