Libertadores ou Mundial, futuro político e segredos do camarim da Band: Vitor Guedes entrevista Neto sem censura

Ídolo do povo, Neto fala sobre sonhos, planos, charuto, idolatria e masturbação

Vitor Guedes
Vitor Guedes, nascido no sacro ano de 1977, é ZL, pai do Basílio, equilibrado... Além de jornalista diplomado, pós-graduado em Português, Língua e Literatura, colunista do jornal Agora São Paulo, debatedor do Baita Amigos, comentarista do PodcasTimão, autor do livro "Paixão Corinthiana" facebook.com/blogdovitao

Crédito: Endy Japa

Maloqueiros, sofredores e Torcedores.com, em entrevista exclusiva, o craque José Ferreira Neto abriu seu camarim na Band e seu coração e falou sobre tudo: Corinthians, relação com Andrés Sanchez, carreira como apresentador e comentarista, “charuto do Fidel” e até sobre filme pornô e masturbação no camarim. “Se não tem Corinthians não tem mundo”, resumiu, fiel aos fatos.

Confira o baita papo na íntegra no YouTube do Torcedores. E segue mastigado alguns dos melhores momentos:

Significado do Sport Club Corinthians Paulista

“[O Corinthians] significa eu estar aqui, 20 anos na Band, as oportunidades que eu tive, significa ter realizado muitos sonhos. Na verdade, o Corinthians representa todas as expectativas que as pessoas sempre criaram em mim quando eu ainda era um garoto e uma promessa no Guarani.”

“E tem mais. Se eu não tivesse dado certo no Corinthians, a minha carreira não tinha sido como foi. Eu, sendo mandado embora do Palmeiras, em 1989, trocado pelo Ribamar [com o Timão], o que seria de mim se não tivesse dado certo no ano seguinte. Sou o 24º artilheiro da história do Corinthians, sou um dos maiores ídolos da história do Corinthians.”

Idolatria na história do Corinthians

“Acho que estou entre os cinco. O primeiro é o Marcelinho Carioca. Depois eu coloco o Sócrates, que extrapola o certo e o errado, brigou pelas Diretas Já e colocou o dele na reta. Terceiro, não por ordem, o Rivellino. O quarto eu vou falar da minha história como corinthiano: o Luizinho Polegar. Por ter conhecido o Luizinho, por conhecer a história do Corinthians, ele foi o cara que representou a criatividade, a irreverência. Mas tem também Teleco, tem Zé Maria, tem Wladimir, tem Cássio, tem Chicão…”

“Se eu tivesse ganhado o segundo Brasileiro, talvez não teria sido ídolo como eu sou por ter vencido o primeiro. Tupãzinho é idolo hoje por ter feito aquele gol. O tútulo de 1990 é tão marcante porque o Corinthians era muito zoado, era um time paulista e, quando ele conquistou o brasileiro, qualquer torcedor do Corinthians, mesmo que seja jovem, sabe que eu fui o jogador mais eficiente, disparado o melhor jogador da conquista. Não sou hipócrtia. Todo mundo foi importante, mas se eu não fizesse os gols que eu fiz, o Corinthians não teria sido campeão.”

“Uma coisa que eu entendo, como ídolo, é a identificação do jogador. Por exemplo, o Biro-Biro. O Biro-Biro é um puta ídolo do Corinthians, é muito, não é pouco, não. Eu faço muitos eventos com o Biro-Biro. E ele tem uma vantagem em relação a gente, todo o mundo gosta dele! Palmeirense, são-paulino, os caras amam aquele cabelo de miojo desgranhento [rs]. O Biro-Biro é um grande ídolo, o Casagrande é um grande ídolo.”

“Vou falar uma coisa pra você,… Se o Tevez e o Guerrero tivessem mais tempo no Corinthians, se tivessem mais jogos, estariam entre os maiores ídolos do Corinthians. O Guerrero seria o maior, para mim, se tivesse ficado no Corinthians.”

Presidente do Corinthians

“Vitor, eu tinha [o sonho de ser presidente corinthiano], fui conselheiro trienal, poderia me candidatar em 2022. Eu sempre fui sócio do Corinthians, por 15 anos, sempre paguei rigorosamente em dia, mas quando eu tive um problema de relacionamento com o Andrés [Sánchez]… Amo o Andrés, amo a família dele, mas os meus caminhos, eu me distanciei… E quando em me distanciei, teve a eleção passada e, de forma irrevogável, eu deixei de ser conselheiro e não posso mais. A não ser que eu volte a ser sócio, mas eu não tenho mais tempo para isso nem quero mais isso…”

Coordenador ou técnico do Timão

“Falar que eu não vou mais trabalhar no Corinthians, como coordenador ou treinador da divisão de base, não sei… Às vezes, tenho esse sonho, mas como presidente não posso mais”

