Juliana Veiga: Geração do surfe brasileiro está mais sinistra do que nunca

Colunista do Torcedores elogia o desempenho da geração conhecida como Brazilian Storm

Juliana Veiga
Colaborador do Torcedores

Crédito: Getty Images

Podemos chamar de Brazilian Storm, Tempestade Brasileira, os melhores surfistas do mundo… Chamem como quiser. Mas a “real” é que nossa geração atual do surfe profissional brasileiro está mais SINIXXXTRA do que nunca.

Temos 11 meninos:

Ítalo Ferreira – 1° do Ranking, com 51.070 pontos.
Gabriel Medina – 2° do Ranking, com 50.005 pontos.
Filipe Toledo – 4°do Ranking, com 49.245 pontos.
Adriano de Souza
William Cardoso
Yago Dora
Michael Rodrigues
Jesse Mendes
Jadson André
Deivid Silva
Peterson Crisanto

Mais duas meninas:

Tatiana Weston Webb – 7ª do Ranking, com 39.950
Silvana Lima – 12ª do Ranking, com 23.585 pontos

Todos competem mundo afora e representam muito bem o Brasil. Além, claro, de influenciarem milhões de crianças. Ano após ano.

O líder do campeonato, após a vitoria em Peniche, Portugal, é Ítalo Ferreira, que pode se tornar o primeiro nordestino campeão mundial de surfe em Pipeline, no Havaí, de 8 a 12 de dezembro. Segundo o surfista de Baía Formosa, a final será divertida.

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Sempre tive casa no litoral norte de São Paulo, e atualmente estou morando aqui. Aprendi a surfar em Maresias, com 7 anos de idade, a mesma praia que cresceu Gabriel Medina e sua irmã Sophia. E é nela que eu quero chegar.

O surfe faz parte do estilo de vida dos locais aqui do litoral, temos várias praias com boas ondas. O “pico” Maresias tem altas ondas e é bem constante. Um certo dia, em 2015, estava surfando no meio de Maresias (pra quem conhece a praia, onde ficava o antigo Bar do Meio), e de repente entraram umas sete crianças no mar, bem ao meu lado.

No meio das sete, estava a Sophia Medina.

A guria já mostrava intimidade com a prancha e com o mar. Surfava muito bem pra uma criança.

Fiquei impressionada.

Vi o Gabriel crescer, ele brincava com os filhos de uns amigos que têm casa em Mareca.

O surfe está na veia dos irmãos Medina desde muito cedo. Eles têm contato com o mar desde que nasceram.

Sophia começou a surfar aos 9 anos, e em 2018, com 12, conquistou o Rip Curl Grom Search – e foi bicampeã em 2019. Ela também conquistou neste ano o Campeonato Brasileiro sub-16, em setembro, e garantiu vaga no Mundial Pro Junior de 2020.

Muito orgulho dessa menina.

Tem que amar muito.

Mas existe um diferencial enorme em tudo isso. A família Medina leva o surfe muito a sério. Muito. A estrutura montada no Instituto Gabriel Medina para atender crianças e jovens é enorme e muito profissional. Lá eles terão a chance de se tornarem um Gabriel no futuro.

Como sou moradora, vejo o movimento da molecada diariamente. Meninos e meninas vestidos com a lycra do Instituto e as pranchas debaixo do braço saem pra surfar com um coach.

Esquema incrível. Onde a formação do atleta é completa e impecável.

Parabéns, família Medina, realizando inúmeros sonhos diariamente.

Antes de terminar, abri espaço pra uma amiga que sou fã e sabe muito de surfe dar o olhar dela sobre a modalidade feminina e masculina na atualidade: a Maíra Pabst, jornalista e editora de surfe do Redbull.com, que acompanha o circuito profissional ao longo do ano e sabe tudo que está rolando.

E aí, Ma, como você vê o surfe brasileiro nos próximos anos?

“Nos 15 anos em que trabalho com surfe, vimos realmente o surfe brasileiro explodir. Vieram os títulos mundiais de Gabriel Medina (2014 e 2018) e Adriano de Souza (2015) e com eles uma enxurrada de fãs do esporte, investimentos e etc. O Brasil hoje domina quase todos os espaços no surfe. Temos muitos dos melhores surfistas de ondas grandes do mundo, temos campeões mundiais de long board (masculino e feminino), de Stand Up Paddle, com Nicole Pacelli, que também é de Maresias, e por aí vai. Somente no feminino de pranchinha que não estamos tão bem, por enquanto. Passamos anos sem um circuito brasileiro organizado, e com isso a base foi esvaziada. Sem investimentos, a Sophia Medina aparece para o mundo como um dos poucos levantes, quase que independentes. Temos a Tainá Hinckel, também, que é patrocinada pela Red Bull e está com estrutura para chegar ao mundial em breve. Sophia ainda é nova, mas sem dúvida tem muito surfe no pé e estrutura para ir muito longe. É uma das nossas esperanças para o futuro. Tatiana Weston Webb, que cresceu no Havaí mas é filha de mãe brasileira, já garantiu sua vaga nos Jogos Olímpicos de 2020 e isso deve trazer mais visibilidade e investimento ao surfe feminino no país. A WSL, entidade máxima do esporte, também decretou em 2019 igualdade de premiações entre homens e mulheres, o que é muito bom para o crescimento da categoria. Então, é um movimento bom nesse sentido em todo o mundo. O surfe feminino só está crescendo e brasileiras terão que tomar seu espaço”.

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