Agência mostra preocupação com projeto antidoping dos Estados Unidos

Projeto que tramita no Congresso, daria poder aos Estados Unidos para punir atletas de outros países por doping. Mas a WADA pedirá explicações

Aécio de Paula
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação: WADA

Os Estados Unidos poderão prender atletas de outras nacionalidades que forem pegos em exames antidoping. Pelo menos é isso que poderá acontecer caso um projeto seja aprovado no Congresso norte-americano. A proposta já foi aprovada sem maiores problemas na Câmara dos Representantes. Mas ainda precisa ser aprovada no Senado. Comentaristas políticos acreditam que a ideia deverá ser aprovada. Isso porque o projeto tem alto apoio dentro dos dois grandes partidos do país.

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Mas a Agência Internacional Antidoping (WADA) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) estão preocupados com a proposta. A principal preocupação é sobre o possível aumento das tensões entre os países. Isso porque o projeto daria aos Estados Unidos um poder que iria além das fronteiras do país norte-americano. Até por isso, a WADA deve pedir explicações sobre a abrangência deste projeto em áreas internacionais. Diretores querem saber se a proposta não daria poder demais aos Estados Unidos.

A polêmica ficou escancarada durante uma reunião da WADA na semana passada. Isso porque membros da agência antidoping dos Estados Unidos disseram que o projeto estava sendo descaracterizado. De acordo com os diretores, a proposta estaria sofrendo uma campanha contrária dentro da própria WADA. “Eles (A WADA) estão apenas jogando um jogo político agora. Em grande parte, porque acho que estão seriamente preocupados com a limpeza do esporte, proposta pelo projeto. E isso torna desconfortável para alguns de seus amigos”, disse Travis Tygart, o executivo-chefe da Agência antidopagem dos EUA.

O projeto

A Lei antidopagem de Rodchenkov prevê multas de até 1 milhão de dólares para atletas e federações pegas em esquemas de doping. Além disso, os atletas poderiam pegar até 10 anos de prisão. Mas vale lembrar que as punições só poderiam ser impostas quando os Estados Unidos forem parte prejudicada nos casos. Ou seja, em um caso de doping onde os Estados Unidos não participem diretamente da competição, a legislação não teria poder.

O nome do projeto é em homenagem ao russo que ajudou a jogar luz sobre o esquema de doping supostamente patrocinado pela Rússia. Críticos avaliam que o nome dado é uma provocação ao país. A Rússia está em vias de não participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Isso porque o país teria manipulado dados de testes antidoping dos seus atletas.

O que diz a WADA

Em entrevista para a agência de notícias Associated Press (AP), diretores da WADA explicaram os motivos de suas preocupações em relação ao projeto. O presidente da agência, Craig Reedie disse que há uma área nebulosa na proposta que precisa ser esclarecida. “A área problemática é a sugestão de que a jurisdição americana iria além dos Estados Unidos e poderia criar responsabilidades em outras partes do mundo”, disse ele. “Temos reservas quanto a territorialidade da lei”, adicionou

“Simplesmente queremos garantir que não haja consequências não intencionais negativas desta lei”, disse ele, “Sabemos que é um projeto totalmente complementar à missão global combater o doping e proteger os atletas limpos”, completou ele.

Seja como for, deputados norte-americanos não tem manifestado interesse em fazer qualquer tipo de alteração na proposta da lei.

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