Do estádio lotado ao torcedor flamenguista solitário: como foi o ‘lado B’ da final no Maracanã

O Maracanã viveu roteiro dramático em dia histórico no Rio de Janeiro 

Luis Fernando Filho
Jornalista formado, 23 anos, e fanático pelo futebol bem jogado para além das quatro linhas.

Crédito: Reprodução/Facebook do Flamengo

A tarde do último sábado no Rio de Janeiro entrou para a história. Não somente do Flamengo, bicampeão da Libertadores, mas do Maracanã.

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Você deve estar se perguntando: “Mas como assim, se o jogo nem sequer foi no Maracanã?”. É a partir do maior símbolo esportivo do país que explicamos a importância do estádio no dia da final.

Mesmo a partida sendo jogada em Lima, no Peru, o Maracanã recebeu os torcedores que assistiram o jogo em telões. Cerca de 30 mil telespectadores preencheram as arquibancadas.

Porém, a final começou muito antes. Desde o início da tarde, os torcedores acumulavam-se ao redor do estádio.

Torcedor do Flamengo esbanja a moto personalizada com as cores do clube

Torcedor do Flamengo esbanja a moto personalizada com as cores do clube/ FOTO: Luis Fernando Filho

Todos os tipos de gentes formavam a diversidade da Nação rubro-negra, que começava nos vendedores ambulantes até o consumidor mais elitizado do Maracanã.

A estátua de Bellini, campeão Mundial pelo Brasil, estampada em frente ao Maracanã, dava o clima da final entre Flamengo e River Plate.

Afinal, foram 38 anos esperando o tão sonhado título da Libertadores. O torcedor flamenguista acreditava que o sábado consagraria o Flamengo.

O torcedor solitário no Flamengo x River

Muitos torcedores não deixaram de perder o duelo histórico pela Libertadores. Somente no Maracanã, por exemplo, eram 30 mil adeptos.

Mas, e fora do estádio? Enquanto a partida rolava, um determinado torcedor chamou atenção. Flávio Nascimento, de 28 anos, ouvia o jogo do lado de fora.

Isso mesmo, ouvia e não enxergava. Como o telão da partida estava dentro do Maracanã, e Flávio sem ingresso, o que restou foi sentir o jogo.

Enquanto o som da narração ressoava para fora do estádio, o torcedor fechava os olhos como se estivesse numa prece. De forma quase religiosa, imaginava os lances da final.

“Eu não posso perder o jogo do Flamengo. Sou flamenguista desde pequeno. Achei que a partida seria transmitida de graça, mas me enganei”, lamentou Flávio.

Enganado pelo próprio boato, o torcedor acompanhou quase toda a partida e não arredou o pé da frente do Maracanã.

“Sofremos o gol no início, mas tem todo o segundo tempo para correr atrás”, disse Flávio, enquanto o tempo escurecia em frente ao Maracanã.

O Maracanã como merece ser visto

Com a chuva caindo torrencialmente no decorrer do segundo tempo, não restou escolhas a Flávio a não ser retirar-se do local. Ele mal sabia da virada que o Flamengo promoveria, já no final do jogo.

Nem os dois gols de Gabigol fez a chuva fortíssima desandar no Maracanã. Por alguns minutos, a glória esteve quase perdida, e o dia no estádio parecia ter o pior término da década.

A virada chegou e o tão sonhado título voltou aos braços da nação rubro-negra, que agora sorria mesmo em dia chuvoso no Rio de Janeiro.

Antes mesmo do fim da partida, alguns torcedores deixaram o Maracanã desacreditados, pouco acreditando sequer no empate.

Ao final do jogo, com a taça da Libertadores sendo reconquistada pelo Flamengo, os torcedores que permaneceram saíram do estádio extasiados.

38 anos de espera que se resumiram em três minutos. O Maracanã viveu o 23 de novembro de forma única, mesmo em dia atípico, mas ainda assim monumental como o próprio estádio.

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