Iberê Riveras: ‘Nova Intermediária’ e ‘Terceirona’ poderiam chacoalhar o futebol paulista

Desde 1994, o Campeonato Paulista tem 2ª (A2) e 3ª (A3) divisões nos mesmos moldes da 1ª (A1); estrutura tornou-se obsoleta e precisa ser remodelada

Iberê Riveras
Colaborador do Torcedores

Foto: O Jabaquara foi o campeão da Série B3, equivalente à 6ª divisão do Campeonato Paulista de 2002

Não é segredo para ninguém que os campeonatos estaduais estão cada vez mais em xeque. Com a consolidação econômica do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, em nível nacional, da Sul-Americana e Libertadores, na América do Sul, aqueles que foram por mais de meio século os carros-chefe do futebol brasileiro estão sendo, ano a ano, reduzidos e podem até mesmo desaparecer de vez do nosso calendário.

Talvez o maior equívoco que tem sido cometido em relação aos estaduais é, por mais que o número de datas seja abreviado, manter a mesma quantidade de clubes, com o esforço desenfreado para promover o maior número de jogos possível entre grandes e pequenos, por mais esdrúxula que seja a fórmula do campeonato. É tapar o sol com a peneira. As federações estaduais não se deram ou não querem se dar conta de que não basta encolher, apertar, retorcer as competições. A velha estrutura não cabe mais. O único caminho é assimilar que os estaduais da 1ª divisão serão de ‘tiro curto’ e reformular não só a divisão de elite, mas todas as outras. Isto serve para as federações de quase todos os estados.

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No último mês, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o corte de mais duas datas dos estaduais em virtude das Datas FIFA, uma novidade no nosso calendário para 2020. Antes eram 18 datas, agora serão 16. Essa informação corria pelos bastidores das federações estaduais há pelo menos um ano, quando Rogério Caboclo ainda não era oficialmente presidente da CBF, mas exercia como tal – o Coronel Nunes era figura decorativa. O que foi feito em relação à adequação dos campeonatos estaduais para 2020? Nada, apostou-se apenas gambiarras, como no Campeonato Paulista da 1ª divisão que, além de uma primeira fase completamente estapafúrdia – os clubes de um dos quatro grupos enfrentam apenas os times dos outros três grupos –, voltaremos  a ter quartas de final e semifinal em apenas um jogo, uma excrescência após 12 rodadas. O Paulista da A1 terá três meses de duração, enquanto a A2 e a A3 serão disputadas em três meses e meio. Vale ressaltar que a CBF conta com um diretor de competições, Manoel Flores, que está em permanente contato com os presidentes das federações estaduais.

Para compreender a distorção que aconteceu através dos tempos, podemos observar a evolução do Campeonato Paulista em suas várias divisões, ou níveis. O Campeonato Paulista começou em 1902. Até 1946, não havia interligação entre a 1ª divisão e a 2ª divisão. A Lei do Acesso, implantada em 47, começou a atrelar uma divisão à outra, exigindo da Federação Paulista de Futebol (FPF) uma leitura mais ampla de seus filiados, seria preciso saber separá-los. Em 54, surgiu a 3ª divisão e, em 60, a 4ª. Curiosamente, àquela altura, para atenuar o impacto da nomenclatura ‘4ª divisão’, a FPF passou a chamar a 1ª  divisão de Especial, a 2ª de 1ª, a 3ª de 2ª e a 4ª de 3ª. O uso destes eufemismos tornou-se uma constante e perdura até hoje. Em 78, brotou a 5ª divisão e, em 2001, o recorde, a 6ª. As divisões não foram aumentando gradualmente, elas aumentavam e diminuíam ao sabor da federação.

O número de clubes em cada divisão ao longo de todos esses anos variou mais que o preço do dólar em tempos de inflação, para o bem e para o mal. Num estado rico e com o tamanho de São Paulo, acertar a quantidade de divisões e de clubes em cada uma delas é um autêntico processo de alquimia. São inúmeros os fatores que interferem nesta ciência. Se, por exemplo, o número de datas sofreu drástica alteração, é hora de dar uma repassada na matéria, debater com os clubes, encontrar alternativas. A entidade responsável por gerir o futebol do estado mais rico do País não pode parar no tempo.

Em 1994, o então presidente da FPF, Eduardo José Farah, deu cabo à estrutura de três divisões, que àquela altura se chamavam 1ª divisão, Intermediária e 2ª divisão. O homem forte que dominou o futebol paulista entre 1988 e 2003 instituiu as Séries A e B, sugerindo que os clubes da A1, A2 e A3 configurassem a 1ª divisão e os da B1 e B2, a 2ª. Até houve campeonatos em que clubes da A1 e A2 se misturaram nas fases finais para definir o grande campeão, mas, via de regra, a A2 era mesmo a 2ª divisão, a A3 a 3ª, a B1 a 4ª e a B2 a 5ª – em 2001 houve a B3, a 6ª.


Eduardo José Farah presidiu a FPF de 1988 a 2003

Farah tinha uma obsessão: divisões com 16 clubes, no máximo 20. Só o último nível  abrigaria a quantidade de clubes que fosse necessária. A estratégia, em que pese ter diminuído o número de dérbis regionais – espalhou os rivais pelas várias divisões – funcionou, principalmente porque o número de datas disponíveis era superior a 30, às vezes quase 40. na A1. O Campeonato Paulista reinava por todo o primeiro semestre. Em 2003, Marco Polo Del Nero assumiu a FPF e, dois anos depois, realizou o último ajuste que tivemos na estrutura das divisões: manteve A1, A2 e A3, todas com 20 clubes, liquidou a letra B do alfabeto da entidade – B1 e B2 se fundiram na Segunda Divisão, que corresponde à 4ª.


