Gabriela Brino: #SextouVemComAviso: Com Bolsonaro na Vila Belmiro, Santos pode dar tiro no próprio pé

Presidente da República “se convidou” para assistir ao clássico entre Santos e São Paulo, na Vila Belmiro, sábado, às 17h. Porém, não foi bem visto pelos santistas e muito menos pelo técnico Jorge Sampaoli

Gabriela Brino
Colunista do Torcedores.com.

Crédito: Crédito: (Pedro Ernesto Guerra Azevedo)

“É sério que o Santos receberá o presidente Jair Bolsonaro na Vila Belmiro?” É sério. Mesmo não tendo feito convite algum, o clube contará com a presença dele no clássico contra o São Paulo, no sábado, às 17h. Mas a diretoria precisará tomar muito cuidado, porque essa visita pode ser um grande tiro no próprio pé.

Depois de ter feito uma campanha impecável contra o racismo com a série “Time de Branco e de Preto”, com personagens muito representativos, como Emicida e Mano Brown, o Peixe divulgou em suas redes sociais uma imagem impactante com um significado profundo. Veja abaixo:

Com as afirmações e pedidos feitos, em teoria, o clube que tem Pelé como seu Rei, não poderia receber Jair Bolsonaro no estádio, já que o presidente do Brasil frequentemente faz “piadas” com cunho racista, preconceituosas, além de faltar com respeito às mulheres, negros, comunidade LGBTQ+, e polemizar com temas delicados, como estupro e tortura.

Vale destacar uma frase que correu o mundo inteiro, quando Bolsonaro citou uma tribo de quilombos, em 2017, e afirmou que o negro mais leve pesava sete arrobas por “não fazer nada”.

“Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles” (Em palestra no Clube Hebraica, abril de 2017)

Com isso, independentemente de partido, política ou poder, se trata apenas da pessoa Jair Bolsonaro não ter compatibilidade com os pedidos do Santos ou com a história do clube. Inclusive, as torcidas organizadas do Peixe entraram com um ofício no clube protestando contra sua presença. Alegaram “incompatibilidade nos posicionamentos ideológicos de Jair com os do clube”.

Além de uma campanha inteiramente “perdida”, o técnico Jorge Sampaoli também não aprovou a ideia de tê-lo no estádio. E aí sim temos brecha para entrar em questões políticas, já que o argentino era ativista quando mais jovem. Ele participava do movimento “Juventude Peronista”, clandestinos que exigiam o fim da ditadura na Argentina. Sabendo da posição e pretensões de Bolsonaro, o argentino não pretende sequer conhecê-lo no sábado.

– Eu era parte de um movimento revolucionário: a Juventude Peronista. Nos reuníamos clandestinamente, éramos ativistas. Exigíamos o fim da ditadura. Fomos perseguidos pelo regime- afirmou Jorge Sampaoli, à revista espanhola “Panenka”.

Apesar de todos os motivos citados, como o Santos não entrou em contato para receber o presidente da República na Vila Belmiro, no sábado, e sim o contrário, não há como barrá-lo. A diretoria não pode vetar sua entrada no estádio ou recusar uma visita, até por ele ser o presidente do Brasil.

Porém, recebê-lo com respeito não significa bajulação. Não cabe ao clube presenteá-lo com camisa oficial ou o exaltá-lo em suas redes sociais, por exemplo. Justamente pela incompatibilidade. É uma visita fora da curva, então que seja tratado como se fosse. Caso contrário, será um tiro certeiro no próprio pé.

Para terminar, ressalto uma frase forte, dita por Emicida, na campanha “Time de Branco e de Preto”, do Santos, neste semestre: “Enquanto um negro ousar quebrar o sistema com a bola no pé, o Santos viverá. Pode ter certeza”.

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