Escolha pela corrida faz atleta vencer barreiras da desigualdade

Paulista encontrou na corrida  de rua uma oportunidade de transformar sua vida

Bárbara Ribeiro
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Youtube

Não faltam histórias de superação no esporte brasileiros dos medalhistas olímpicos até os atletas ainda anônimos. Histórias de pessoas que reservaram a mesma lição: a de que é preciso insistir e batalhar diante das dificuldades da vida. Nem sempre a recompensa é uma medalha e, sim, feitos que viram exemplos para gerações, como o caso do corredor Pablo dos Santos.

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A prática esportiva não está apenas relacionada a uma atividade física, mas também está ligada ao desafio individual de superar os próprios limites. Além disso, existe outro fator importante que está ligado ao lado social, e poder de transformação do esporte na vida das pessoas.  Aos 35 anos de idade, o velocista Pablo dos Santos viu na corrida de rua uma oportunidade de mudar de vida. Nascido em uma periferia de Campinas, interior de São Paulo, o atleta passou por várias dificuldades, inclusive, presenciou a morte de vários amigos que seguiram o caminho do crime.

“Eu moro em periferia, as pessoas que moram em periferia junto comigo tem um destino que foi imposto para elas. Eu não tinha nenhuma possibilidade de melhora aqui, e eu tive que bater o pé e dizer não várias vezes para o crime. Por isso, fiz a escolha de seguir o caminho do esporte”, contou.

A vida de Pablo nas corridas de rua começou em 2006. Quando decidiu pela primeira vez participar de uma competição. Treinava perto de sua casa, por horas e sua primeira corrida tinha um percurso de 11km.  “Eu corri com um “kichute”, sem esperança nenhuma, sem suporte nenhum. Eu pensava que ia ganhar. Porque se eu ganhasse uma corrida daquela, tudo ia mudar na minha vida. Porém, não aconteceu nada que eu pensava e chorei demais no final do trajeto”, disse.

“Eu não conhecia ninguém. Não conversava com ninguém. Não sabia o que fazer, como me comportar, o que falar e com quem expressar esse sentimento. Eu era inexperiente e não sabia como lidar com aquela situação. Depois daquele dia passou um ano, eu fiz o mesmo circuito em um trajeto menor e fui pegando o gosto”, completou.

Anos depois, em 2016, Pablo viveu um momento especial na sua vida. Teve a oportunidade de conduzir a tocha Olímpica durante passagem por Campinas, e se uniu a outras histórias de superação no esporte para simbolizar o espírito olímpico. Na época, outras 77 pessoas participaram do trajeto somente na cidade.

O esportista que no passado ganhou a vida como vendedor de balas no sinal, catador de papel, segurança de eventos e outras profissões. Atualmente, é formado em educação física. Agora, além de correr Pablo dos Santos ministra aulas para crianças e adolescentes em escolas da rede pública e busca dar exemplo para os seus alunos.

“Eu vejo um problema sério nas escolas. Por isso, busco levar várias mensagens para os meus alunos. Para começar o jovem começa a brigar muito cedo contra a obesidade que é um problema muito sério por causa do sedentarismo, hipertensão e o uso de eletrônicos”, explicou.

“Na escola a gente acaba sendo conselheiro, amigo, pai e mãe por falta de apoio dos alunos em casa. Existem momentos que acabamos esquecendo que somos professores e ficamos mais próximos dos alunos para tentar ajuda-los tanto no esporte quanto no lado social”, afirmou.

Além disso, Pablo conta que mudou a forma de dar aula para melhorar a qualidade de vida dos seus alunos.

“Eu mudei a forma como eu dou aula. Eu não sei como funciona as aulas de educação física nos outros estados. Mas aqui eu falo sobre saúde, apresento curiosidades sobre na área de educação física, faço treinos de prevenção contra acidentes, treinamento funcional, por exemplo”, contou.

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