Torcedor do Fla que morreu antes da semi desmaiou na rua e foi ao hospital em caminhão de peixe

Diego Rodrigues foi com amigos de Mogi Mirim (SP) para o Rio, mas morreu pouco antes de Flamengo x Grêmio

Matheus Camargo
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Reprodução / Facebook

O comerciante Diego Rodrigues, de 26 anos, que morreu poucas horas antes da partida semifinal entre Flamengo x Grêmio, foi socorrido por amigos e foi para o hospital dentro de uma câmara fria de um caminhão de peixe.

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O torcedor foi de Mogi Mirim (SP), onde morava, para o Rio de Janeiro, onde assistiria à semifinal da Copa Libertadores. Porém, durante a tarde, na praia de Copacabana, Diego ingeriu camarão e passou mal instantaneamente.

“Nós fomos realizar um sonho, dele e nosso, de assistir um jogo do Flamengo na Libertadores. Chegamos no Rio por volta de 5h, tomamos café e pegamos uma Doblô. Fomos para Copacabana, demos uma volta no Leme, o tempo estava nublado”, lembrou Leonardo Alves, um dos amigos que estava com Diego no Rio.

“Resolvemos alugar umas cadeiras, sentar lá e tirar umas fotos. Ele disse: ‘primeira praia que eu venho na vida é Copacabana, agora só faltou um camarãozinho para tirar uma foto e colocar no status’. Foi quando veio um rapaz com um espetinho, peguei um, outros amigos também. Aí ele pediu um pedaço de camarão. Ele comeu um pedaço, não foi um espeto, um pedaço (de camarão) e o pedacinho de outro. Passaram dois minutos, ele disse que o ouvido estava zunindo. Deu ânsia de vômito nele duas vezes, foi quando ele foi falar e a voz dele não era a mesma”, seguiu o amigo, que disse ainda que o pedido de Diego foi para ir até uma farmácia.

“Ele e o Arthur (outro amigo) atravessaram a avenida para ir para a farmácia e eu fiquei (na praia). Olhei e ele saiu correndo, desesperado, encostou em um carro e caiu. Saímos desesperados atrás de ajuda. Coloquei a cabeça dele no meu colo e tentei fazer ele não virar a língua. Fez uma aglomeração de pessoas, ninguém deu atenção. Veio um farmacêutico, deu uma injeção.”

Segundo Leonardo, duas viaturas estavam próximas ao local – não conseguiu precisar se era da Guarda Municipal ou da Polícia Militar -, mas disseram que não poderiam ajudar no caso.

Com isso, os amigos aceitaram a ajuda de um caminhoneiro de peixe, que os levou para o hospital Copa Star.

“Um dos rapazes que me ajudou com ele no chão estava com um caminhão de peixe e ofereceu para levá-lo para o hospital. Ele encostou, colocamos ele na câmara fria, o cara trancou a gente na câmara, não sei o caminho que fizemos porque estava escuro. Chegamos lá no Copa Star (hospital). O menino abriu a porta, saí gritando pedindo ajuda. O segurança comunicou a equipe médica e eles rapidamente tentaram reanimar ele dentro da câmara fria. Subiram ele na cama, após 20, 30 minutos vieram com a notícia que nosso amigo tinha falecido.”

Leonardo elogia o atendimento rápido do hospital, que não quis receber por qualquer atendimento a Diego, mesmo sendo particular.

Sonho do Maracanã

Um dos melhores amigos de Diego, Everton Bombarda não foi ao Rio, mas revelou que conhecer o Maracanã era um dos maiores sonhos do comerciante.

Em áudio durante a viagem, Diego dizia que o importante era ver o time de perto no estádio.

“Viu, perdendo ou ganhando, o importante é a prainha de Copacabana que nós vamos passar o dia e conhecer o Maracanã, né, pai? Ta bom…”, disse Diego no caminho para o Rio.

“Ele sempre falava de no Maracanã ver o Flamengo. Era o maior sonho dele. A vida dele era ver o Flamengo no Maracanã”, revelou Everton.

Diego era uma personalidade no futebol amador de Mogi Mirim e era ligado à Novacoop, time que tem seu pai como um dos dirigentes.

O corpo do comerciante chegou para o velório, no Cemitério Municipal de Mogi Mirim, por volta das 12h30. Diego deixa esposa e uma filha de um ano e dois meses.

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