Homenagens

“Teve duas coisas que foram legais na minha vida. Eu levei a Luiza e o Gustavo no Memorial do Corinthians e ter uma foto sua do seu tamanho e seus filhos poderam falar ‘esse é meu pai’, isso é incrivelmente maravilhoso. O Corinthians é muito foda nesse sentido, e o Andrés foi muito importante nesse sentido. E ter meu nome, José Ferreira, em um dos campos [do CT Joaquim Grava] onde os caras treinam hoje e ter uma placa com o meu nome, cara…”

Emoção como torcedor no bimundial e na Libertadores

“Esse foi um momento fodido para que o mundo conhecesse o Corinthians. Foi muito legal, mas, para mim, a Libertadores foi melhor. […] A Libertadores foi tão difícil, tão difícil, tão difícil, invicto, que, quando foi jogar contra o Boca, eu tinha dez ingressos… E era quase um diamante cada ingresso. E dei para meus amigos. E combinei com o meu amigo Pacheco, que é palmeirense pra caramba, e tava torcendo contra, e fui para Santo Antônio de Posse-SP. E como o Pacheco é muito meu amigo, e ele não é aquele palmeirense chato, ele ficou só torcendo contra, mas sem me provocar. Aí eu peguei um charuto do Fidel e foi uma emoção quando foi 2 a 0 […]. E teve passeata em Santo Antônio de Posse, os caras gritavam meu nome, e eu tava dentro da casa do Pacheco e ninguém sabia que eu tava lá.”

“A Libertadores foi o maior, mas o Mundial também foi muito fodido porque eu levei minha mãe. Minha mãe foi comigo, o Cascão [diretor de “Os Donos da Bola”] foi comigo. Eu vi a importância do Corinthians em Nagoya, em Tóquio. O mundo todo tava lá. Tinha torcida do Corinthians do mundo inteiro. Eu cheguei no aeroporto, depois da conquista, e fui ovacionado pela torcida, e os japonenses tiveram que me tirar, no Japão, por causa da confusão!”

“Nenhum outro corinthiano vai ter essa mesma emoção de novo. Foi a primeira vez, você assistir aos treinos no Japão com 10 mil pessoas.”

Camarim na Band

“Eu aprendi tudo na Band. Não tenho 20 anos de Guarani, não tenho 20 anos de Corinthians… Tenho 20 anos de Band. E sou muito grato a Band. E ter um camarim é muito legal porque eu posso me masturbar, posso assistir a filme pornô…”

“Taqui minhas coisas, minha Nossa Senhora, meu colírio, minha Bíblia, meu sal grosso, sou muito católico… Ter um camarim na Band não é para qualquer pessoa; estar na Band, há 20 anos, não é para qualquer pessoa; ter um programa, como o Baita Amigos, no Bandsports, que vai completar 7 anos, não é para qualquer pessoa…”

“Eu tenho uma geladeira, eu tenho as minhas roupas, os sapatos são todos da Band. Chegar em um estágio que eu cheguei, ter um camarim só meu, e estar ao lado do Datena, que é o camarim do lado, eu sou muito feliz. Quando eu sou reconhecido, como eu sou na Band, que eu renovei o contrato agora, talvez não precisasse de tanto. Ganho muito bem, sou um cara muito bem remunerado, graças a Deus, mas queria dizer que quando cheguei aí eu cheguei com um crachá. Eu tinha que passar o crachá, eu tinha que respeitar as pessoas que estavam à minha frente […]”

“Quando eu saio, desligo o ar condicionado e apago as luzes porque a Band não tem que pagar, sou muito grato a isso”

“Eu sempre tive muito medo disso. Eu sempre tive a cara do Corinthians e do Guarani, a força e a rejeição do Corinthians… Eu tive rejeição em todos os lugares que eu fui, só que teve uma coisa que foi fundamental para o meu crescimento na Bandeirantes: a minha humildade de reconhecer que faltava conhecimento. Eu não sabia ler o TP [teleprompter], não sabia me posiconar nas câmeras.. Aí eu fui perguntando, fazendo amizade com os câmeras, fui aprender o aúdio, o som, como se posicionar na diagonal, o que era GC [gerador de caracteres]. Eu não sabia as concordância, eu ainda tenho dificuldade com o português, mas eu vou aprendendo. Hoje faço quase 60 merchans nos Donos da Bola, eu faço, por mês, no Baita Amigos, quase que uns 30… Eu fui tendo humildade e a minha filha [Luiza], que tá aqui, vê que todo o mundo me cumprimenta.”

Lealdade, Humildade e Procedimento

“Eu venci na vida, e essa é minha gratidão a Deus, por tratar as pessoas do jeito que eu gosto de ser tratado. É óbvio que, às vezes, a gente passa do limita, a gente grita, a gente briga, mas quando a gente trata as pessoas desse jeito as pessoas reconhecem isso”

Enquetes

No Twitter @vitao_guedes, tem sempre enquete nova e o resultado das anteriores sobre o Corinthians. Vote! próxima competição continental. Responda no Twitter @vitao_guedes. O resultado na próxima coluna.

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