Papo Tático: Afinal de contas, o que Mano Menezes e Palmeiras querem da vida?

Derrota por 1 a 0 para o Fluminense nesta quinta-feira (28) mostrou uma equipe desmotivada e desinteressada; Mano Menezes revelou cobrança no vestiário e deu recado para quem quiser ficar no Palmeiras no ano que vem

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Cesar Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

É compreensível que o interesse no restante do Campeonato Brasileiro tenha diminuído com o título antecipado do Flamengo no último final de semana. A grande questão, no entanto, é que o Palmeiras já anda mostrando esse desinteresse há algumas rodadas. Essa impressão ficou ainda mais forte depois da atuação apática na derrota para o Fluminense nesta quinta-feira (28), no Maracanã. Os comandados de Mano Menezes (que também tem a sua culpa no cartório) não conseguiram mostrar um mínimo de jogo coletivo diante de um adversário muito mais ligado e comprometido com o que acontecia dentro de campo. Por mais que a rivalidade com o Flamengo tenha crescido, Palmeiras, Mano e diretoria precisam decidir o que querem da vida pelo menos nessa reta final de Campeonato Brasileiro. As cobranças seguem vazias e o time não corresponde dentro de campo.

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Confesso que ainda não consegui entender os motivos que levaram Mano Menezes a poupar jogadores contra o Fluminense. Com o Brasileirão decidido e a baga na fase de grupos da Libertadores já garantida, o Palmeiras viu os comandados de Marcão dominarem as ações no meio-campo armados num 4-2-3-1/4-4-1-1 bem compactado e com boa movimentação de Marcos Paulo e Yony González no setor ofensivo. A única grande chance do Palmeiras no primeiro tempo surgiu de bobeira de Allan na saída de bola. Raphael Veiga chutou colocado, à direita de Marcos Felipe. E foi só. A maneira como os comandados de Mano Menezes aceitaram a marcação do adversário não foi compreendida até agora. E isto não tira o mérito do Fluminense em nada. Muito pelo contrário. O Tricolor das Laranjeiras aproveitou a chance que teve e abriu o placar com Marcos Paulo aos 37 minutos do primeiro tempo. Resultado justíssimo.

Palmeiras vs Fluminense - Football tactics and formations

O Palmeiras esteve completamente apático no primeiro tempo. O Fluminense (que já tinha perdido Airton por lesão no início da partida) se impôs através da boa execução do 4-2-3-1 de Marcão. Destaque para Yony González, Marcos Paulo e Daniel no setor ofensivo.

A situação estava tão complicada que o Palmeiras não conseguiu ser efetivo nem com o recuo (até excessivo) do Fluminense nos 45 minutos finais. Dudu, Lucas Lima e Gabriel Veron (melhor jogador do Mundial Sub-17) entraram, mas pouco acrescentaram numa equipe que seguia desinteressada e apática. As três únicas chances dos comandados de Mano Menezes surgiram numa cabeçada de Luiz Adriano (que Digão salvou em cima da linha), num chute de Veron e em outra cabeçada do camisa 10 do Palmeiras. Embora tivesse mais qualidade que o Fluminense, faltava ao Palmeiras a principal característica do seu adversário no jogo destaque quinta-feira (28): vontade e intensidade. Mesmo recuando tanto no segundo tempo e dando campo para o time comandado por Mano Menezes. Marcão manteve o desenho tático da sua equipe e, apesar de ter dado campo ao seu oponente, fez partida correta e mereceu sair do Maracanã com os três pontos.

Fluminense vs Palmeiras - Football tactics and formations

O Palmeiras não conseguiu aproveitar o espaço que o Fluminense deu no segundo tempo. Os comandados de Mano Menezes tinham campo para trabalhar as jogadas, mas não conseguiu produzir nada além de cruzamentos para a área e ligações diretas para Dudu e companhia.

Os últimos resultados do Palmeiras mostram que a fase não é nada boa. Além de perder a vice-liderança para o Santos (o Peixe tem uma vitória a mais), o time simplesmente perdeu o brilho. Já são quatro partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro (duas derrotas e dois empates). E Mano Menezes segue tentando tapar o sol com a peneira ao minimizar as últimas atuações da sua equipe e optar por escalações no mínimo discutíveis. Ao mesmo tempo, a ideia de poupar jogadores para uma partida que vale apenas pela rivalidade não faz muito sentido diante de tudo o que está em jogo. Por que desgastar os jogadores numa partida contra o Flamengo? Apenas pela rivalidade? Apenas para satisfazer o ego de dirigentes? Ou será apenas uma maneira de acalmar os torcedores? Seja como for, Mano Menezes só acerta ao falar que a exigência aumentou com o título do Flamengo.

O que Palmeiras, diretoria e Mano Menezes querem da vida? Se o treinador alviverde deixou claro que o torcedor passou a querer um “outro futebol” e que já era público e notório que o Flamengo de Jorge Jesus já havia “subido o sarrafo” em termos de gestão e futebol jogado dentro de campo, por que ninguém no clube acompanhou essa onda? Vale lembrar que a mesma diretoria do Palmeiras fez questão de exaltar aquele que era considerado o “melhor elenco do país” em vários momentos e se calou quando torcedores ameaçaram Bruno Henrique e sua esposa meses atrás. Das duas uma: ou o elenco não era isso tudo ou a maneira como diretoria e comissão técnica (incluindo Felipão e Mano Menezes) geriram o time nessa temporada não foi a mais correta. Este que escreve fica com a segunda opção. Ainda mais diante do futebol pobre apresentado pelo escrete alviverde nesse Brasileirão 2019. Com Felipão e Mano Menezes.

As lições estão aí para serem aprendidas e apreendidas por todos. E a diretoria do Palmeiras precisa entender que não basta gastar dinheiro como se não houvesse amanhã. É preciso planejar, trabalhar e saber administrar as crises sem perder a calma.

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