Marco Polo Del Nero esteve à frente da FPF entre 2003 e 2015

Coincidiu com o começo da gestão de Del Nero o início do Campeonato Brasileiro de pontos corridos, que acarretou no encurtamento do Paulistão. O que não tem explicação é que com o compreensível enxugamento da A1, a A2 e a A3 foram juntas de embrulho, como se o projeto de padronizar A1, A2 e A3 de Eduardo José Farah não precisasse de revisão. Nesta discrepância, os clubes do interior perderam meses de competição. Consultado sobre o tema, um veterano dirigente de um clube da A3 que pediu para não ser identificado, relatou: “Este assunto praticamente nunca mais foi discutido na Federação. A única coisa que ouvi a respeito foi a possibilidade de criar a A4, com os clubes da Segunda Divisão que estão em melhores condições”. Não é de outro ‘puxadinho’, com mais 16 clubes, que o futebol de SP precisa.

Será que 25 anos depois da última grande alteração na estrutura dos campeonatos organizados pela FPF não seria a hora de zerar e começar de novo? A fórmula de disputa da A1 precisa recuperar o sentido, A2 e a A3 precisam de mais tempo de duração, talvez possam ser fundidas, a 4ª divisão precisa ser repensada… De 2002 para cá, o número de clubes que disputa alguma divisão do Paulista caiu em mais de 20%, de 107 para 89. O futebol paulista clama por transformação.

Sobre novas ideias para o Paulistão, vamos dar voz a jogadores, técnicos, dirigentes, jornalistas, advogados, gestores, economistas, torcedores com a finalidade de oferecer à FPF um dossiê com sugestões que possam reavivar o futebol paulista. O WhatsApp (11) 991.232.606 passa a ser um canal aberto de diálogo entre a nossa coluna e qualquer entusiasta que queira participar do debate.

As divisões paulistas

Desde o surgimento da Lei do Acesso, com a criação da 2ª divisão em 1947, as divisões do Campeonato Paulista tiveram vários nomes. Para padronizar, foi considerada a divisão pelo seu nível: 1ª, 2ª, 3ª etc. e não pelo seu nome.

Informações parcialmente extraídas do ‘Almanaque do Futebol Paulista 2002’, de José Jorge Farah Neto e Rodolfo Kussarev Jr.

Finalíssima da 4ª divisão de SP na FPF TV e MY CUJOO

MAC e Paulista de Jundiaí empataram a primeira final em Marília por 0 a 0 e agora decidem o título em Jundiaí. Ambos os clubes garantiram o acesso para a A3 de 2020.

Final, jogo de volta:

Sábado (2), 16h
Paulista x Marília, no Jaime Cintra (Jundiaí) (0 x 0)

Semifinais da Copa Paulista na FOX e FPF TV

O campeão terá direito de escolha entre uma vaga na Copa do Brasil de 2020 ou a Série D de 2020; o vice-campeão fica com outra vaga.

Semifinal, jogos de volta:

Sábado (2), 16h30
São Caetano x EC São Bernardo, no Anacleto Campanella (São Caetano do Sul) (2 x 2)
Sábado (2), 20h15
XV de Piracicaba x Mirassol, no Barão de Serra Negra (Piracicaba) (2 x 2)

Paulista Sub-15 na FPF TV

Semifinal, jogos de ida

Sábado (2), 9h – FPF TV
Santos x São Paulo, no Ulrico Mursa (Santos)
Red Bull Brasil x Palmeiras, no CT do Red Bull Brasil (Jarinu)

Paulista Sub-17 na FPF TV

Semifinal, jogos de ida

Sábado (2), 11h
Novorizontino x Palmeiras, no Jorge Ismael de Biasi (Novo Horizonte)
São Paulo x Corinthians, no CT de Cotia

Paulista Sub-11 na FPF TV

Não sobrou nenhum clube do interior. As semifinais estão sendo disputadas entre São Paulo, Palmeiras, Santos e Audax.

Paulista Sub-13 na FPF TV

Semifinal, jogos de volta

Domingo (3), 10h30
Marília x Santos, no Bento de Abreu (Marília) (0 x 0)
Palmeiras x São Paulo, no CT do Palmeiras II (São Paulo) (1 x 3)

Paulista Sub-20 – 1ª no DAZN

Semifinal, jogos de ida

Sábado (2), 10h
Ituano x Red Bull Brasil, no Novelli Júnior (Itu)
Domingo (3), 10h
São Paulo x Palmeiras, no Morumbi (São Paulo)

Paulista Sub-20 – 2ª na FPF TV

Semifinal, jogos de volta:

Sexta (1º)
XV de Jaú 2 x 1 Bandeirante de Birigui (XV de Jaú finalista)
Sábado (2), 15h
Inter de Bebedouro x São José, no Sócrates Stamato (Bebedouro) (0 x 0)

Copa São Paulo de Futebol Júnior 2020 – cidades-sede confirmadas

Araraquara, Barueri, Bauru, Diadema, Franca, Indaiatuba, Itapira, Itu, Jundiaí, Marília, Porto Feliz, Sertãozinho, Taubaté e Suzano

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